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Desde o mensalão à Lava-Jato, o PT já foi demonizado e chamado de tudo de ruim que se possa imaginar. É estigmatizado pelos segmentos sociais que sempre lhe torceram o nariz. Afinal, sua história é a história de luta, do trabalhismo contemporâneo no Brasil e na América Latina.

Nem o PTB de Getúlio Vargas chegou tão longe. Elegeu Lula e Dilma Rousseff por dois mandatos cada e acabou no impeachment da presidente em 2014. Seus programas sociais deram certo no Brasil e foram copiados mundo afora, mas ainda hoje são acusados de desperdício de recursos públicos e de eleitoreiros.

Passados apenas dois do impeachment de Dilma Rousseff, o PT chega às eleições de 2018 como principal partido na disputa presidencial, com o ex-presidente Lula da Silva preso em Curitiba, mas liderando, folgadamente, todas as pesquisas de intenção de voto – para o desespero e pavor dos que golpearam a petista.

Em meio ao turbilhão de escândalos, prisões, operações policiais e um amontoado de ações, a atuação contra das mídias conservadoras e decisões na Justiça, o PT e Lula são os protagonistas da eleição, em que 13 candidatos concorrem ao Palácio do Planalto. Há três anos consecutivos o PT é o partido com maior apoio popular. Foi o único que cresceu organicamente.

Pelo Ibope, é o favorito de quase 30% da população; pelo Datafolha, a preferência bate em 24% e Lula lidera com 39% das intenções de voto. No Maranhão, o PT ainda é disputado pelo grupo Sarney e sua candidata ao governo, Roseana. Ela se vangloria de ter sido líder de Lula no Senado, lá no primeiro mandato dele.

Já o senador Edison Lobão se apresenta ao eleitor como ex-ministro das Minas e Energia de Lula e Dilma. Enquanto isso, Sarney Filho, irmão de Roseana, nem de longe arrisca dizer do orgulho de ter sido, até abril, ministro do Meio Ambiente de Michel Temer, companheiro de partido de Roseana e do pai de ambos, José Sarney.

O Mensalão e a Lava-Jato enfiaram as lideranças petistas na cadeia. Lula tornou-se presidiário e tido, para muitos, dono de uma fortuna bilionária, juntamente com os filhos. Nada, porém, foi provado. Nem a propriedade do tão famoso Tríplex de Guarujá, que levou Lula à prisão em Curitiba. O imóvel foi a leilão, mas a escritura que os investigadores conseguiram juntar não está em nome de Lula, mas da empreiteira OAS. Já o PT luta por todos os meios para ter Lula candidato e assegurar-lhe as garantias dos demais concorrentes, de participar da campanha, dos debates televisivos e do horário eleitoral. Difícil.

Mas, o PT tem o plano B, com Fernando Haddad no páreo.

Atrás do prejuízo. Sabendo que não consegue mais desmanchar a aliança do PT com o PCdoB de Flávio Dino, a candidata do MDB, Roseana Sarney, tenta pelo menos chamuscar o acordo. Dino tem um leque de aliança com 16 partidos, mas Roseana não se interessa por nenhum dos que saíram de sua antiga base para se enturmar com o PCdoB.

Preço da popularidade (1). A ex-governadora entrou duro na queda de braça pelo apoio do PT de Lula. Trata-se de uma pirraça política de alto risco, que pode dar em nada. Roseana chega a postar fotos dela com Lula nas redes sociais, tentando colher parte da influência eleitoral do ex-presidente, no reduto em que ele tem acolhida de 65% – o Maranhão.

Preço da popularidade (2). Roseana tem um problema real em que prefere sair dele pela tangente: em 14 anos à frente do Palácio dos Leões não conseguiu colocar o Maranhão num lugar de destaque entre os estados da federação. Isto é, tirá-lo do desonrado 1º lugar em pobreza extrema. Sem contar os quatro do pai no governo e os cinco de presidente do Brasil.

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