Paternidade

Dia internacional da família ou 2° dia das mães?

Abandono por parte do pai biológico quebra o estigma de família tradicional brasileira.

Muitas mães criam seus filhos sem ajuda dos pais. (Foto:Reprodução)

Neste domingo (15) é comemorado o dia Internacional da família. Já passamos do tempo de afirmar que família é aquela composta por pai, mãe e filhos. As particularidades do mundo atual não se definem somente por esse conjunto de seres. 

O primeiro fator que mostra essa atualização é que nos primeiros quatro meses de 2022, mais de 3.000 crianças foram registradas somente com o nome da mãe no Maranhão, segundo dados do Cartório de Registro Civil do estado. 

Nesses casos nada raros, as dificuldades para as mulheres acabam sendo maiores, ter que conciliar a vida profissional, pessoal, social, acadêmica e materna sem um parceiro para dividir a carga.  

Muitas mães lidam com isso de forma mais firme, pois sabem que ter um companheiro nem sempre significa ter alguém com quem contar, mas outras sabem que a presença paterna conta não somente para a ajuda-la, mas para a própria criança. 

Cleia Alves vive essa realidade há 23 anos, idade de seu filho mais velho, Breno, que desde os 4 anos não teve o acompanhamento de seu pai, e de sua filha Isabel, 15 anos, que nunca teve o pai presente. A mãe conta que a falta de um pai é um preço muito alto a se pagar. 

“É complicado olhar para um lado e para o outro não ver essa figura paterna, são situações cotidianas que passamos com os filhos, e não tive com quem contar, levar ao hospital, ter que sair para trabalhar e não saber com quem deixá-los, eu me via sozinha sem ter condições de contratar babá.” desabafa. 

Mas apesar de todas as dificuldades encontradas na criação de seus filhos, Cleia diz que não se arrepende de sua história, e que colhe bons frutos hoje. 

“Me entristeço por não ter provido tudo que eles mereciam, mas amor vence todas as barreiras e não sei o que seria de mim sem meus filhos.” conclui. 

Por outro lado, temos a visão de um filho criado somente por mãe, Adriano Vegas, de 36 anos, ele é um exemplo de formação de caráter. Conta que o abandono por parte de seu pai foi ainda quando bebê, após isso sua mãe teve mais 2 filhos, os quais também foram criados sem a presença paterna, deixando-a como a provedora do lar. 

“Não fez diferença quando pensado no geral, mas em torno da pré-adolescência acabava me culpando por não ter ele perto”, explica. 

Em todo o mundo estima-se que mais de 100 milhões de mulheres são mães solteiras, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), não há como definir quem é por escolha ou por abandono do seu parceiro, mas esta estimativa indica a força e determinação de mulheres que não fogem das suas responsabilidades maternais. 

Outra realidade bastante comum são mulheres que tem apoio de suas mães para a criação dos filhos, e resultam de o neto conviver mais com a avó do que com a própria mãe, que precisa trabalhar para garantir o sustento de seu lar.  

Avós maternas são as que mais se disponilizam para ajudar na criação dos netos. (Foto: Reprodução)

Valter Júnior, hoje com 28 anos, é um bom exemplo disso. Ele foi criado por sua avó materna desde os 3 meses, e afirma que isso influenciou na sua formação como cidadão. 

“Acho que seria mais calmo, e mais ativo no meio familiar, pois até hoje sou super afastado da minha família paterna. E de certa forma ser criado por minha avó me deu fôlego para trabalhar e conquistar minhas coisas desde cedo” afirma. 

 Valter conta também que o amor e respeito pela avó, que sempre foi generosa com ele e as outras 3 crianças que ela criou, sempre esteve presente. 

No estado do Maranhão é comum conhecermos histórias assim, netos criados por seus avós, sobrinhos por tias ou enteados criados por padrastos e madrastas na companhia de um dos seus pais biológicos. 

Este é o caso de Ana Paula Rodrigues, que até seus quatro anos morava na casa de sua avó materna, enquanto sua mãe, empregada doméstica, morava na residência de seus patrões. 

“Isso me fez ser mais apegada com minha vó, lembro que brincava muito e não tenho tanta recordação se minha mãe voltava pra casa nos finais de semana. Depois dos meus quatro anos ela casou-se e fomos morar com meu padrasto e a filha dele”, relata. 

Ana Paula ainda conta que mesmo com a casa abastecida de pessoas, sentia a falta de seu pai biológico, especialmente no dia dos pais. 

A realidade é que os laços familiares vão além de sangue. Família é quem está junto, é quem cria, quem apoia, o porto seguro que voltamos para atracar nosso barquinho. 

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