OPINIÃO

Uma eleição de cara nova, com velhas práticas

De hoje em diante, a disputa presidencial e até a de alguns estados serão repensadas, tendo suas estratégias reavaliadas e reprogramadas para ser nos moldes dos velhos tempos, mas com a cara nova

Foto: Reprodução

Condenado em 2ª instância, por 3 x 0, no TRF-4 de Porto Alegre, o ex-presidente Lula tem o futuro totalmente encoberto por uma nuvem cinzenta. Pode até ser candidato presidencial, assim como, também, ser preso em julgamentos futuros de recursos a serem interpostos no próprio TRF, no STJ ou no Supremo Tribunal Federal. Pouco adiantaram, na prática, as manifestações de ontem em defesa da absolvição de Lula. Porém, o ponto marcante foi a volta da população às ruas, puxada pelo PT, organizações partidárias de várias tendências, com entidades sociais e sindicais.

Pouca surpresa quanto ao resultado do julgamento. O próprio Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo se dizendo inocente em todos os momentos do processo, sabia que era quase impossível mudar a posição dos desembargadores do TRF-4, cujo presidente, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, já havia rasgado elogios, em 2017, à sentença “irretocável” e tecnicamente “irrepreensível” do juiz Sérgio Moro, que condenara Lula a 9,5 anos de prisão.

Há quem entenda que a confirmação da sentença abre um vácuo imenso nas esquerdas e fortalece a posição da direita e do centro na disputa presidencial. Lula, pelas circunstâncias do desdobramento da ação penal, pode sofrer isolamento político. Até sensação de dúvidas se ele é culpado ou inocente, em parte de sua legião de seguidores, é possível acontecer. O deputado Jair Bolsonaro, a ex-senadora Marina Silva, o ex-ministro Ciro Gomes e até o governador tucano Geraldo Alckmin serão diretamente beneficiados com o eventual alijamento de Lula da disputa do Planalto. Resta saber quem mais capitaliza eleitoralmente.

De hoje em diante, a disputa presidencial e até a de alguns estados serão repensadas, tendo suas estratégias reavaliadas e reprogramadas para ser nos moldes dos velhos tempos, mas com a cara nova. O coronelismo do século 21 vai atuar a todo vapor, a partir dos grandes centros, com a eleição voltando aos trilhos das elites reassumindo o seu papel político-eleitoral. Os conglomerados de mídia também cumpriram e cumprem o papel de salvaguardar os interesses das elites. A diferença é que, agora, se deparam com o contraponto poderoso das redes sociais, influenciando tanto para o bem, quanto para o mal, especialmente junto ao público mais jovem.

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