DIA DAS MÃES

Lojistas esperam movimentação menor na Rua Grande

As lojas de Shopping Center (40,1%) mantiveram praticamente o mesmo nível de intenção de consumo registrado em 2017, alcançando o segundo lugar na pesquisa. A Rua Grande ficou em terceiro lugar, com 14,7%

Foto: Karlos Geromy

A Rua Grande apresenta movimentação pequena de consumidores a pouco mais de uma semana do Dia das Mães, uma das datas em que normalmente o comércio mais fatura, considerada o Natal do primeiro semestre.

De acordo com pesquisa feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA), em um dos itens investigados destaca-se a queda de 55% nas intenções de compras no Centro Comercial e Rua Grande de São Luís em relação ao ano passado.

Com isso, as galerias comerciais e lojas de bairro (44,7%) destacaram-se no levantamento feito pela Federação deste ano, recebendo parte considerável desse público que optava pelas compras na Rua Grande. As lojas de Shopping Center (40,1%) mantiveram praticamente o mesmo nível de intenção de consumo registrado em 2017, alcançando o segundo lugar na pesquisa. A Rua Grande ficou em terceiro lugar, com 14,7%.

“A gente entende que essa queda está relacionada com a obra, porque qualquer obra, por mais que seja para gerar resultados positivos, no decorrer dela tende a criar algumas dificuldades. E essas dificuldades já estão sendo sentidas pelo empresariado local, porque o consumidor está tendo dificuldade de acessar a Rua Grande, de chegar de transporte coletivo naquela área. O perfil do consumidor daquela região é de um consumidor com renda abaixo de três salários mínimos e que depende de transporte público. A pesquisa mostrou que esse consumidor migrou para as lojas e comércio de bairros”, aponta Max de Medeiros, superintendente da Fecomércio.

Tanto os trabalhadores do comércio quanto lojistas já sentem mesmo essa queda. Para o gerente de uma loja de confecções, André Pereira Santos, a obra vai dar outra cara para a Rua Grande e ruas adjacentes, porém, enquanto durar, os lojistas terão que amargar as vendas fracas. “É uma obra necessária sim, mas tem gente que não está vendendo nada.

Mesmo assim, a gente espera que consiga ter uma movimentação boa. Que nas vésperas do domingo das mães as pessoas procurem mais essa área”, acredita o comerciário. Se para o comércio formal não está bom, para os vendedores informais, os ambulantes, também não. A pesquisa aponta apenas o 9º lugar, com 1,9% das intenções de consumo no camelô. “Essas datas comemorativas são as que a gente vende mais: Natal, Dia das Mães, das Crianças…, então até agora está bem difícil. Vamos ver se melhora daqui por diante”, espera Raimundo das Neves Fonseca.

Artigos de beleza

Diferentemente dos anos anteriores, os produtos mais procurados para presentear as mães neste ano devem ser os de uso pessoal e beleza, como cosméticos e perfumaria. Com movimentação financeira de R$ 3,6 bilhões, o segmento de vestuário e calçados costuma responder por quase 40% do faturamento total.

Segundo Max de Medeiros, isso tem uma explicação. “Tradicionalmente eram os artigos de vestuário que lideravam essa preferência. Porque, como a gente viveu um momento de crise econômica, as pessoas preferiam comprar mais itens de necessidade, como calçados e vestuário, pois já que eles iam dar um presente já buscavam um artigo de necessidade para o dia a dia. Com a saída da crise, os consumidores já estão pressentindo comprar produtos que já não são de necessidade. E a pesquisa mostrou um crescimento dos itens de perfumaria que teve uma aceleração de 50%”, explica.

Os lojistas desse segmento já esperam por um período de vendas. “Quem é que não gosta de se perfumar, passar um hidratante, usar um batom? Estamos de portas abertas”, diz Ana Letícia Silva, lojista.

Boas perspectivas

De uma maneira geral, a expectativa para a economia do comércio é boa. A pesquisa revelou que 71,1% dos consumidores pretendem ir às compras em função da data comemorativa, apresentando um recuo de -11,0% em relação ao ano passado. Esse crescimento acompanha a evolução nacional, que, segundo aponta levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), deve apresentar aumento real de 4,3% em relação à data de 2017.

“Desde o ano passado, o comércio já vinha apresentando números positivos. Encerramos 2017 com um crescimento de vendas de 4,5%. É um crescimento que ainda não recupera as perdas dos dois anos anteriores (2015 e 2016) – onde tivemos um tombo no volume de vendas muito alto-, mas já cria as bases para recuperação econômica que vem sendo sentida nos meses subsequentes. A perspectiva é que a gente encerre 2018 já com números bastante positivos para nossa economia no comércio”, acredita Max de Medeiros.

Requalificação

A Rua Grande foi inserida no PAC Cidades Históricas por sua importância e relevância para o comércio do estado. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a obra engloba a requalificação urbana da Rua Grande, no trecho entre o Largo do Carmo e Parque Urbano Santos, incluindo as Praças Deodoro e Pantheon e as Alamedas Silva Maia e Gomes de Castro e prevê o embutimento da fiação aérea e lógica, drenagem profunda e esgotamento sanitário e arquitaetônico, com novos equipamentos urbanos, piso e acessibilidade.
As obras iniciaram em março e devem ser entregues, segundo Iphan, até o final do ano.

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