VISÕES SOBRE 2017

Especialistas realizam balanço do ano de 2017

Especialistas e personalidades de diversos setores recontam o que de mais importante ocorreu em 2017 na política, esporte, cultura, segurança pública e economia

Reprodução

Fazer uma retrospectiva é um trabalho árduo já que, possivelmente, muita coisa importante é deixada de lado por opção do repórter ou do editor. Por isso, O Imparcial tentou fazer uma opção diferente. Cinco jornalistas ouviram personalidades de cinco áreas diferentes para recriar o que de melhor ocorreu em 2017.

O passeio começa com a análise política nos âmbitos estaduais e nacional, passando pelo panorama das eleições de 2018 e a disputa interna por um lugar ao lado do poder. O segundo passo foi dado em direção ao esporte que, entre vitórias e derrotas, rendeu uma série de momentos marcantes para o Maranhão.

No terceiro ato, a Cultura aparece como protagonista, revelando a importância do crescimento das políticas públicas para o desenvolvimento cultural de nosso povo. No quarto tema, a Segurança foi tratada como prioridade tanto pelas personalidades como pelo cidadão maranhense, que se sente acuado por muitas vezes, mas segue em busca de uma luz no fim do túnel.

E, por fim, o setor econômico. A grande dor de cabeça da população e dos governantes é recontada pelos especialistas, demonstrando uma esperança com um futuro melhor e alternativas para o país (e o Estado) seguir rumo ao crescimento.

Política

O ano de 2017, no âmbito político, trouxe consolidações tanto no Maranhão quanto no Brasil. A ida do senador Roberto Rocha para o PSDB e seu posicionamento fixado como oposição ao governador Flávio Dino foram o grande destaque. Por outro lado, Dino demonstrou mais força que o esperado e não permitiu a formação de um bloco oposicionista mais sólido.
Além disso, a indefinição sobre os candidatos ao Senado, tanto pelos lados do Palácio dos Leões quanto do bloco Sarney, foi tema de debate com um esboço final aparecendo apenas no derradeiro trecho do ano.

Hesaú Rômulo

“A dissociação do PT com PMDB no Estado – uma aliança que foi decisiva na última gestão de Roseana – e todas as consequências políticas decorrentes disto. O PT se aproxima do PCdoB numa aliança para 2018, o que nos remete a algumas questões de base governista: qual espaço do partido num eventual segundo mandato de Flávio Dino?

“Falando em base aliada, 2017 marcou a oficialização do senador Roberto Rocha como oposição ao governo do Estado. Um caminho bastante natural em virtude das últimas ações. Roberto Rocha volta ao PSDB e faz pensar como se comportará o partido – que apoiou o PCdoB em 2014 – num cenário de disputa eleitoral.

“O ano marcou a capacidade do governo estadual em alinhar as novas prefeituras do interior – sob a nova legenda do PCdoB – no projeto de governo que tentará ser reeleito. O desafio da gestão em articular interesses vai se intensificar, não por habilidade da oposição a FD, mas pela própria dinâmica sobre a qual as administrações municipais estão habituadas no Estado.

“Roseana Sarney anuncia que vai disputar a eleição para o governo do Estado no próximo ano, o que significa a retomada do projeto do grupo Sarney ou a derrocada efetiva e sintomática do clã – em termos de eleitorado e reputação.”

Ananda Marques

“A oposição pública ao governo Flávio Dino não cresceu como se esperava. A eleição de 2016 deu notoriedade ao deputado estadual Eduardo Braide, porém, a atuação do mesmo na Assembleia Legislativa segue um esforço sem fôlego. Braide tenta apresentar uma oposição qualificada, mas acaba sendo usado pela bancada sarneísta, e associado ao grupo. Não há uma atuação legislativa coordenada e coerente. Tivemos episódios que beiram ao ridículo de deputados e deputadas perdendo as estribeiras insultando o governador ao invés de cumprir seu papel político. É um cenário tragicômico.

“O modelo de gestão do governo conseguiu estabilidade, hoje temos uma assinatura do governo Flávio Dino. A pergunta a ser feita é: será possível manter um estilo de gestão diante da disputa eleitoral e da ameaça fantasma dos Sarney?

“A atuação dos deputados federais maranhenses nas votações do impeachment em 2016, das denúncias contra Temer em 2017. A relação entre legislativo e eleitorado fica enfraquecida, principalmente se a campanha de 2018 relembrar à população quem votou a favor do governo Temer.

