Na manhã desta segunda-feira (20), pais compareceram na delegacia do bairro do João Paulo para formalizarem denuncias contra o Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos. A informação foi confirmada ao O Imparcial pelo delegado Joviano Furtado. A Polícia Civil abriu mais quatro inquéritos no âmbito da investigação que apura mortes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Pediátricas do hospital.
A Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA) identificou uma série de problemas no funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do hospital. Entre as irregularidades apontadas estão o número insuficiente de médicos, relatos de falta de medicamentos, déficit de fisioterapeutas especializados e falhas na regulação de leitos.
“Vou mover céus e terra”
Uma mãe, identificada como Karina Pereira Vieira, está em busca de dignidade, saúde e justiça após sua filha Maria Júlia Pereira Vieira, prestes a completar 10 anos, ficar acamada e com sequelas gravíssimas em decorrência de um atendimento hospitalar ocorrido há dois anos.
Maria Júlia
A criança, que antes tinha apenas o diagnóstico de diabetes e levava uma vida normal, hoje depende de uma traqueostomia e de uma sonda de gastrostomia (GTT) para se alimentar, além de ter perdido a fala e os movimentos das pernas.
A família denuncia o abandono do poder público e a falta de assistência médica básica por parte do município, enquanto busca caminhos legais para responsabilizar os envolvidos e garantir o tratamento adequado para a menor.

Segundo o relato da mãe, a menina era uma criança ativa e saudável antes do episódio. “Minha filha era a coisa mais linda, andava, falava, fazia tudo. Levar o filho para o hospital para sair de lá doente é uma revolta. São dois anos que ela não anda, não fala e se alimenta por GTT”.
Para se dedicar exclusivamente aos cuidados da filha, a mãe precisou abrir mão do trabalho e da própria renda. A rotina é compartilhada apenas com a avó da criança, que oferece o único suporte familiar disponível. Sem condições financeiras, a família enfrenta barreiras extremas até mesmo para transportar a menina aos atendimentos médicos, recorrendo a serviços de transporte por aplicativo particulares.

Karina relata que já tentou buscar vagas e atendimento em clínicas da região, mas esbarra na burocracia do Sistema Único de Saúde (SUS) e na falta de encaminhamento adequado. Para realizar exames básicos, a família frequentemente precisa recorrer à rede particular, dependendo de doações e recursos que não possui.
“Quem sabe o que passa sou eu, o sofrimento que eu vivo aqui dentro de casa. Eu vou mover céus e terra para ela ter os direitos dela.”

Diante da falta de respostas do sistema de saúde local e de promessas de auxílio político que não se concretizaram, a mãe afirma que não deixará o caso impune. O próximo passo da família será formalizar uma denúncia junto aos órgãos competentes para investigar a suposta negligência médica ocorrida no hospital e acionar a Defensoria Pública para garantir o fornecimento do tratamento em home care ou nas clínicas especializadas do município.
O Imparcial solicitou esclarecimentos para Prefeitura de São Luís, mas até agora não obtivemos retorno.
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