Entretenimento e Cultura · Dia da Consciência Negra

Série “Sou Quilombola” estreia no Canal Futura com valorização da cultura negra no Maranhão

Ao longo de seis episódios, são destacados aspectos fundamentais da vida das comunidades quilombolas: resistência, religiosidade, educação, cultura e juventude

Cena do programa Sou Quilombola (Foto: Divulgação)
Cena do programa Sou Quilombola (Foto: Divulgação)

Na semana em que se celebra o Dia da Consciência Negra (20/11), data que homenageia a luta e resistência do povo negro contra o racismo e a escravidão, o Canal Futura lança o novo programa “Sou Quilombola”. A estreia ocorreu nessa terça-feira (18), às 20h30. A produção mergulha nas tradições, culturas e dinâmicas das comunidades quilombolas do estado do Maranhão.

É apresentado o cotidiano daqueles que mantêm viva a ancestralidade africana no Brasil, em um retrato potente sobre identidade, pertencimento e resistência. Com classificação livre, a temporada foi produzida, roteirizada e dirigida por Fabiano Morais e faz parte da programação “Sou”, feita em parceria com a Uern TV.

Ao longo de seis episódios, são destacados aspectos fundamentais da vida das comunidades quilombolas: resistência, religiosidade, educação, cultura e juventude. Entre as histórias, o público terá a oportunidade de conhecer celebrações como o Tambor de Crioula e a Festa do Divino, a busca por uma educação libertadora e o protagonismo dos jovens que afirmam com orgulho: “Sou Quilombola”

A série foi toda gravada no Maranhão, onde se concentra o maior número de comunidades quilombolas do país e segundo estado com a maior população quilombola. De acordo com o Censo de 2022, feito pelo IBGE, a região tem 24% das localidades quilombolas do país, com 2.025 ocorrências. 

Segundo o líder de projetos do Canal Futura, André Libonati, o programa tem como foco dar visibilidade a temas que constituem a cultura e história brasileira, além de impactar a sociedade, pois ainda há muitos preconceitos e desinformações referentes aos quilombolas.

“No caso específico de Sou Quilombola, a série valoriza a rica diversidade desse grupo étnico descendente de africanos ao explorar a forte conexão com a ancestralidade e com as tradições culturais próprias. Acreditamos que, por meio de produções audiovisuais, o valor de uma comunidade quilombola seja realmente reconhecido, principalmente pelo valor histórico que ela representa”, complementa.

Além da programação principal, foram produzidos onze interprogramas, cinco para a televisão e seis para redes sociais, que buscam aprofundar o debate e ampliar as vozes quilombolas. Entre eles, encontram-se relatos a respeito da importância da educação como ferramenta de emancipação, o empreendedorismo artesanal e reflexões acerca do preconceito e resistência no cotidiano das comunidades. 

O produtor, diretor e roteirista, Fabiano Morais diz como o audiovisual tem o poder de levar as histórias quilombolas a um público cada vez mais amplo, ajudando a compreender o verdadeiro significado dessas comunidades para a sociedade brasileira. Para ele, contar as histórias hoje é fundamental, uma vez que ainda persistem preconceitos raciais e resistência à aceitação da diversidade étnica. 

“Quando trazemos essas histórias à tona e damos voz aos protagonistas sociais, contribuímos, de certo modo, para um mínimo de justiça social, ao menos na comunicação. Esse é um dever nosso como produtores, roteiristas e diretores de audiovisual, quando há compromisso social e ético. Tive a oportunidade de ouvir relatos de muitos quilombolas que ainda lutam para afirmar a igualdade que merecem. É como tivéssemos evoluído muito tecnologicamente, mas pouco, em alguns casos, moralmente. Tivemos, também, o privilégio de registrar uma beleza fantástica nos lugares por onde passamos em todo o Maranhão”. 

A nova produção reafirma o compromisso do Canal Futura em dar visibilidade a narrativas que valorizam a diversidade cultural brasileira e promovem o debate sobre identidade, educação e justiça social. A série também é uma celebração dos povos quilombolas e da contribuição essencial à cultura nacional. 

Cronograma dos episódios

Dia 18 de novembro, às 22h30– História e Resistência I 

Para eles, a terra tem memória. Das areias de batalhas antigas aos babaçuais que garantem o sustento, a história quilombola é contada em cada palmo de chão. Um legado de permanência, onde resistir é, acima de tudo, fincar raízes e existir.

Dia 25 de novembro, às 22h30– História e Resistência II 

Para eles, resistir não é só defender o passado, é recriar o futuro. Uma imersão na jornada de quem reconstrói sua cultura no território, mostrando que a união e a certeza na vitória são as armas para transformar a luta pela terra em um legado vivo.

Dia 2 de dezembro, às 22h30– Religiosidade

O episódio explora a religiosidade em terras quilombolas do Maranhão, um mosaico de fé que une o catolicismo popular, como a Festa do Divino, às tradições de matriz africana, como o Tambor de Crioula, revelando a força desse legado ancestral.

Dia 9 de dezembro, às 22h30– Cultura 

Para eles, a cultura não se guarda em museu, se vive na pele. Do barro que sustenta a família à batida do tambor que liberta a alma, o episódio celebra o poder do saber fazer, onde cada dança, peça e festa é a prova pulsante de um legado vivo. 

Dia 16 de dezembro, às 22h30– Educação 

Para eles, o conhecimento é uma viagem de ida e volta. A luta por uma educação quilombola que valoriza a ancestralidade e impulsiona jovens a romper barreiras, retornar ao território e construir o futuro de suas raízes.

Dia 23 de dezembro, às 22h30– Juventude 

Dizer “Sou Quilombola” é mais que uma afirmação, é um manifesto. O episódio pulsa com a voz da juventude que ressignifica o passado, ocupa o presente e demarca o futuro, transformando a herança dos ancestrais em resistência e orgulho. 

Interprogramas

  • Educação Liberdade 

A importância da qualificação profissional dentro do Quilombo Liberdade revela o poder da educação como ferramenta para emancipação e conquista profissional. 

  • Educação Santa Rosa dos Pretos 

Jaércio Pires mostra como o movimento quilombola vai além da sala de aula, e é na luta social que nasce o pensamento crítico e a consciência coletiva. 

  • Alcântara 

Hugo Leonardo mostra como a história de Alcântara se entrelaça à resistência negra, revelando a força dos quilombos na construção da memória e da identidade local. 

  • Santa Maria de Guaxenduba

A tradição e história de Santa Maria de Guaxenduba espelha a herança quilombola e mantém viva a origem e a identidade do povo maranhense.

  • Ser Quilombola 

O orgulho quilombola ganha voz: ser quilombola hoje é resistir ao racismo e celebrar a força da identidade negra diante todas as formas de opressão.

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