Na esfera nacional fica claro que 2017 foi favorável à sobrevivência de uma elite política e econômica. Já no Maranhão temos um movimento diferente, de fortalecimento dos direitos humanos e da cidadania, claros avanços sociais e sobrevivência econômica em um contexto de crise.”

Elthon Aragão

“Em ano entre eleições, 2017, a meu ver, foi marcado, de uma forma mais ampla, pela reconfiguração de forças políticas, além de consolidação de políticas públicas desenvolvidas pelo governo estadual.

“Sobre o primeiro ponto, após as disputas para o executivo municipal em 2016, realinhamentos foram feitos visando as eleições de 2018. Essa prática é comum no Brasil, dado o compromisso firmado entre o legislativo (deputados e senadores) e os prefeitos, visando manter as alianças. Porém, no Maranhão, a disputa pelo senado e pelos postos de vice-governador nas composições das chapas majoritárias ainda estão sendo trabalhados.

“A saída do senador Roberto Rocha do PSB para o PSDB mexeu com o jogo, uma vez que o vice, Carlos Brandão, anunciou sua saída do partido tucano. O momento atual é de muita especulação sobre o cargo de vice, para ambos os pleiteantes. Já sobre o senado, tanto a situação como a oposição trabalham para viabilizar nomes. Com relação aos governistas, o nome de Weverton Rocha foi lançado, faltando uma vaga “oficial”. Entre a oposição, Sarney Filho tende a ser o principal nome, porém, outros são ventilados, como Eduardo Braide e Roseana Sarney. Esta, por sua vez, anunciou pré-candidatura ao governo estadual, o que mudará radicalmente a disputa, tendendo a mesma a ser bem mais acirrada do que foi contra Edison Lobão Filho. Sobre a ex-governadora, um destaque: a estratégia da família Sarney para os próximos pleitos. Ao lançar candidatura, podemos ler tal movimento como uma força de manutenção do nome da família em voga. Seu irmão, candidato ao Senado e seu sobrinho, Adriano Sarney, hoje deputado estadual, podem contar com o “sacrifício” de Roseana que, mesmo que perca a disputa, não tem tanto a perder, porém, pode deixar o caminho preparado para eleições futuras.

“Por outro lado, em 2017, o governador Flávio Dino trabalhou algumas políticas públicas no interior do Maranhão, que, consolidadas, gerarão, inevitavelmente, melhorias sociais para o estado, como também dividendos políticos. Dentre os programas, cito o Mais Asfalto, Escola Digna e Força Estadual de Saúde. É importante destacar que todos os mesmos são fundamentais para o desenvolvimento do Maranhão, o que será constatado em pesquisas futuras (as atuais ainda são fortemente baseadas em dados relativamente antigos), porém, como acontece em países periféricos, as relações entre obras públicas e alianças entre gestores (principalmente reforço de laços entre governadores e prefeitos) é um traço de nossa política.”

Esporte

E a retrospectiva continua, agora na área de Esportes. Foi um ano de conquistas e vitórias para o Maranhão. Títulos importantes foram alcançados por atletas nas mais diversas modalidades. No entanto, 2017 também trouxe uma onda de infortúnio e incertezas.

Antônio Américo 

“No Maranhão, o futebol evoluiu, apesar da crise financeira pela qual passamos. Acredito que terminamos o ano com o saldo positivo em vários âmbitos esportivos e no futebol não foi diferente.

“Os dirigentes devem centrar e direcionar suas energias na formação de um elenco competitivo e buscar recursos para fazer face às despesas que são muitas.

“Com o Sampaio subindo para a Série B do Campeonato Brasileiro, temos muitos motivos para comemorar. Essa conquista é uma conquista de todos os maranhenses e fico feliz que nosso futebol esteja evoluindo. Além da ascensão do Sampaio, temos que destacar o vice-campeonato do Cordino e a melhora da FMF no Ranking Nacional de Federações. Passamos do 16º para o 15º lugar.”

Nilson Sadia 

“Também cabe destacar as conquistas do handebol maranhense. Em entrevista a O Imparcial, o presidente da Federação Maranhense de Handebol, Nilson Sadia, apontou o desempenho das equipes maranhenses de handebol como extremamente satisfatórias.

