COTIDIANO

Trabalho informal aparece como saída ao desemprego

O emprego sem carteira assinada superou o formal pela primeira vez em 2017. Foi a informalidade que ditou a recuperação do mercado de trabalho no ano passado, com uma contínua redução da taxa de desemprego

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“Todo dia ela faz tudo sempre igual”. O trecho da música Cotidiano, de Chico Buarque, se aplica a milhões de trabalhadores brasileiros. Se aplica também a Maria de Jesus Pereira, 49 anos. Moradora do São Cristóvão, Maria de Jesus acorda todos os dias às 4h30 da manhã. Prepara o café das crianças, adianta o almoço e sai para trabalhar. Precisa chegar cedo. De lá só sai às 14h. Mas não pense que o trabalho acabou. Depois da venda, ela tem que deixar tudo pronto para o dia seguinte. Maria de Jesus é verdureira há 5 anos. Antes trabalhou como auxiliar de serviços gerais em uma empresa de segurança. Demitida, passou ainda algum tempo tentando encontrar emprego. Não vendo saída, entrou na informalidade.

“Precisava botar comida em casa, já que sou separada e tenho dois filhos. Comecei a trabalhar na feira e é de lá que tiro nosso sustento. Dinheiro não cai do céu, né? Então, temos que trabalhar, embora não seja o melhor emprego do mundo”, diz a vendedora.

Ela ainda diz que várias de suas colegas trabalham como ela. “Emprego com carteira assinada está difícil, ainda mais agora com essa história de reforma, né? Patrão não quer mais nem empregar. O jeito é arrumar trabalho onde der”, admite.

O emprego sem carteira assinada superou o formal pela primeira vez em 2017. Foi a informalidade que ditou a recuperação do mercado de trabalho no ano passado, com uma contínua redução da taxa de desemprego.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnad Contínua), do IBGE, a taxa de desocupação foi de 11,8% no trimestre encerrado em dezembro e a média de 2017 fechou em 12,7%. Este contingente apresentou variação de -5%, ou seja, menos 650 mil pessoas, frente ao trimestre de julho a setembro de 2017, ocasião em que a desocupação foi estimada em 13 milhões de pessoas. No trimestre de outubro a dezembro de 2017, havia aproximadamente 12,3 milhões de pessoas desocupadas no Brasil. Na comparação com o mesmo trimestre de 2016 (12,0%), houve estabilidade. Já a taxa média anual passou de 11,5% em 2016 para 12,7% em 2017, a maior da série histórica da pesquisa.

A população desocupada (12,3 milhões) caiu 5% (menos 650 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior (13 milhões de pessoas). Em relação a igual trimestre de 2016, quando havia 12,3 milhões de pessoas desocupadas, houve estabilidade. De 2014 a 2017, a média anual de desocupados passou de 6,7 milhões para 13,2 milhões.

A informalidade deu o tom do comportamento do desemprego ao longo de 2017 superando o formal pela primeira vez. Enquanto o número de empregados com carteira de trabalho assinada ao fim de 2017 – 33 milhões – foi 2% menor do que um ano antes, o total de trabalhadores sem registro em carteira cresceu 5,7% no mesmo período. A categoria dos trabalhadores por conta própria somava 23,2 milhões de pessoas ao fim de 2017, crescimento de 4,8% em relação ao fim de 2016.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, o mercado de trabalho formal encolheu em 2017 pelo terceiro ano seguido, com o fechamento de 20.832 postos de trabalho com carteira assinada. Só de 2016 para 2017, o número de trabalhadores sem carteira de trabalho no setor privado cresceu 5,5%, o que representa 560 mil trabalhadores. Já o número de trabalhadores por conta própria cresceu 6,5% nos últimos três anos, ou 1,3 milhão de trabalhadores nesta categoria.

Por conta própria

A categoria dos trabalhadores por conta própria (23,2 milhões de pessoas) cresceu 1,3% na comparação com o trimestre julho-setembro (mais 288 mil pessoas), significando a adição de 288 mil pessoas neste contingente. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o indicador também apresentou elevação de (4,8%), representando um adicional estimado de 1,1 milhão de pessoas. Nas médias anuais, em 2012, o trabalho por conta própria envolvia cerca de 22,8% dos trabalhadores (20,4 milhões) e, em 2017, passou a representar 25,0% (22,7 milhões). A taxa de desocupação (de desempregados) também cresceu no Maranhão. Em 2012, o Estado estava incluído no grupo com taxa de 6 a 10% de desocupação, sendo que em 2016 o Maranhão faz parte do grupo com taxa de desocupação de 10 a 14%.

No contexto geral, mais de 60% dos trabalhadores maranhenses em 2016 trabalhavam em emprego informal, determinando uma onda de crescimento nesse segmento, que é o empregado sem carteira assinada e que trabalha por conta própria.

Caso de Francisco Serra, 32, que há pouco menos de 6 meses resolveu “se virar”. Era comerciário e agora vende lanches. “Acredito que seja só uma fase, porque bom mesmo é você ter uma certa estabilidade. Enquanto não aparece nada a gente vai trabalhando”, pensa.

No 3º trimestre do ano passado, o Maranhão ocupava o quarto lugar entre as maiores taxas combinadas de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e desocupação. À frente ficaram a Bahia (30,8%), o Piauí (27,7%) e Sergipe (25,2%). O Maranhão mostrou a taxa de 24,9%. As menores foram verificadas em Santa Catarina (8,9%), Mato Grosso (12,0%) e Rondônia (12,2%).
De 2012 para 2017, a população desocupada no Brasil cresceu 6,5 milhões, o que favoreceu o aumento no trabalho informal.

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