(Foto: Honório Moreira/O Imparcial)

Nascido em berço político, Sarney Filho (1957) lança candidatura ao Senado depois de ter sido ministro do Meio Ambiente no governo Michel Temer. Ingressou na política pelo Arena, onde alcançou o cargo de deputado estadual em 1979. Em 1983, foi eleito deputado federal e reeleito 9 vezes. Assumiu ainda o Ministério do Meio Ambiente no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Em entrevista ao jornal O Imparcial, Sarney Filho falou que é a combinação entre experiência e novidade, prometeu honrar os votos daqueles quetambém optam pelos seus adversários políticos e prometeu ser a voz da juventude no Senado.

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Pergunta: Depois de tanto tempo como deputado federal, o que te motiva no Senado?

Resposta: Nos últimos 10 anos, fui considerado um dos 100 “cabeças” do Congresso, um dos 17 que fazem a pauta, pelo Diap. Então, o Senado é uma casa revisora, que tem menos parlamentares… E a causa ambiental, da natureza, que é o que eu defendo, está cada vez mais importante para o dia a dia das pessoas, em que é preciso estar muito atento para que interesses de grupos econômicos ou pessoais não se sobreponham aos interesses coletivos. Logo, o Senado é uma casa na qual poderei atuar com maior firmeza e cujas suas ações terão maiores repercussões. O Senado também tem relevância muito maior, daí a importância de ter um senador vinculado à causa da natureza, à causa do desenvolvimento sustentável.

P: Existe uma nova pauta ou sua candidatura fortalece aquilo que o senhor já defende?

R: Fortalece aquilo que eu já defendo, evidentemente, mas como hoje no mundo com quase 8 bilhões de habitantes, em que aquilo que se retira a natureza já não pode ser recomposto, creio que o Senado é o fórum adequado para que a gente possa levantar essas discussões. Então, sem dúvidas, no Senado eu vou poder fazer com que o meu trabalho tenha maior visibilidade do que na Câmara.

P: Uma vez no Senado, o senhor vai ter que abordar outras questões além do meio ambiente. Dentre os problemas, qual você acha que é o principal do Maranhão e como solucionar?

R: Quem defende o meio ambiente combate a pobreza e a desigualdade, apoia o desenvolvimento com responsabilidade. Então, essas causas evidentemente eu continuarei defendendo, pois dizem respeito à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Saneamento, recuperação e revitalização das nossas bacias hidrográficas maranhenses, que estão quase todas comprometidas, incentivo a agricultura sustentável. Eu não vejo contradição entre o agronegócio e o meio ambiente, ainda mais hoje, onde as pessoas e principalmente os empresários estão muito conscientes da necessidade do equilíbrio ambiental. Aquino Maranhão, evidentemente, eu irei também me posicionar ao lado da luta por mais saneamento, dar destinação adequada aos resíduos sólidos, ao lixo… saneamento é saúde, é vida, então nós não podemos deixar de levar em conta esse aspecto relevante da questão ambiental. Esses são eixos de minha atuação, sobre os quais eu vou me fixar. Mas isso não quer dizer que eu não vá me posicionar a favor de mais verbas para saúde, mais verba para educação, mais verba para trabalho, não quer dizer que eu não vá me posicionar a respeito da diminuição da carga de Imposto de Renda, que é cruel, e lutar para que a gente volte a crescer. Nós temos que combater o desemprego, oferecendo alternativas econômicas, diminuindo os impostos, valorizando os pequenos produtores, valorizando os pequenos comerciantes. Então, eu acho que essa é uma questão que nós não podemos deixar de abordar. Também, no que diz respeito a esse mundo contemporâneo, é a questão tecnológica. Nós temos que ampliar as possibilidades de acesso para internet, facilitar banda-larga, alfabetizar novamente as pessoas para que elas possam usufruir das novas tecnologias de informática, e essa questão também é uma questão que vou me debruçar com muito afinco.

P: Sobre saneamento básico, o que faltou das administrações anteriores para colocar o Maranhão com um dos piores índices do país?

R: O saneamento básico é ruim em todo o Brasil, principalmente no Nordeste, nós temos um déficit muito grande. Durante muitos anos, e, até hoje, essa questão foi tratada única exclusiva pelos estados e pelos municípios. Então eu acho que agora a União tem que começar a abordar com mais ênfase, porque tem que ser prioridade. Precisamos de estações de tratamento aqui em São Luís, para que a gente possa recuperar as nossas praias, despoluir nossos rios da Grande Ilha, de São Luís… quando eu era garoto tomava banho em quase todos os rios daqui e hoje infelizmente ninguém pode tomar por que estão esgotos a céu aberto, então acho que temos que ter um foco maior nessa questão por parte do Poder Público como um todo. Seja qual for o governador ou governadora, espero que seja Roseana, mas não vou discriminar nosso estado, porque eu sempre ajudei o Maranhão sem ranço ideológico ou partidário. Eu vou continuar assim. Essa é uma maneira que eu tenho de trabalhar. Quero fazer parceria com os estados e municípios, promover amplas discussões, e acho que o Senado vai me dar essa oportunidade.

P: Nessa eleição, prefeitos de várias cidades apoiam para o Senado candidatos tanto situação como oposição, como o senhor observa ter esses palanques divididos?

R: Isso é próprio da realidade política atual, em que os partidos perderam força e as pessoas ganharam muito mais relevância do que os partidos. Eu sou de um dos poucos partidos ideológicos, um dos poucos políticos que também têm uma causa, e que por ela é reconhecido nacional e internacionalmente, e que essa causa está acima de qualquer questão partidária. Portanto, dentro dessa eleição fragmentada como está, eu encaro (essa divisão de palanques) com naturalidade. Isso está acontecendo em todos os estados, com todos os candidatos. O que é importante é que as pessoas saibam nossas histórias e idéias. E eu me sinto altamente qualificado, porque Brasília não é um lugar para principiantes. O Brasil está vivendo um momento muito difícil. Então, é preciso que a gente tenha parlamentares quetenham autoridade moral para poder junto ao Senado buscar recursos para o Maranhão.

P: E como que o senhor se posiciona nessa corrida, como uma novidade ou como experiente?

R: Eu me considero os dois. Além de experiência que adquiri ao longo desses mandatos, também me considero uma novidade, porque a primeira vez que vou concorrer ao Senado, e a causa que eu defendo é uma casa contemporânea, uma causa jovem. Muita das vezes eu estou defendendo os direitos daqueles que nem nasceram ainda, portanto meu nome se encaixa perfeitamente dentro dessas prerrogativas apontadas: ficha limpa, experiente, e defensor de uma causa jovem.

P: Qual é a influência de Roseana na sua campanha?

R: Eu diria que minha candidatura é vinculada ao desempenho da Roseana. Agora, pelo fato de eu ter uma vida política bastante marcante e ao longo dela ter construído muitas amizades, essas amizades acabam se sobrepondo. Às vezes, as pessoas votam na chapa adversária e votam em mim para senador. Então, eu fico muito orgulhoso com isso e vou honrar esse voto, mas é evidente que a Roseana tem um papel fundamental na minha eleição.

P: Qual mensagem você gostaria de deixar para os eleitores?

R: Que eu vou usar de toda a minha experiência, o meu prestígio e minha ideologia para poder trabalhar por um Maranhão melhor e mais justo, para poder ampliar as oportunidades, e dar à juventude um caminho para que ela possa cada vez mais ter segurança no desenvolvimento da sua atividade.

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