“Tivemos atletas que foram selecionados para compor a seleção brasileira de base. A equipe masculina universitária da UFMA sagrou-se campeã da Seletiva Norte que franqueava participação na fase Nacional. A equipe ficou com o quinto lugar. O Maranhão foi vice campeão (masculino) e terceiro colocado (feminino) na Copa Nordeste de seleções realizada em Alagoas, tendo atletas eleitos como melhores no campeonato.”

Iziane Castro

O Imparcial também conversou com a ex-atleta e atual diretora-técnica do Sampaio Basquete, Iziane Castro. A jogadora, que agora sente a responsabilidade de estar do lado de “lá” das quadras, comenta sobre a importância de se valorizar o incentivo ao esporte desde a escola, que foi onde ela descobriu o próprio talento.

“Acho que incentivar o esporte escolar ainda é o principal fator que precisa de atenção. O esporte começa na escola, portanto a infraestrutura deve dar esse alicerce para o futuro atleta. Mas, entendo que, além do incentivo na escola, o incentivo também deve chegar nas equipes de base de todas as modalidades, para que essas crianças que aprendem a importância do esporte na escola, possam também ver uma perspectiva com a profissionalização”, reconhece.

Alexandre Nina 

Alexandre Nina, treinador de vários nomes da natação maranhense, também fala sobre as falhas de incentivo do esporte na escola. Segundo ele, o ideal é fomentar o esporte na escola, mas manter investimentos para formar atletas de alto rendimento no estado.

“Talento não falta. Aqui no Maranhão, nós temos muitos. O grande problema do Maranhão é que o nosso esporte ainda é um esporte escolar. Quando encontramos resultados expressivos, eles são provenientes do âmbito de escola e isso não dá uma sobrevida muito grande ao atleta. Muitas vezes esses talentos encontrados na escola não são aproveitados e acabam por ir embora do estado.

“Esse ano foi muito significativo para a natação. Nós tivemos o Enzo Rayol, campeão mundial de Natação. Disputou o Mundial Escolar na Itália e conseguiu se tornar campeão do mundo, o que por si só, já é um título muito expressivo.

“Além dele, a Júlia [Nina] foi tricampeã do Circuito Nacional de Maratonas Aquáticas que teve sete etapas em que ela venceu todas. Além disso, muitas outras competições que movimentaram o cenário da Natação no Maranhão trouxeram bons resultados para o estado. Foi um bom ano.”

Cultura

Como foi o ano de 2017 para a cultura do estado? Conversamos com algumas pessoas, que fazem e vivem a cultura do nosso estado, sobre o que de mais relevante aconteceu na área, o que faltou e o que poderia ter sido melhor. As respostas foram as mais variadas, com uma unanimidade: o pedido para que em 2018 as políticas públicas saiam do papel e passem a efetivamente serem praticadas. Confira os depoimentos do ator César Boaes, do espetáculo Pão com Ovo; do presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar; do produtor e agente cultural, Júlio César da Hora; e do produtor cultural, jornalista e blogueiro Zema Ribeiro.

César Boaes

“Eu acho que aconteceram muitas coisas importantes, como a reabertura de espaços culturais, a exemplo do Teatro Artur Azevedo, a Concha Acústica; a utilização de outros, como a Feirinha da Praça Benedito Leite, o Natal no Palácio, que conseguiram levar pessoas para ocupar esses espaços, além dos projetos que já existiam como iniciativas independentes, a exemplo do Sebo no Chão (Cohatrac), o Poesia na Praça. Gosto dos festivais que têm tido continuidade e que fortalecem o calendário da cidade, como o BR-135, o Lençóis Jazz e Blues.

“Sinto muito falta de teatros nos bairros de São Luís. Temos 4 e todos estão no Centro. O Artur Azevedo ficou fechado por muito tempo e isso foi muito prejudicial para a cidade. Agora, poderia ter acontecido a volta do Circo da Cidade, da escultura da Mãe d’Água.

“A lei de incentivo municipal também poderia ter sido aplicada, só temos a do Estado. Acho que houve falta de políticas públicas para editais, para que artistas possam concorrer também a editais de circulação, de montagens de espetáculos, de publicação de livros, que são extremamente importantes para a política pública cultural. Os eventos são importantes, mas a gente não pode ter essa política geral somente para isso. Precisamos de um plano de cultural que seja realmente efetivado.

