PÉROLA DO CARNAVAL

Como surgiu a Dança do Jeguerê, um dos hinos do Carnaval do Maranhão

O Carnaval de São Luís tem, em seu repertório, diversas pérolas que fazem a alegria do povo. Confira a história por traz da Dança do Jeguerê, do Jegue Folia!

Se você é ludovicense nativo ou de coração, frequenta o Carnaval da ilha mas nunca fez a coreografia da Dança do Jeguerê, algo está errado. É praticamente impossível manter-se parado ao ouvir o convite feito pela marchinha, que desde 1999 dita o tom das festas carnavalescas: “Vem pro meu bloco aprender a dançar o Jeguerê”.

“Abre as pernas, com a mão esquerda
segura o cotovelo, descendo até o joelho
Levante a tromba, abaixe a tromba
esse meu jegue é de arromba”

A composição de Raimundo Costa, criador do bloco Jegue Folia, um dos mais tradicionais e queridos de São Luís. Ele conta que ao final dos anos 1980, o Carnaval de rua em São Luís sofreu uma queda. “Um dia nós fomos pra Madre Deus, isso já no início da década de 1990. Chegando na Madre Deus, não tinha nada. Nos disseram que o Carnaval tava acontecendo era na Litorânea”, relembra Raimundo. “Quando chegamos lá, dois trios detonando axé baiano, a galera jovem lá sem camisa, rodando camisa por cima da cabeça, pulando debaixo de chuva. Aí eu vi que o carnaval tava tomando outro rumo”, explica.

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Foi aí que surgiu a ideia de criar o bloco Jegue Folia, uma forma de sátira ao então novo modo de curtir a folia.  “Nós fizemos uma carroça, estilo como se fosse um trio elétrico, puxado por um jegue. Contratamos a bandinha de sopro e percussão e fomos pra rua tocando marchinha, frevo, samba, e claro, o axé também, que nós não somos xenófobos”, conta o criador do bloco.

Sobre a Dança do Jeguerê, Raimundo explica que tudo começou após assistir, com um amigo, o cantor Cid Guerreiro cantando uma música de carnaval no programa da Xuxa. “Tu aí, tu tá criticando a música de Guerreiro. Tu faz uma melhor?”, indagou o colega. De fato, Raimundo fez. “Tinha uns jovens brincando no Jegue, e eles vinham fazendo uma coreografia com o braço, imitando como se fosse uma tromba. Aí eu fui pensando na coreografia, escrevendo a letra. Quando eu terminei, eu imaginei a melodia, e pegamos os instrumentos, fizemos uma batucada e começamos a tocar. Quando a gente cantou, eu me arrepiei todo. Eu já senti que aquilo ali tinha futuro”, relembra o compositor.

E você, já aprendeu a dançar o Jeguerê?

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