POLÍTICA

“O povo já se acostumou ao bom serviço”, diz Carlos Brandão

Em entrevista, Brandão enaltece gestão Flávio Dino e antecipa que o PRB vai pleitear um espaço na chapa majoritária do ano que vem

Reprodução

Carlos Brandão é um vice diferente. Atuante, está na mão dele projetos importantes e decisivos para o futuro do governo e do estado. Entre eles, os megainvestimentos chineses que devem aportar por aqui em 2018, conforme reportagem de O Imparcial do último domingo. Ele é tratado pelo governador Flávio Dino como peça importante do tabuleiro político que busca dar mais musculatura ao projeto de reeleição. Há 10 dias, ele recebeu a reportagem para um almoço na residência oficial da vice-governadoria, no Olho d’Água. Falou de economia, política, da recém-saída do PSDB e da entrada no PRB, legenda na qual irá se filiar oficialmente em janeiro. Brandão enalteceu a gestão atual e antecipou que o PRB vai pleitear um espaço na chapa majoritária do ano que vem. Ainda não sabe qual, mas diz “ter certeza” que a legenda estará bem posicionada no grupo. Confira a reportagem.

Que avaliação o senhor faz da performance econômica do governo neste ano de crise?

Brandão – O Maranhão, literalmente, está com as finanças equilibradas. Segundo a Federação de Indústrias do Rio, o Maranhão é o estado com a segunda melhor situação financeira do país. Está habilitado a tirar novos empréstimos. Tem lastro e margem financeira para isso. Pagamos rigorosamente os empréstimos contraídos em governos anteriores. Não atrasa nada. Estamos indo muito bem.

E os investimentos?

Quando a gente fala em investimento, temos que primeiro pensar em pagar as contas. Depois pensar em investir. Temos pago os fornecedores e prestadores de serviço em dias. Os salários dos funcionários estão sendo honrados rigorosamente na data. E, entre eles, estão os melhores salários do país, como o do professor maranhense. Dos 100 mil funcionários do estado, 31 mil são professores, que recebem o melhor salário da categoria do Brasil. O policial tem o segundo melhor do Nordeste. Só perde pra Bahia. Todos sendo pagos rigorosamente.

O governo tem se esforçado para mostrar esse equilíbrio e também as obras em andamento…

São mais de 900 obras que nós temos no estado inteiro. Só até o mês de junho estamos inaugurando cerca de 200 obras. Então, nos últimos três anos houve uma evolução em termos de investimentos em políticas públicas. Ampliamos muito os serviços nesse período.

Em quais áreas?

A segurança, por exemplo. Todo mundo tinha medo de contratar policial. Tínhamos o maior décift policial do país, em termos proporcionais. Contratamos mais de 3 mil policiais, aumentando em 30% o efetivo. Ninguém no Brasil fez um aumento no efetivo policial como o governo Flávio Dino fez no Maranhão. Adquirimos quase 900 viaturas e 200 motos e equipamos melhor os policiais, com fuzis, armamentos, coletes e etc. Além disso, aumentamos as promoções da categoria, para deixar o efetivo mais estimulado, pra ele trabalhar com mais entusiasmo. Foi elevado de 400 para 1600 promoções anuais.

E na educação?

Avançamos muito. Essa é a grande bandeira do governo Flávio Dino. E ele resolveu abraçar desde a pré-escola até as universidades. A ordem foi acabar com a escolas de taipa, que pertencem aos municípios. Já são cerca de 200 prontas. E vamos fechar em 300. Eram 1100 escolas de uma sala, de taipa e sem banheiro. E essas 300 vão substituir as 1100, porque são escolas de três salas de aula cada uma. Isso acaba com o problema de escola de taipa e leva dignidade aos alunos. Outro bom exemplo é o programa Bolsa Escola, que atende os jovens. O dinheiro vai para o cartão da mãe e ela compra para as crianças tênis, material escolar, mochila e outros materiais. Além disso, estamos reformando as escolas do estado, do ensino médio. São 1200 e já reformamos 700. Existiam escolas com 30, 40 anos sem receber uma reforma. Criamos ainda 18 escolas de tempo integral. Não existiam nenhuma.

E o ensino superior, principalmente o federal, viveu momentos de crise neste ano. O que foi feito para o ensino superior e profissionalizante?