“E para finalizar, foi um ano de muita produção para o Pão com Ovo, com temporadas no Rio de Janeiro, São Paulo… estreamos Pãozinho com Ovo, passamos o ano inteiro praticamente em cartaz com projeto de circulação no Maranhão, enfim, foi um ano de muito trabalho, graças a Deus.”

Benedito Bazar

“Acho que não foi um ano ruim, mas também não foi alvissareiro. Tiveram aqueles eventos que são comuns, rotineiros, do calendário da cidade, e que foram cumpridos com algum esforço, por problemas de recursos.

“O que a gente lamenta apenas é que Secretaria de Cultura do Estado poderia ter cumprido mais efetivamente com a sua parte. Porque algumas partes dos recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura estão sendo canalizados para outras finalidades, como festas de carnaval e São João, quando deveriam ter sido voltados para outras atividades culturais, mas de qualquer modo, tem funcionado, embora a gente gostaria ache que outros projetos também precisam ser contemplados e foram até certo ponto prejudicados por esse motivo.

“A Academia, por sua vez, cumpriu o seu papel. Ela saiu do seu castelo, abrimos as portas para a juventude, fomos aos colégios e depois trouxemos os alunos para a Academia. Fizemos eventos interessantes. A academia lançou 24 livros, 12 edições novas e 12 reedições. Gostaria de ressaltar que o forte foi a criação da Amei (Associação Maranhense dos Escritores Independentes), esse espaço cultural que se dedicou exclusivamente a promover o autor maranhense e isso foi de grande valia para os intelectuais. Nunca se vendeu tanto livro de autor maranhense como neste ano. O povo maranhense pode descobrir o quanto é boa a produção literária maranhense.”

Zema Ribeiro

“Prefiro apontar apenas destaques, porque a cultura por si só já é tão golpeada, que nas atuais circunstâncias merece ser valorizada toda iniciativa neste campo, com ou sem patrocínio, com leis de incentivo ou às próprias custas s/a, desde que nutrida de verdade e amor.

“Os destaques do ano são as produções gratuitas que ocuparam logradouros públicos, como o Festival BR 135, que, na contramão da crise nacional, dobrou sua duração, o RicoChoro ComVida na Praça, o Bloco do Baleiro no carnaval, o Festival Elas, o Lençóis Jazz e Blues Festival, entre outros, realizados com recursos garantidos através das Leis de Incentivo, além da Aldeia Sesc Guajajara de Artes e a Quinta do Reggae, na Praia Grande.

“Entre os lançamentos musicais, os discos de Chico Saldanha (Plano B), Claudio Lima (Rosa dos Ventos) e Pão Geral – Tributo a Tribuzi, reunindo vários artistas sob produção do incansável Celso Borges, que ainda presenteou a cidade com o livro São Luís em palavras, também reunindo vários nomes. Outro livro que merece celebração é O risco do berro: Torquato neto Morte e loucura, de Isis Rost. No cinema eu não poderia deixar de destacar Manuel Bernardino: o Lenin da Matta, da cineasta Rose Panet, que traz à luz um personagem pouco conhecido e bastante atual e, sob a égide do golpe, ainda conseguiu ser exibido em algumas tevês públicas e festivais, recebendo menção honrosa em Mumbai, na Índia. No teatro, o musical João do Vale – O gênio improvável foi um fecho com chave de ouro.”

Segurança

O ano de 2017 teve a segurança em evidência. Ficará marcado na lembrança a resolução de casos que chocaram a sociedade, além do sentimento que nunca esteve tão difundido entre as pessoas, o desejo de paz. Para quem está à frente dos setores de segurança, responsável pela paz e pela ordem de toda uma população, há de se destacar o intenso trabalho que o ano que passou trouxe.

Tiago Bardal 

À frente de um dos setores mais importantes da Polícia Civil, a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), Tiago Bardal lembra que 2017 teve um saldo positivo para a resolução de crimes e principalmente de respostas rápidas para a sociedade. “2017 foi um ano muito importante para a Polícia Civil. Ela teve destaque em investigações e várias frentes de trabalho. Tivemos um combate efetivo ao crime organizado, reduções de assalto a banco na faixa de 71%, fato inédito na história do estado. Tivemos recorde também em apreensões, com mais de oito toneladas de entorpecentes apreendidos, recorde no estado”.

