SAGA PSDB E PCDOB

João Dória dispara: aliança entre PSDB e PCdoB é “inconciliável”

Prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), participa de palestra a empresários e defende o fim da aliança entre PSDB e PCdoB para as eleições de 2018

PSDB e PCdoB juntos no mesmo palanque é algo “inconciliável”. Foi desta forma que o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), classificou uma possível continuidade da aliança do seu partido com os comunistas no Maranhão. Convidado para palestrar em um evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), Dória acabou falando sobre a situação do Diretório Estadual, que recentemente foi dissolvido devido à disputa interna entre o vice-governador Carlos Brandão e o senador Roberto Rocha.

A declaração de João Dória sinaliza a maneira como parte do PSDB Nacional pensa em relação à crise que assola a legenda no Maranhão. E, neste cenário, o senador Roberto Rocha se fortalece para assumir o comando estadual. Rocha, inclusive, prestigiou a palestra de Dória e, logo em seguida, recepcionou o prefeito de São Paulo em seu gabinete.

Dória deixou claro que não concorda com a continuidade da aliança entre tucanos e comunistas, como aconteceu em 2014. A melhor solução para o PSDB seria o distanciamento da base do Governo Dino, o que afetaria diretamente a situação de Carlos Brandão, hoje vice-governador. “A meu ver, o PSDB deve estar distante de qualquer movimento de extrema esquerda, seja do PCdoB, do PCB, do PSOL, da Rede e do PT. Eles têm a sua proposta para o Brasil. Não é a mesma proposta do PSDB. Portanto, não há como conciliar o que é inconciliável”, disse o prefeito a O Imparcial.

Dória aproveitou a vinda a São Luís para negar seu interesse em concorrer à Presidência da República no ano que vem. “Não sou pré-candidato à Presidência da República. Já coloquei isso de maneira clara e volto a reafirmar aqui”, disse.

Palestra

Em sua palestra “Gestão para Resultados”, destinada ao empresariado maranhense, João Dória destacou a importância da atuação do setor privado para fortalecer a gestão do país. Segundo o prefeito, é necessário que o setor produtivo e o governo estejam unidos aos interesses da população.

Ele avaliou, ainda, a participação do empresariado para o desenvolvimento do estado. “Muito importante porque mostra o interesse da atividade produtiva (comércio, serviços e área industrial) com o desenvolvimento do estado. O Maranhão não pode ser uma região isolada do país, deve estar integrado. Percebi muito essa intenção do setor produtivo de fazer cada vez mais com que o Maranhão esteja integrado ao país que produz e ao país que quer crescer”.

Seis perguntas para João Dória

O IMPARCIAL – Como o senhor analisa a situação do PSDB maranhense, que hoje está sem diretório estadual?

JOÃO DÓRIA – Eu terei uma conversa com o senador Roberto Rocha. Tenho certeza de que isso vai materializar muito em breve para que, a partir do início do próximo ano, a Executiva Estadual do PSDB possa estar composta, constituída e também pacificada, para que tenhamos aqui um projeto aglutinador para o futuro do Maranhão porque, no ano que vem, também teremos eleições estaduais. Não é apenas eleição federal.

Roberto Rocha seria o melhor nome para assumir o PSDB do Maranhão?

O meu candidato será o candidato que o PSDB escolher aqui. Não cabe a mim fazer o juízo da política local, regional, e sim aqueles que militam aqui. Aqueles que forem eleitos aqui e forem os indicados terão o nosso apoio.

A crise no PSDB maranhense muito se deu pela aliança com o PCdoB, do governador Flávio Dino. O senhor acredita que nas próximas eleições é possível o PSDB continuar apoiando a base do PCdoB?

Eu me permito aqui, embora não devesse, fazer uma colocação. A meu ver, o PSDB deve estar distante de qualquer movimento de extrema esquerda, seja do PCdoB, do PCB, do PSOL, da Rede e do PT. Eles têm a sua proposta para o Brasil. Não é a mesma proposta do PSDB. Portanto, não há como conciliar o que é inconciliável.

Nessa sua vinda a São Luís, o senhor teve um encontro com a ex-governadora Roseana Sarney. Como foi essa conversa?

Foi uma conversa de amigos. Eu conheço a governadora de muitos anos. Tenho uma boa relação com ela. Fiz parte do governo Sarney, fui presidente da Embratur. Foi uma visita de cortesia entre bons amigos. Tive o prazer de reencontrá-la.

Qual avaliação o senhor faz do governo Temer?

É um governo comprometido com o crescimento. Minha avaliação é que o governo vem conduzindo muito bem a política econômica. Eu não tenho nenhum problema de falar a verdade. O governo faz uma política fiscal correta, controle do orçamento, acredita e apostou nas reformas, conseguiu uma conquista histórica do Brasil, que foi a reforma trabalhista. Insiste, a meu ver, corretamente na reforma previdenciária e, no primeiro trimestre do ano que vem, deverá insistir, sim, na reforma tributária. Então, está contribuindo, sim, para que tenhamos estabilidade econômica. Vamos terminar o ano com os índices muito positivos e poderemos ter esses índices ainda em crescimento se o Congresso Nacional tiver juízo e votar a reforma previdenciária como ela está se apresentando agora. Acredito no Congresso, acredito no Brasil, acredito no futuro do país.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que o PSDB não integra mais a base do governo. Qual sua opinião?

Poderá até sair da base, mas não do apoio às medidas necessárias para a transformação do Brasil. Mais importante do que apoiar o governo Temer é apoiar o Brasil, é apoiar as reformas, estar presente no Congresso Nacional, de maneira altiva, de maneira competente, defendendo o interesse nacional. A meu ver, isso já foi feito na reforma trabalhista. Os congressistas, na Câmara e no Senado, deram uma boa demonstração ao fazer uma votação histórica. Ninguém poderia imaginar que, depois de 50 anos, pudéssemos ter uma reforma trabalhista. Agora, temos que acreditar e confiar que podemos ter a reforma previdenciária e, na sequência, a reforma tributária. Isso já representará um legado importante para o Brasil.

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