NAS ONDAS DO RÁDIO

Hoje é comemorado o dia do radialista

Um trabalho de quem se faz ser ouvido para preservar um dos meios de comunicação mais tradicionais que resiste ao tempo e às evoluções tecnológicas

Reprodução

Era 7 de setembro de 1922, o então presidente Epitácio Pessoa realiza um pronunciamento em um sistema radiofônico que propagou a declaração do presidente em 80 alto-falantes. Consolida-se, assim, a primeira transmissão de rádio no Brasil. De lá para cá, o rádio enfrentou muitas mudanças, entre recuos e avanços, o meio de comunicação resiste ao tempo e à evolução das tecnologias.

E hoje, dia 7 de novembro, é comemorado o dia do profissional que dá vida ao rádio: o radialista. A comemoração também é realizada no dia 21 de setembro. Isso acontece porque o dia já era comemorado em setembro, mas, por decisão da Lei nº 11.327, de 27 de julho de 2006, instituiu a nova data.

O dia 7 de novembro foi criado através de decreto da Presidência da República, em homenagem ao radialista e compositor Ary Barroso, que neste dia aniversariava. Para o presidente do Sindicato dos Radialistas, Jota Kerly, o profissional da rádio não tem o que comemorar, visto que com as mudanças na legislação trabalhista e previdenciária, a exemplo dos demais trabalhadores brasileiros, o radialista também está sendo seriamente prejudicado.

Jota Kerly aponta também a questão da terceirização do trabalho, como uma falta de respeito e que anula a regularização profissional. Também a mudança do sistema AM para o FM é apontado por Kerly como danoso para o radiouvinte e exemplificou o homem do campo, que vai ficar sem a informação de qualidade e imediata.

Jota Kerly avalia que o rádio evoluiu tecnicamente, mas registra um certo entrave na parte artística-cultural, com a queda na qualidade profissional, visto que muitos que estão na atividade profissional não são habilitados, sendo arrendatários de horários nas rádios, que assim preferem para não pagar profissionais.

Rádio no Maranhão

Conforme o radialista José de Ribamar Elvas Ribeiro, conhecido como “Parafuso”, veterano no rádio maranhense, em seu livro “Memórias de Um Parafuso”, o rádio no Maranhão teve início, oficialmente, com um decreto do interventor federal Paulo Martins de Sousa . No dia 6 de outubro do mesmo ano, foi celebrado um contrato entre o Governo do Estado a Empresa Phillips, da Holanda, para a compra de todo equipamento para a montagem da rádio em São Luís.

O transmissor foi instalado em um prédio no Beco do Gavião, hoje, Avenida Ribamar Pinheiro, na Madre de Deus, com uma torre de 51 metros de altura. Um estúdio, uma discoteca, a administração e um auditório ocuparam os últimos andares do prédio do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado, na Praça do Mercado Central. E no dia 15 de agosto de 1940, às 11h, entrou no ar, oficialmente, a Estação Transmissora PRJ-9 – Rádio Difusora do Estado do Maranhão, tendo Durval Paraíso como o primeiro locutor da rádio no Maranhão.

Entre 1943 a 1944 houve um envolvimento da PRJ-9 com a empresa de jornais e rádios, os Diários Associados, que ocasionou a mudança do nome da emissora para Rádio Timbira do Maranhão. Em 13 de junho de 1947, José Ribamar Pinheiro, Raimundo Gerson Tavares e Luís de França Rêgo, inauguraram a segunda emissora de Rádio do Maranhão, denominada Rádio Ribamar Limitada, que funcionou no Edifício Metrópole, ao lado da Grêmio Lítero Recreativo Português, na Rua do Sol, em frente à Praça João Lisboa. Tendo como diretora artística a cantora e musicista Dilu Melo.

Rotina de um radialista

Criação de matérias e roteiros. Realização de reuniões de pauta e mediação de entrevistas. Estas são apenas algumas das funções que exerce um radialista. A estudante de Comunicação Social com habilitação e Rádio e TV, Ana Paula Sousa, comenta que a rotina é corrida, mas de muito aprendizado.

“Durante o dia-a-dia no meu estágio, nós sempre nos reunimos e escolhemos as pautas que serão feitas. Dentro da rádio, nós exercemos papéis nos três processos de consolidação de matérias: a pré-produção, a produção e a pós-produção. Tudo feito levando em consideração o que aprendemos em sala de aula quanto ao tipo de escrita e à abordagem”, conta.

Mantendo o fôlego

À medida que os anos foram passando e as tecnologias, evoluindo, o rádio acabou sofrendo um processo de declínio, mas atualmente os profissionais de radicalismo procuram novas alternativas para manter o fôlego desse meio de comunicação. É o que confirma Ana Paula Sousa.

“A gente aprende que o radio não se caracteriza somente como meio de comunicação, mas como uma linguagem que interage com o público da mesma forma que o texto e da mesma forma que a imagem. Então, diante das novas tecnologias a gente percebe que essa linguagem (do rádio) vai se adaptando. A gente vê o crescimento das rádio webs e das transmissões ao vivo feitas por emissoras de rádio. Essa linguagem não vai morrer, mas se adaptar”, pontua.

“A força da web pretende se implantar de uma maneira mais vasta, mas o rádio vai sobreviver em todas as modalidades: desde as mais tradicionais às mais inovadoras. O fazer jornalístico dentro do rádio também vai mudar, porque as linguagens e as formas de se expressar mudam, mas com certeza, o meio vai continuar vivo”, garante Adalberto Júnior, coordenador do núcleo de jornalismo da Rádio Universidade FM.

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