O delegado lembra que em um ano onde as facções criminosas foram responsáveis por causar medo à população, a atuação da polícia foi importante para combater esses crimes. “Nós tivemos dezenas de integrantes de facções criminosas presos, além de quadrilhas de roubos a carga, combate efetivo a agiotagem, a corrupção, ao desvio de verba pública, ou seja, vários crimes que fazem mal a sociedade”.

Com relação a crimes de chocaram a sociedade, Tiago Bardal lembra a importância da resolução dos casos e destaca trabalhos em conjunto com outras forças de segurança. “Tivemos casos de homicídio emblemáticos onde a polícia civil em questão de horas conseguiu dar resultado a sociedade, com a descoberta da autoria e materialidade. Vários trabalhos integrados com a Polícia Militar, também foram de suma importância em 2017, e uma Polícia Civil forte com certeza vai contribuir muito com o crime organizado em 2018”.

Como expectativa para o ano que se inicia, Bardal espera que com o aumento do efetivo e mais investimentos para o trabalho da polícia, a segurança do estado cresça ainda mais. “A Polícia Civil se destacou com êxito em várias frentes de trabalho. O que nós estávamos precisando era o aumento do efetivo porque nós temos um estado com 217 municípios, uma faixa territorial muito grande, e acho que o pior efetivo do Brasil. E agora nós tivemos a felicidade de o governador autorizar o concurso e, com isso, nós esperamos que com o aumento desse efetivo e investimentos na Polícia Civil, continuaremos em 2018 com uma polícia forte, eficiente e imparcial”.

Kazumi Tanaka 

Em um ano onde a violência contra as mulheres registrou episódios lamentáveis e que geraram grande revolta popular, as delegadas que atuam diariamente para combater esse tipo de crime foram essenciais para trazer respostas à sociedade. A coordenadora das delegacias da Mulher do Estado, Kazumi Tanaka, lembra que 2017 foi de avanços nas políticas públicas de enfrentamento à violência contra mulher.

“Um dos primeiros pontos a destacar neste ano foi a criação da coordenadoria das delegacias da Mulher, que foi um grande avanço por ser uma diretriz nacional e proporcionar um organismo conduzido para políticas públicas especializadas para atendimento à mulher em situação de violência, trazendo mais qualidade no atendimento da mulher maranhense”, destaca a delegada.

O atendimento diferenciado para mulheres foi observado com dedicação e, segundo Kazumi, orientou a criação de organismos de valorização do atendimento às mulheres. “A criação do departamento de feminicídio foi um grande avanço e uma construção feita em parceria com a ONU mulheres. O departamento é responsável por investigar todos os feminicídios tentados e consumados na região metropolitana de São Luís e também acompanha os casos acontecidos no interior do estado. Isso é uma forma de avaliar e controlar os casos de feminicídio no estado para, a partir daí, elaborar estratégias de enfrentamento a este tipo de prática”.

A visibilidade maior para casos de violência contra mulheres teve atenção em diversos espaços. A delegada recorda que isso reflete a ampliação da segurança da mulher maranhense. “O sistema de segurança pública teve neste ano ações efetivas como o inicio das atividades da Patrulha Maria da Penha, um avanço significativo no acompanhamento das mulheres que requereram Medida Protetiva de Urgência, e assim o Estado pode proporcionar mais proximidade na rotina das mulheres que estão em situação de vulnerabilidade, por conta da violência sofrida”.

Kazumi Tanaka lembra que o atendimento contínuo dedicado às mulheres foi uma das ações mais relevantes de 2017. “O funcionamento da delegacia da mulher, no espaço da Casa da Mulher Brasileira, com o plantão 24 horas foi um avanço significativo neste ano. Nós sabemos através de estatísticas criminais que a mulher sofre mais violência de gênero a noite e fins de semana. Então, era uma dívida que o Estado tinha para com a mulher e precisava de um atendimento continuou para não expor a mulher em plantões centrais com diversas ocorrências. Criar este espaço é estimular a mulher a procurar a delegacia no momento em que a situação ocorre, dispondo de uma equipe completa para atendê-la”.

