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Dengue: Sujões facilitam proliferação de mosquitos

Com as chuvas diárias, a principal preocupação demoradores que lutam para evitar proliferação da doença é a falta de bom senso de algumas pessoas, que colocam lixo em locais inadequados

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Foto: Honório Moreira/ O Imparcial

“A gente pode se prevenir de todo jeito em casa que não vai adiantar nada se o povo não tiver educação de não jogar lixo na rua”, afirma a dona de casa Ilda Ferreira, moradora da Cohab.

O pensamento da dona de casa é um consenso quase universal para os moradores da capital, que em época de chuvas sabem que o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti, causador de doenças como a dengue, zika e chikungunya, é muito maior, e a prevenção tem que partir de todas as pessoas.

Na teoria, tudo funcionaria bem se não fossem algumas atitudes inconsequentes de pessoas que despejam lixo em locais inapropriados, deixando muito espaço para que novos criadouros do inseto apareçam em terrenos baldios, residências abandonadas ou até praças e locais públicos, fazendo estes pontos suscetíveis à infestação de doenças.

O combate efetivo trouxe a diminuição de mais da metade dos casos de dengue em 2017 com relação ao ano anterior, com quase 7 mil casos registrados, enquanto que em 2016 foram 23.325 casos de dengue no Maranhão. Ainda assim, esses números poderiam ter sido menores se a colaboração da população e o sentimento de coletividade fossem essenciais na hora de se desfazer do lixo.

O perigo está nas portas das casas e nas ruas

Vila Palmeira e Santa Cruz em São Luís, a preocupação dos moradores em não deixar água parada, manter tanques e recipientes de água limpos e garrafas emborcadas não adianta muito quando saem na porta e dão de cara com um lixão que diariamente acumula mais resíduos e materiais propícios para a proliferação do mosquito.

Segundo a população da região, que já está cansada dos transtornos que o lixão traz, quando chove, o lixo é levado para as portas das casas e entope as galerias, dificultando ainda mais a situação. A dona de casa Maria José, que há 4 anos mora no bairro, conta que o local não permanece mais que algumas horas limpo após a coleta de lixo passar. Segundo ela, todo tipo de lixo é jogado na calçada, à beira da pista. “A coleta passa aqui, tira esse lixo, mas não demora e já está cheio de novo. E se joga de tudo aí, até gatos eles vivem abandonando. Jogam bichos mortos também, por isso fica cheio de urubus. Quando chove, vem toda essa porcaria para a porta da gente, fica tudo cheio de água aqui que mal dá para sair de casa”.

A moradora diz que faz sua parte para evitar que algum morador da sua casa tenha dengue, mas que, mesmo mantendo os cuidados necessários, sabe que existe risco de adoecer por causa da água parada que se acumula do lado. “Eu tenho tanque em casa e ele sempre está limpo, coloco água sanitária e, quando vem um agente, coloca remédio. Aqui em casa, sei que não tem risco de proliferar a dengue, mas na rua a gente sabe que existe, por causa do jeito que fica a situação desse lixo aí”.

Cerca de 40 equipes da Secretaria Municipal de Saúde (Semus) foram distribuídas para realizar o trabalho de campo nos oito distritos sanitários da cidade. Nas vistorias, é realizado o recolhimento de bagulhos volumosos descartados pelos moradores acumulados nos quintais. Além desse trabalho de combate direto aos focos do Aedes aegypti, os agentes de endemias realizam ainda abordagens educativas, com orientações e informações sobre os cuidados que a população deve ter para ajudar o poder público no combate ao problema.

dengue- mosquito- da- dengue- o impariclaSujeira espalhada é um dos problemas para evitar o risco da Dengue
Foto: Honório Moreira/ O Imparcial

Educação passou longe

No bairro Cohab, uma avenida de grande circulação parece não impedir que pneus sejam descartados em uma calçada, acumulando água e colocando em risco, inclusive, estudantes de uma escola próxima. A dona de casa Ilda Ferreira diz que a situação é antiga no local e que muitas pessoas não se preocupam com as consequências que o descarte irregular pode trazer. “Isso aqui já é há muito tempo, eles jogam esses pneus aí e não querem nem saber. Aí fica dando mosquito e vai adoecer esses alunos aí dessa escola, porque é bem ao lado. Tem tanto lugar para se desfazer dessas coisas hoje em dia! Qual a dificuldade de levar para um Ecoponto desse?”, questiona Ilda.

Este ano, já foram vistoriados pelos agentes de endemias cerca de 300 mil imóveis, entre estabelecimentos e domicílios. Em 2017, o trabalho de prevenção alcançou a marca de aproximadamente um milhão de visitas a imóveis, nos seis ciclos de trabalho de combate ao Aedes.

A moradora comenta que as chuvas dos últimos dias só aumentaram o risco de proliferação com a água que se acumula nos pneus e afirma que já procura tomar providências para evitar ficar doente. “Como está chovendo esses dias todos, eu já fecho as janelas cedo e coloco inseticida para não aparecer mosquito em casa. Deus me livre ficar doente, ainda mais por causa da irresponsabilidade dos outros”.

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