Tivemos medidas importantes. Ampliamos a Universidade Estadual do Maranhão (Uema), criamos a Uema Sul em Imperatriz e investimos na melhoria da infraestrutura do campus de São Luís. Aumentamos ainda o repasse para a Universidade para R$ 40 milhões anual, coisa que não ocorria há décadas. O programa Cidadão do Mundo deu bolsas de estudo para os jovens estudarem no exterior. E, muito importante, criamos as escolas técnicas estaduais, os Iemas (Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão). Não tínhamos nenhuma e a meta do governador Flávio Dino é construir 26. Já tem 15 funcionando.

E na parte de infraestrutura?

Fizemos investimentos para melhorar o abastecimento no Maranhão. Cerca de 50% das casas do Maranhão estavam sem água. Trabalhamos em 130 municípios, para levar água à população. O programa Mais Asfalto tem a meta de colocar asfalto em todas as cidades. Só faltam 30 receber. Restaurantes populares, por exemplo, tínhamos sete e hoje tem 14. Saltamos de cinco unidades para 35 Vivas no Maranhão. Aumentamos em quase 1 milhão de atendimentos. Na saúde, estamos construindo hospitais macrorregionais para ajudar o deslocamento do município. Saltamos de um para sete Socorrões. Isso fecha o estado com atendimento de urgência e emergência e ajuda os municípios. Isso em meio à crise, com arrecadação em baixa. Esse é o grande desafio. O governo teve muita coragem e audácia em fazer todos esses investimentos mesmo perdendo R$ 1,5 bilhão do repasse do fundo da saúde.

Falando de política… O governo está forte e chega em ano de eleição preparado?

Temos muito apoio. E as pesquisas mostram isso. O governador tem 60% da preferência. É líder em todas as pesquisas. Tem se mostrado muito presente e sido um grande parceiro dos municípios. A população enxerga uma gestão diferenciada, preparada. E o governador Flávio Dino é reconhecido por isso. E depois que a população conhece o bom serviço, não voltará ao passado.

Quanto aos partidos aliados, como está a a articulação por apoios?

Temos adesão de vários partidos. Ganhamos o PRB e, mesmo com a perda do PSDB, vamos compensar. Porque todas as lideranças estão migrando com a gente. São prefeitos, vices e vereadores que nos acompanham desde o início. Nós criamos uma identificação muito grande. Tanto que quando eu disse que iria sair eles disseram que iriam para onde eu fosse.

Quais outras legendas fazem parte dessa coalizão?

É o caso do PP, do PTB, que não estava com a gente, mas agora está. O DEM está quase certo que virá. O PR também não era aliado e hoje tornou-se. Então, só de novos partidos aliados temos PTB, PR, PRB, DEM e o PP. E, provavelmente, o PT. Não tenho dúvidas que ficará com o nosso grupo.

O PSDB, agora sob a liderança do opositor Roberto Rocha, foi uma grande perda?

Eu diria que nós perdemos o tempo de televisão. Mas as lideranças ficaram.

E dentro do PRB, como o senhor vai se posicionar?

Nós estamos chegando. Uma coisa que eu deixei bem claro para o presidente nacional do partido e para o Cléber Verde é que eu não quero ser presidente. Não acho correto chegar e querer tomar o partido de quem está dirigindo. Quero ser parceiro. Devo fazer parte da executiva nacional e estadual. E ajudar a dirigir. Mas não tenho intenção de comandar o partido. O projeto é de aliança.

O PRB vai pleitear o cargo de vice na chapa do governador Flávio Dino?

O primeiro passo é definir os candidatos a deputados. Queremos fazer o maior número de bancada, tanto federal quanto estadual. É lógico que o PRB deseja participar da chapa majoritária. Uma das coisas que me fez ir para o partido é porque não tem projeto para lançar presidente da república, nem vice. Ou seja, isso não nos atrapalha em termos locais. Teremos liberdade para tomar a melhor decisão. Isso ficou bem claro.

Qual a sua participação nessa chapa? Quer ocupar a vice novamente?

Tenho seguido a orientação do governador Flávio Dino para só tratar desse assunto mais próximo da eleição. Vamos conversar com todos os partidos. Na vez passada, eu não queria ser vice de jeito nenhum. Mas, por consenso de todos, decidiram que eu agregaria mais para o projeto ocupando a vice. Eu tinha o projeto de continuar como deputado. Mas, na política, há momento que não decidimos só por nós. Não se trata de querer ou não querer. É um acordo. Então, estou com meu nome à disposição. Sou parceiro.

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