DICAS

Etiqueta corporativa faz a diferença na carreira profissional

O que pode e o que não pode ser usado no ambiente de trabalho? Como se comportar em um almoço ou jantar profissional? E qual a maneira mais adequada de falar e se expressar?

Foto: Reprodução

A expressão “a primeira impressão é a que fica” é inquestionável na vida profissional, no entanto, saber manter essa primeira impressão é mais importante ainda. Pensando nisso, fomos conversar com três especialistas em etiqueta corporativa para saber o que pode e o que não pode ser usado no ambiente de trabalho, como se comportar em um almoço ou jantar profissional e qual a maneira mais adequada de falar e se expressar. As regras podem variar bastante de acordo com o lugar e área de atuação, mas, independente de mais ou menos formal, todas as profissões requerem comportamentos básicos.

Professora do curso on-line de etiqueta empresarial, da Catho Online, Maria Elisabeth Farina Guirao defende que a forma de vestir-se no ambiente de trabalho é uma ferramenta do marketing pessoal que contribui decisivamente para a formação de uma imagem de profissionalismo e credibilidade. “O traje formal que mais transmite esses valores é o terno e gravata para os homens e terninhos e tailleurs para as mulheres. No entanto, dependendo da profissão, a pessoa pode vestir-se menos social e mais esporte, desde que seja de forma discreta, harmônica e que transmita seriedade.”

Primeiramente, os profissionais precisam entender que roupa de trabalho é completamente diferente da roupa do lazer, isso é o que afirma Licia Egger-Moellwald, consultora de imagem e etiqueta corporativa. Segundo a especialista, as empresas, mesmo as mais arrojadas, estão inseridas no mercado de trabalho e, na maioria dos casos, prestam serviço ou têm contato com outras companhias que eventualmente são mais tradicionais. “Uma forma de não errar é olhar para a sua empresa e perceber como o diretor e presidente se vestem e, dentro dessa linha, buscar um vestuário que esteja mais ou menos em acordo com o das pessoas que estão no nível hierárquico acima.”

Observar o código de comunicação da empresa, ou seja, como as pessoas se vestem, também é a dica da professora Margareth Bianchini, diretora da MBianchini Assessoria Empresarial. Para ela, perceber se o ambiente é mais informal ou formal, e se a gravata e o paletó são utilizados de segunda à sexta-feira dá parâmetros para o colaborador saber como deve se vestir. Mas, mesmo assim, a professora alerta: “independente deste código, ambiente de trabalho, como o próprio nome diz, é para se utilizar roupas de trabalho e não de passeio.”

Postura

A discrição e saber a hora certa de falar são fundamentais em qualquer empresa. A interação no ambiente de trabalho deve ser feita com reservas e respeito. Por isso, é importante não falar alto e não esquecer-se de cumprimentar as pessoas encontradas em seu dia a dia, além de olhar para os outros que compartilham o mesmo espaço que o seu, com consideração e entendendo que cada pessoa é uma e pensa diferente. Já o gesto serve para dar ênfase ao que está sendo dito. Quando a pessoa o usa de forma excessiva, ela está colocando ruído na sua comunicação e dispersando a atenção das pessoas.

“Na vida profissional, se sabe que as pessoas que são mais discretas no comportamento, têm mais sucesso, pois conseguem conduzir o foco da atenção pro que de fato elas querem, deixando de chamar a atenção sobre si, para chamar a atenção sobre o que de fato interessa. Pessoas que inflamam muito, falam muito alto e chamam muita atenção, em geral causam distúrbio no ambiente de trabalho e acabam não sendo chamadas pra coisas que são importantes. Tudo que é feito em excesso pode prejudicar o ambiente de trabalho”, conclui Licia Egger.

As grandes diferenças de ambientes de trabalho

Apesar de todas essas regras, as pessoas precisam ter em mente que, em qualquer ambiente de trabalho, a linguagem deve ser muito parecida, tanto nas roupas como no comportamento. “A etiqueta de hoje é associada à qualidade dos relacionamentos, à criação e à manutenção de uma imagem de profissionalismo compatível com a imagem que as próprias empresas buscam projetar junto a clientes, consumidores, parceiros e opinião pública. Alguns funcionários nem percebem que atrapalham ou prejudicam a imagem de uma companhia. A falta de etiqueta pode inviabilizar uma negociação”, explica Maria Elisabeth.
Para sintetizar, Margareth destaca: “o profissional precisa ser conhecido e reconhecido pelas suas boas ideias, solução de problemas (que toda empresa tem), inovações e descrição, e não porque a sua mãe faz salgadinhos e doces deliciosos e você leva na empresa para vender! Lembre-se em etiqueta corporativa, menos é mais!”.

Vestuário feminino

As mulheres têm uma possibilidade maior de errar do que os homens, já que possuem grande diversidade de vestuário. Para não errar, as especialistas concordam que as profissionais devem apostar nas calças clássicas, tailleur, vestidos lisos e discretos de tecido encorpado, saia (na altura dos joelhos) e blazer ou saia e blusa em cores diferentes. O cabelo, por sua vez, deve estar sempre bem encorpado e pintado.

