ENTREVISTA

“Hora de união”, diz nova coordenadora da bancada federal do Maranhão

Em entrevista ao jornal O Imparcial, a parlamentar demonstra otimismo para evitar um racha interno devido à proximidade das eleições de outubro

Foto: Reprodução

A deputada Luana Costa (PSC) é a primeira mulher a ser eleita para coordenar a bancada federal do Maranhão no Congresso. Ao vencer a disputa da semana passada por apenas um voto de diferença (11 a 10), quando concorreu com o deputado Cléber Verde (PRB), Luana já sabia que terá uma missão bastante complicada no novo cargo: conseguir unir a bancada em um ano eleitoral. Em entrevista ao jornal O Imparcial, a parlamentar demonstra otimismo para evitar um racha interno devido à proximidade das eleições de outubro.

“É um megadesafio porque é buscar em um ano difícil, um ano onde a gente sai de vários problemas políticos, econômicos e a gente está desaguando no ano eleitoral com essa oportunidade de ser coordenadora da bancada, de ter que fazer com que todo mundo se entenda pelo Maranhão. Todo mundo tem que entender que nós somos uma bancada pelo Maranhão. Acho que esse é o maior desafio”, comentou a deputada. Questionada sobre as eleições deste ano, Luana Costa comentou sobre sua opção de trocar o PSB pelo PSC e disse que, no novo partido, sua reeleição é o “projeto principal”. A deputada ainda falou sobre a eleição majoritária para o governo do estado. “O meu projeto é junto com o Eduardo Braide. Nós temos um alinhamento muito grande e eu pretendo caminhar com ele. Ele é candidato do PMN com apoio do PSC”.

O IMPARCIAL – O que significa essa vitória na eleição para coordenar a bancada federal do Maranhão?

LUANA COSTA – É uma grande honra e um grande desafio em um momento onde o Brasil passa por tantas dificuldades e o Maranhão também está vivendo esse momento de calamidade, de tantos municípios precisando muito da bancada, precisando muito de recursos para recuperar tudo o que foi perdido. E Deus me colocar nessa oportunidade em um ano eleitoral, um ano em que naturalmente a bancada tende a rachar, tende a ver essa coisa da polarização. Então, é um mega desafio porque é buscar em um ano difícil, um ano onde a gente sai de vários problemas políticos, econômicos e a gente está desaguando no ano eleitoral com essa oportunidade de ser coordenadora da bancada de ter que fazer com que todo mundo se entenda pelo Maranhão. Todo mundo tem que entender que nós somos uma bancada pelo Maranhão. Acho que esse é o maior desafio.

O IMPARCIAL – Como é possível unir a bancada em um ano eleitoral?

LUANA COSTA – É um grande desafio, mas acredito que isso é um exercício que a gente tem de buscar maturidade de todo mundo porque a política, por si só, ela não é interessante, não é importante se o objetivo dela não for o cidadão que paga os impostos e nos coloca em cargos políticos. O sonho da população é ter uma classe política que trabalha em favor dela. Temos bandeiras diferentes, partidos diferentes, mas temos que buscar esse entendimento entre nós para que possamos estar fazendo essa unidade e que o Maranhão seja uma bandeira suprapartidária.

O IMPARCIAL – Quais áreas a senhora pretende dar prioridade nessa sua gestão?

LUANA COSTA – No Maranhão, como nos estados que são mais pobres, o grande desafio é que a gente possa fazer com que a população tenha oportunidade de ser incluída tanto produtivamente, como socialmente. Hoje, o Maranhão ainda é um dos estados com os piores indicadores do Brasil. Fui coordenadora do programa “Água Para Todos” na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e o que a gente via era a discrepância ambiental do Maranhão em relação aos outros estados onde a Codevasf atuava. Na grande maioria deles, a gente percebia os municípios totalmente sem água, municípios que se tinha que caminhar quilômetros para poder buscar água. E no Maranhão não temos problema de falta d’água, que é a maior dificuldade para a produção. Não temos outros grandes problemas ambientais e nós temos dificuldade dos nossos governantes verem que o povo do Maranhão precisa que a produção, que a inclusão econômica, que a inclusão produtiva seja prioridade. Acho que esse momento é muito importante para mim. Na minha concepção, o que o Maranhão realmente precisa é que seja priorizada a questão inclusiva, a questão de inclusão produtiva e econômica da população. Colocamos uma emenda de aproximadamente R$ 64 milhões para equipamentos que podem ser colocados na agricultura familiar do nosso estado. Não temos um olhar voltado para fazer com que esse estado produza. Deus me deu a oportunidade de estar assumindo a coordenação dessa bancada depois de termos brigado muito para colocar, para priorizar essa emenda para equipamentos.

