DIREITOS HUMANOS

Seminário de Visibilidade Trans em São Luís

A iniciativa do evento é da Associação Maranhense de Travestis e Transexuais (Amatra), em parceria com o governo do estado, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop)

Reprodução

Samantha Martins tem 21 anos, é estudante de enfermagem, trabalha como recepcionista e mora com a família. Desde sempre se sentiu, como ela mesmo diz: “O outro lado da moeda”, sentia que havia algo diferente. Sentia que era menina. Mas somente aos 17 anos resolveu se assumir para a família. “Tinha medo da rejeição da família, da sociedade, por isso esperei até os 17 anos. Mas, ao contrário do que pensei, não fui rejeitada pela família, tive apoio. O que não acontece com outras meninas que, quando chegam na fase de assumirem, são expulsas de casa e obrigadas a viver na marginalidade. Então, eu fui bem abençoada nessa questão”, conta Samantha, que está na Justiça com processo de retificação de nome.

A estudante fará a abertura do segundo dia do Seminário de Visibilidade Trans, explicando a trajetória do processo de transexualidade na história, relatos de sua experiência pessoal, destacando nomes e personalidades trans que hoje ocupam a pauta na mídia.

A iniciativa do evento é da Associação Maranhense de Travestis e Transexuais (Amatra), em parceria com o governo do estado, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop). O seminário será realizado amanhã, das 8h às 12h, e na segunda-feira (29), das 8h às 18h, no Convento das Mercês, Centro de Cultura Negra do Maranhão e Hospital Materno Infantil.

O foco é garantir direitos e acesso a políticas públicas para pessoas trans (que nascem em um corpo biologicamente diferente do gênero com o qual se identificam). A programação será dividida em dois dias para debater as conquistas alcançadas e os desafios que norteiam as políticas públicas para as pessoas trans no que diz respeito à saúde, educação, segurança pública, entre outros temas.

“A intenção do seminário é justamente tentar mudar a intolerância, discriminação e o pouco conhecimento, sobre a população de travestis, mulheres transexuais e homens trans. Neste seminário, sentamos com o poder público para pautar políticas públicas para esta população. E precisa ser mudada muita coisa, principalmente o não entendimento da identidade de gênero das pessoas trans, que acaba gerando preconceito e discriminação”, diz a presidente da Associação Maranhense de Travestis e Transexuais (Amatra), Andressa Sheron Santana Dutra.

Andressa relata que o pior dos obstáculos a ser enfrentado pela população trans ainda é o preconceito. A violência também, em todo o Brasil, tem dados que assustam. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil é o país que mais mata travestis, mulheres transexuais e homens trans. Em 2017, foram 200 assassinatos no Brasil. E no Maranhão, segundo mapeamento da Amatra, só em 2017 foram seis assassinatos registrados oficialmente.

“Lembrando que pode passar desse número, pois estes dados são os que são divulgados. As pessoas trans no Maranhão têm ainda uma realidade muito dura de estigma, preconceito e repulsa, sobre suas vivências… Infelizmente, apesar dos avanços não só no Maranhão, mas no Brasil, ainda há muito desconhecimento do assunto e a falta de interesse mesmo de falar sobre. O que temos que superar de fato é o preconceito e a violência em si contra esta população. Nosso maior desafio é de fato garantir a dignidade plena desta população”, afirma Andressa.

O Seminário de Visibilidade Trans acontece nos dias 28 e 29 no Convento Das Mercês, Centro de Cultura Negra do Maranhão e Hospital Materno Infantil. Todo o evento é gratuito e está com inscrições abertas por meio de link disponível no site da Sedihpop. Os participantes receberão certificado de participação de 4 horas.

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