ENTREVISTA

1.800 pessoas estão na fila de espera do SUS no Maranhão

Em entrevista coletiva, o presidente do CFM, Carlos Vital, reiterou que a motivação para a precariedade é a falta de verba com destino à saúde

Com as altas mensalidades das prestadoras de planos médicos, cresce a procurar pelos serviços do sus no estado. Foto: Reprodução

Ontem, no Conselho Regional de Medicina do Maranhão, em São Luís, Carlos Vital, presidente do ConselhoFederal de Medicina, concedeu entrevista coletiva à imprensa. Com visão expandida, principalmente por conta do cargo em nível federal, Carlos Vital reclama da falta de muitos de medicamentos para prática da medicina e que a situação do Maranhão não se difere muito do cenário nacional, no âmbito da medicina. “Essa situação que vemos aqui não é muito diferente do que a gente vê no resto do país. A região Nordeste sofre com isso, mas as regiões Centro-Oeste e Norte também apresentam muitas carências”, diz.

Má-formação é problema

Questionado pelo O Imparcial quanto ao aumento indiscriminado de escolas de medicina pelo país, Vital foi preciso ao demonstrar sua descrença e preocupação. Para ele, o aumento de cursos de medicina deve ser proporcional à qualidade desses cursos.

“Temos 308 escolas de medicina em todo o país e aproximadamente 25 mil médicos se formando por ano. Há que se pensar que o estudo da medicina pede boa infraestrutura, boas referências e bom corpo docente. Muito me preocupa a qualidade dos médicos que estão se formando em diversas escolas médicas pelo país”, declara Vital.

O presidente também fez menção aos milhares de estudantes que procuram, por conta de menores preços, cursos de medicina em outros países da América Latina, tais como Bolívia e Paraguai. “Os cursos de medicina das ‘fronteiras’ não têm qualidade, são cursos falhos e muito carentes. Cabe ao MEC fiscalizar esses estudantes que terminam o curso e voltam para o Brasil”, observa.

Vital continua, pontuando que, “mesmo o MEC realizando essa vistoria, é muito fácil, por exemplo, um estudante fazer um curso de medicina em outro país, voltar para o Brasil e revalidar o diploma aqui dentro do país. O estudante precisa desembolsar um valor de, aproximadamente, R$ 60 mil, mas, depois disso, ele poderá certamente executar a prática médica”.

Fila de espera

Durante coletiva, o presidente do CFM também divulgou dados quanto à lista de espera do SUS, no Maranhão. São 1.800 pessoas esperando por diferentes procedimentos cirúrgicos. Carlos Vital reiterou que a motivação para a precariedade é a falta de verba com destino à saúde.
“Tudo depende do entendimento do que é prioritário. Como manter uma sociedade saudável, trabalhando, produzindo, aprendendo, se não há saúde? A verba é substancial, sim, mas ainda é pouco perto do necessário para termos saúde de qualidade”, revela.

Outros dados

Segundo números da CFM, o Maranhão é o 8º estado brasileiro com maior registro de perda de leitos. Em 2010, eram 13.086 leitos na rede pública do estado. Em 2015, o número diminuiu para 12.242, o que representa uma queda de 844 leitos. Na rede suplementar privada de saúde, os leitos no Maranhão alcançavam a média de 1.950 em 2010. Após levantamento feito em 2015, o número caiu para 1.664, resultando em uma variação negativa de 286 leitos.

Em São Luís, especificamente, o cenário é relativamente diferente. A capital teve um aumento de 6% em relação aos leitos existentes em 2010 e 2015 na rede pública de saúde. Eram 3.010 leitos em 2010. O número passou, timidamente, para a marca dos 3.197. Já na rede suplementar privada, São Luís apresentava 832 leitos em 2010, mas perdeu 75 leitos durante o quinquênio 2010-2015, quando passou a ter 757 leitos.

Por região, os dados da CFM dão conta que a região Nordeste é a segunda que mais perdeu leitos da rede pública de saúde no país. Em 2010, eram 101.158 leitos. O número caiu para 94.2010, queda que representou 6,8% na quantidade de leitos.

O Sudeste encabeça o ranking, com uma perda de 13.086 leitos. Centro-Oeste fica logo atrás dos estados nordestino, com uma queda de 1.825 leitos. A região Sul foi a segunda região que menos perdeu. De 2010 para 2015, foram 1.193 leitos perdidos. A região Norte perdeu apenas 513 leitos durante o período de 5 anos.,

Avanços

Desde 2015, o Maranhão vem aumentando progressivamente o número de leitos na rede pública estadual. Em três anos, a quantidade de leitos passou de 1.862 para 2.636, um salto de 42%, de acordo com o Datasus, do Ministério da Saúde.

Isso só foi possível por causa da abertura de grandes hospitais espalhados pelo Maranhão. Entre eles, são seis macrorregionais. Esse tipo de hospital oferece atendimento de alta complexidade – ou seja, consegue fazer tratamentos, serviços e cirurgias considerados difíceis. Antes de 2015, os maranhenses tinham que se deslocar para a capital a fim de conseguir atendimentos assim. Agora, a necessidade de viagens foi reduzida significativamente.

Esses seis hospitais macrorregionais atendem uma população de cerca de 140 cidades no estado. São mais de 500 leitos nessas unidades, que já fizeram milhões de atendimentos.
Os hospitais são o Regional de Balsas; o Tomás Martins, em Santa Inês; o Dr. Everaldo Ferreira Aragão, em Caxias; o Dra. Laura Vasconcelos, em Bacabal; o Drª Ruth Noleto, em Imperatriz; e o Dr. Jackson Lago, em Pinheiro.

“Expandir os serviços de saúde por todo o estado para garantir o acesso ao atendimento especializado perto da casa das pessoas. Este é o legado que estamos a construir para o povo do Maranhão ao longo desses anos. Superamos atrasos históricos para assegurar que vidas sejam salvas”, diz o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

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