Um crime bárbaro, praticado com requintes de perversidade, causou grande comoção e revolta em toda São Luís, tendo como autores três jovens de classe média, que acreditavam na impunidade. A vítima foi o comerciário Raimundo Pinto do Reis, funcionário da Ocapana, antiga loja de roupas masculinas, existente na Rua Grande, o que fez com que a vítima ficasse conhecida como “Pintinho da Ocapana”, visto ser funcionário muito aplicado e popular entre os clientes e amigos.
O crime aconteceu em uma madrugada de 31 de julho de 1979, quando Pintinho se encontrava no Bar Apolo, na avenida Beira-mar estabelecimento muito frequentado, principalmente pelos jovens da sociedade e trabalhadores do comércio e do Centro Histórico da cidade. Ali estava também uma mulher muito bonita, acompanhada por dois rapazes.
Pintinho já havia bebido bastante e não teve o discernimento de que a jovem estava acompanhada por dois homens e que um deles era o seu namorado, e assim dirigiu um gracejo para a moça. Os seus acompanhantes reagiram com violência, mas os ânimos foram contidos pelos demais frequentadores do bar, e então, parecia que tudo havia voltado à normalidade. Em seguida os dois rapazes se aproximaram de Pintinho e passaram a conversar amistosamente, como se nada tivesse acontecido e o convidaram para dar uma “esticada” na noitada em outro local.
Pintinho aceitou o convite sem se dar conta de que era uma armadilha e saiu na companhia dos dois rapazes e da mulher. O grupo entrou em um automóvel Fiat e saiu. Mas era uma armadilha e Pintinho foi então submetido, conforme apurado pela polícia, a uma sessão de torturas que durou mais de duas horas com brutal espancamento, corpo queimado com cigarros acesos e estocadas com chave de fenda, enquanto o carro se deslocava pela estrada de São José de Ribamar.
O carro parou na margem da estrada e as torturas continuaram, quando então um dos torturadores identificado como Elias Azevedo Pinto, disparou três tiros contra Pintinho, o matando.
Satisfeitos em sua sanha selvagem, os torturadores José Ribamar Borges Castro, conhecido como “Riba”, sua namorada (uma adolescente) e Elias Azevedo, autor dos tiros que mataram a vítima, saíram dali, abandonando o cadáver.
O corpo foi encontrado por terceiros e o achado comunicado à polícia que identificou a vítima. A Polícia Técnica-Científica constatou que a vítima foi submetida a uma sessão desumana de tortura. Os criminosos foram presos, com exceção da adolescente que foi retirada da Delegacia do Primeiro Distrito Policial (Centro) pelo Juiz de Menores, da época, seu padrinho, que foi pessoalmente resgatá-la na Delegacia.
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