ESTADUAIS

As difíceis eleições de 2018

Com dinheiro público contado e minutos disputados na TV, o pleito de 2018 não será fácil para os candidatos ao palácio

Palácio dos Leões. (Foto: Reprodução)

Quem pensa que a disputa do governo do Maranhão em outubro terá as mesmas características das de 2014, o melhor que faz é cair na real. Procurar se atualizar sobre aquela realidade política e a de hoje. Vai entender que os dois pleitos, com os mesmos protagonistas, apesar de separados por apenas quatro anos, estão, agora, longe na concepção eleitoral, de domínio do poder, de composição partidária, de campanha e seus financiadores e até dos agiotas pontuais.

Começar pelo dono do poder. Em 2014, eram o PMDB e Roseana Sarney dando as cartas no Palácio dos Leões e na maioria dos municípios, com toda a estrutura de força política agindo a favor. Em 2018, quem dá as ordem no Palácio dos Leões é Flávio Dino, que faz uma gestão governamental com alta aprovação e montou um governo que está chegando ao fim sem escândalos de corrupção. De quebra, tem hoje a maioria dos partidos com lastro eleitoral e tempo de TV, inclusive, vários que estavam com Roseana, ou Lobão Filho, na eleição passada. Portanto, o terreno da luta é outro e as armas trocaram de mãos e se modernizaram.

A campanha eleitoral será mais curta, com apenas 45 dias, com horário eleitoral igualmente menor, e a dinheirama empresarial que regou o cofre dos comitês coligados também sumiu, com a reforma política. O dinheiro público do Fundo Especial de Financiamento de Campanha será contadinho, dentro do limite legal. Será dividido pela Justiça Eleitoral e depositado em conta no Banco do Brasil aos comitês de campanha. O caixa 2 terá morte por asfixia e quem tentar revigorá-lo correrá o risco de se dar mal. Agiotagem em campanha virou uma encrenca criminosa, de elevado grau de fiscalização e punição.

Como se pode ver, o embate não será fácil. Principalmente para quem era governo no pleito passado e agora é oposição. Roseana Sarney está fora de mandato e o pai, José Sarney, pela primeira vez, desde 1965, vai passar uma eleição geral longe de qualquer mandato. Há quem aposte numa terceira via, que seria o senador Roberto Rocha (PSDB) ou até o deputado Eduardo Braide (PMN), este na condição de ser “o novo”. Mas cadê a bagagem para um pleito estadual em 217 municípios, só com a cara e a coragem? Eleição de governador não é eleição municipal. Portanto, há espaço para qualquer candidato crescer, porém, dentro das pré-condições estabelecidas para 2018, que não são fáceis.

VER COMENTÁRIOS
MOSTRAR MAIS