Economia

2017 foi um ano em que o Brasil, diante de muitos desafios, enfrentou uma crise econômica fortemente influenciada pela crise política. Entre a busca pela estabilidade, o país passou por vários escândalos políticos também envolvendo empresários. No segundo semestre, a economia vislumbrou uma recuperação na inflação e na taxa de juros, contudo, o desemprego ainda é fator que assombra 13 milhões de brasileiros e faz com que a crise ainda seja uma forte realidade. O economista Felipe de Holanda, o empresário Jurandy Teophilo e secretário de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, abordam as impressões sobre o ano que mesclou os impactos da crise com os primeiros sinais de recuperação econômica.

Felipe de Holanda 

“2017 foi o ano em que a economia brasileira encerrou a maior recessão registrada desde a crise do Encilhamento (1898-2002). A retomada do emprego vem ocorrendo de forma lenta, restando ainda um saldo de cerca de 13 milhões de desocupados. A baixa inflação e os bons resultados das contas externas foram fatores-chave para a queda da taxa básica de juros, para o patamar inédito de 7% ao ano, contribuindo para a retomada. Porém, as enormes incertezas relacionadas à evolução do cenário político-institucional, praticamente inviabilizando a aprovação de reformas fiscais estruturais antes de 2019, comprometem a necessária recuperação da taxa de investimento agregado compatível com crescimento sustentado. No que se refere à economia maranhense, a retomada do emprego formal e a taxa de desocupação em queda vem ocorrendo de forma ainda mais lenta que no plano nacional, ainda que fortemente amparadas pelas políticas contra cíclicas do Governo do Estado, a exemplo dos investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança, dos concursos e dos reajustes salariais de diversas categorias e na realização de obras de saneamento básico. Em 2017, a geração líquida de empregos formais no Estado do Maranhão, a partir de julho, transformou o fechamento de cerca de 18 mil postos formais em 2016 (e 15 mil no ano anterior), para a provável criação de no máximo 2,0 mil empregos no acumulado do ano. Como consequência da forte contração da concessão de empréstimos imobiliários no Estado (que variaram de pouco mais de R$ 1 bilhão em 2014, para cerca de R$ 350 milhões neste ano), o subsetor da construção civil e do comércio continuam em marcha lenta no Estado. O Estado do Maranhão se destaca no plano nacional pela resiliência fiscal e pela transparência, mas enfrenta o desafio de compensar, a partir da arrecadação própria, a frustração de mais R$ 2 bilhões em transferências federais no período 2015 a 2017 (e a perda do equivalente em transferência para os municípios maranhenses).”

Jurandy Tophilo 

“O ano de 2017 é um ano que vai ficar marcado na história pela crise do país, pelas inúmeras prisões de políticos e também empresários envolvidos em corrupção. Isso foi um fator muito marcante para 2017. Foi um ano para se reinventar e fazer mais com menos e melhor, e ainda sim superando as expectativas dos nossos clientes. Foi um ano também de muita demissão e de pouca contratação. Muitas empresas quebrando e um índice de desemprego altíssimo. Foi na realidade um ano para empresarialmente se esquecer quando se fala em lucratividade porque as empresas tiveram recorrer a seus cofres e ao capital de giro em razão da alta inadimplência. Contudo, foi um ano muito bom para se reinventar, para testar outras possibilidades. Então, isso para gente foi muito importante porque na crise a gente muda o caminho, faz diferente para que a gente consiga atingir objetivos iguais, mas de forma diferente, e com menor custo. Para quem está preparado, está sempre planejando, consegue driblar a crise mais facilmente, mas para quem não se planejou foi muito mais difícil. Já no fim de 2017, a economia começou a se aquecer com a taxa SELIC melhorando, então parece que vai dar um gás maior em 2018. Mas eu prefiro ver para crer. A expectativa é que 2018 seja um ano muito bom para todos.”

Simplício Araújo 

“O Maranhão vivenciou algo inédito em 2017 na sua economia, historicamente o nosso estado sempre tinha resultados de crescimento econômico e fiscal atrelados ao resultado da economia nacional, quando o Brasil crescia, o Maranhão também crescia. Com os ajustes e política fiscal realizadas pelo governo estadual, o Maranhão vivencia um crescimento de 3% do seu PIB e uma elogiável situação fiscal no meio de uma gravíssima crise que aponta um crescimento do PIB nacional de apenas 0,5% este ano, e uma completa degradação econômica e fiscal em âmbito nacional. Acredito que a gestão responsável e comprometida do governo do estado, somada ao ambiente de negócios transparente e respeitoso que implantamos no Maranhão será preponderante para o crescimento do estado nos próximos anos.”

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