O IMPARCIAL – Deputada, o fato de a senhora ser oposição ao governador Flávio Dino influenciará o seu trabalho à frente da coordenação da bancada?

LUANA COSTA – Na realidade, o que eu me vejo é como mediadora da bancada. Então, temos que lutar pelos recursos e ações que vão ajudar o nosso estado. Inclusive, eu acredito que em breve estarei reunida com o governador e vou me colocar à disposição porque acho que. independente de qual palanque você esteja, independente da bandeira em que você esteja levantando, nós temos que nos entender como funcionários do povo. E temos que estar trabalhando por ações positivas para o nosso estado.

O IMPARCIAL – Por que a senhora saiu do PSB e foi para o PSC?

LUANA COSTA – O Maranhão todo tem acompanhado os embates dentro do PSB. Como eu não sou uma pessoa que gosta de brigas, gosto de estar em lugares pra gente estar construindo de forma muito tranquila, transparente as relações para que a gente possa estar fazendo o nosso papel. Dentro do PSB, já há algum tempo, temos vivido essa briga interna, esses desgastes internos que faziam com que não pudéssemos interagir com o partido. Era como se fossem dois partidos: um em Brasília e outro no Maranhão, onde a gente não conseguia participar ativamente do partido no Maranhão. Então, vou procurar um partido em que eu tenha autonomia, que eu possa ter tranquilidade para poder estar trabalhando o meu projeto de reeleição.

O IMPARCIAL – No PSC, é possível se reeleger?

LUANA COSTA – Acredito sim. O que eu sinto em relação ao PSC é uma relação de muita cordialidade e principalmente de muito respeito ao meu mandato, algo que eu não sentia dentro do PSB. Nunca senti ser prioridade. O Pastor Everaldo, que é o meu presidente no PSC, disse que o projeto principal no Maranhão é a minha reeleição. É muito bom você ouvir isso.

O IMPARCIAL – O que a senhora está defendendo em termos de alianças para o PSC no Maranhão?

LUANA COSTA – O meu projeto é junto com o Eduardo Braide. Nós temos um alinhamento muito grande e eu pretendo caminhar com ele. Ele é candidato do PMN com apoio do PSC. Só que ele tem conversado com outros partidos e você sabe que politica não se faz somente com um partido, porque senão o governador Flávio Dino não seria nem governador. Só com o PCdoB ele não teria condições de ser governador. A gente tem conversado com todos, inclusive eu já conversei muito com o governador Flávio Dino, conversei com a ex-governadora Roseana, conversei com Roberto Rocha. Política é diálogo e temos conversado com todos os partidos, com todos os pré-candidatos. A minha tendência natural é ficar com o Braide.

O IMPARCIAL – Após o fim da janela partidária, qual dos pré-candidatos ao governo saiu mais fortalecido?

LUANA COSTA – Isso é uma pergunta extremamente complexa e subjetiva. O governador Flávio Dino foi muito hábil na questão da construção do tempo de partido, mas já não teve tanta habilidade na composição e manutenção dos quadro que o apoiaram. A ex-governadora Roseana é outra fortíssima candidata ao Palácio dos Leões e também tem muito tempo de televisão e um trabalho, um grupo politico consolidado, porém, eu acredito que a governadora tem exatamente o recall que permita a um outro nome aparecer, no caso o Roberto Rocha, o Eduardo Braide. Eles são alternativas novas que, dentro desse cenário, podem despontar como surpresas. Dentro da questão de tempo de partido, o Eduardo Braide não teve um bom desempenho, mas ele está tendo uma indicação e uma intimidade com a população que é digna de nota. Para essa terceira via, temos a candidatura do Roberto, que conseguiu se viabilizar muito bem com o tempo de televisão para estar sendo o candidato principal da terceira via, e o Eduardo como uma pessoa que está em uma situação, no inconsciente coletivo, de alternativa politica realmente para a população.

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