Evite: saltos muito finos e altos; a sandália rasteirinha ou muito aberta; excesso de acessórios, muitas pulseiras, muitos anéis e brincos muito grandes; camiseta, quando estiver acima do peso, já que marca o sutiã e deixa a mostra as gordurinhas; decotes; transparências; microssaia; roupas muito justas; cintura baixa; calça de moletom e de ginástica; fendas, maquiagens muito pesadas; alças de sutiã a mostra; camiseta e vestido de um ombro só e tomara que caia.

Vestuário masculino

O homem deve mostrar, sempre, que está em dia com a higiene pessoal e dar preferência a tecidos que caiam bem e não amassem com facilidade. O ideal é que a roupa tenha, no final do dia, o mesmo aspecto que tinha pela manhã. A camisa deve ser social, com a manga um pouco dobrada, para ficar um ar mais jovial, e não pode ser muito aberta. Se o terno não for obrigatório, ele pode vestir um blazer sem gravata. Já o sapato deve ser mocassim, de couro, o cinto sempre combinando com o ele e as meias escuras, azul-marinho ou pretas, brancas jamais.

O cabelo deve estar sempre limpo, bem cortado e arrumado. Somente em determinadas profissões, são admitidas as calças jeans, mas, de modo geral, a calça correta é de alfaiataria ou sarja. As roupas devem estar sempre impecáveis: limpas, livres de manchas e bem passadas, com as bainhas firmes e todos os botões.
Evite: barba por fazer; bonés, chapéus, camiseta regata; tênis; gravatas chamativas; jeans rasgado, desfiado e desbotado; chinelos de dedos.

Jantar ou almoço profissional

Um jantar ou almoço de negócios exige grande atenção, pois, apesar do profissional sair da empresa, ele ainda está a representando. No entanto, para quem não quer errar, é só lembrar que a etiqueta básica em almoços retrata a educação de berço, ou seja, não fale ao comer, mastigue de boca fechada, evite o álcool e use os talheres, taças, louças na ordem correta.

Independentemente de quem convida, você ou o cliente, quem está pagando a conta é uma das empresas, por isso seja comedido nos pedidos;
Se for possível, peça um prato e uma sobremesa, não precisa pedir um prato, entrada e sobremesa;
Se forem tomar um vinho, escolha um que seja da América do Sul, já que por causa do Mercosul não pagamos impostos, além do que existem excelentes vinhos produzidos no nosso continente;
Quem convida deve ser pontual, pois traduz respeito;
Ao chegar ao restaurante, deve-se esperar o convidado no bar ou eventualmente na porta, já tendo reservado uma mesa;
Em hipótese nenhuma, o anfitrião deve ser encontrado tomando bebidas alcoólicas;
O pedido só pode começar a ser feito a partir do momento em que todos os convidados estiverem à mesa;
Deve-se acompanhar o convidado nos seus pedidos. Se ele não bebe, não devo beber, se bebe, devo beber só um pouquinho, para acompanhar; se for vegetariano, não devo pedir um churrasco;
Dê preferência à comida de leve digestão;
Escolha pratos fáceis de comer (evite, sobretudo, aqueles que produzem respingos, como massa ao sugo), para que você possa estar atento ao assunto tratado e não tenha de ficar concentrado no que está comendo e fazendo;
Ao sentar-se, não arraste a cadeira, apenas puxe-a com delicadeza e de uma só vez;
A postura sobre a cadeira não deve ser nem descuidada, nem exageradamente tensa e reta, o que é antinatural;
Mantenha os ombros relaxados e os braços próximos ao tronco. É deselegante inclinar o corpo sobre o prato para comer. A tarefa de levar o alimento à boca é executada pelas mãos e braços, não pelo tronco.

Casual day

Algumas empresas adotam o famoso casual day às sextas-feiras. No entanto, mesmo sendo um dia em que a formalidade é deixada um pouco de lado, é preciso tomar certos cuidados. Segundo Licia Egger, mesmo estando no ‘confusion day’ ou ‘desastre day’, as pessoas precisam entender que continuam no ambiente de trabalho, atuando como profissionais. “Mesmo que, eventualmente, ela vá viajar depois do expediente, enquanto estiver na empresa, ela está no ambiente de trabalho. A roupa de trabalho precisa, mesmo que arrojada, ser mais séria, já que a competência, flexibilidade, equilíbrio e segurança, são transmitidos por meio da forma como a pessoa se veste.”
Por isso, aposte nas calças jeans de cores escuras, sem detalhes, ou na calça social de sarja; sapatênis; e camisa esporte. E evite calças rasgadas e muito justas e tênis, tanto para as mulheres quanto para os homens.

VER COMENTÁRIOS
CONTINUAR LENDO
MOSTRAR MAIS