Maranhão

Micro e pequenas empresas representam mais de 95% dos empreendimentos

Maranhenses são exemplos de sucessos em seus empreendimentos

Microempresa voltada para móveis e acessórios que iniciou na "28" hoje tem um espaço amplo no DiamanteFoto: Karlos Geromy

No dia 5 de outubro, foi comemorado o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. As empresas enquadradas como micro e pequenas, as MPEs somam hoje mais de 12 milhões de empreendimentos no país, sendo 170 mil no Maranhão. Mais de 95% das empresas maranhenses são de micro e pequeno porte, e juntas respondem por quase 30% do PIB no estado.

Já os microempreendedores individuais (MEIs) – que trabalham por conta própria e se legalizaram como pequeno empresário – de acordo com dados do Sebrae, até 30 de abril, somavam 6,87 milhões no Brasil e mais de 92.000 no Maranhão. Para se ter uma ideia, o estado tinha apenas dois MEIs cadastrados em 2009. Cerca de 32% dos MEIs do estado têm registro em São Luís.

Em 2010, eram 60.328 MPEs e MEIs ativos no Maranhão. Em 2016 esse número era de 167.760. O crescimento foi de 278% em seis anos, puxado, principalmente, pelo advento do MEI.

Pesquisa do Sebrae revela que quase metade das MPEs maranhenses são familiares. O levantamento constatou, também, que de cada dez empresas de pequeno porte, seis são familiares. Quando a análise é feita entre as microempresas, esse número cai para cinco, de cada dez. Ter sócios ou empregados parentes é prática comum entre 41% dos donos de micro e pequenas empresas no estado.

Iniciativas de sucesso
As micro e pequenas empresas maranhenses apostam fortemente na máxima de trabalhar com afinco para impulsionar o negócio. Felipe Campos Araújo, de 56 anos, proprietário da Norte Box, é um dos maranhenses que iniciaram o negócio praticamente do zero, e hoje ele trabalha com ajuda da esposa e do casal de filhos.

A história de Felipe como empreendedor iniciou-se em 1990, quando vendeu a casa que tinha para investir no próprio negócio de esquadrias de alumínio. Mas, antes de fechar uma grande compra de material, todo dinheiro foi confiscado pelo Plano Collor I, frustrando o sonho do aspirante a empresário. Ele ficou apenas com um sócio e um empregado. Sem nada, passou a morar com a mãe.
Sem capital para tocar o negócio, Felipe tomou a decisão audaciosa de seguir em frente visitando potenciais clientes na esperança que confiassem em pagar a entrada para que comprasse material. “Sem saída, eu buscava clientes que confiassem e que dessem entrada para realizar o trabalho. Se de cada dez, um topasse, já era uma vitória”, conta o empresário.

Também sem ter como pagar um espaço para trabalhar, o jovem iniciou suas instalações em um prédio na “28”, famosa “Zona do Baixo Meretrício”, no Centro de São Luís, onde apenas pagava a conta de energia elétrica e uma taxa para o “encarregado” do local.

Felipe apostou na qualidade do serviço e na pontualidade na entrega para construir sua reputação baseada na propaganda boca a boca. Mas ele tinha vergonha de receber seus clientes no local também frequentado por profissionais do sexo. Com muita insistência de um cliente que queria recomendá-lo para outras pessoas, aceitou a visita deste, que ficou horrorizado com o espaço escolhido para trabalhar. “Ele disse que, se tivesse trazido a esposa com ele, ficaria em maus lençóis. Esse cliente recomendou que transferisse o negócio de lá, se eu quisesse crescer”.

Mas, como o empresário estava começando, não possuía recursos para pagar o aluguel de um local melhor. Ele então procurou opções na Avenida Venceslau Braz, no bairro Diamante, e ao conversar com o proprietário de um dos pontos, este avaliou que ele realmente não tinha condições de pagar pelo aluguel, mas lhe deu um voto de confiança para que instalasse seu negócio lá na garantia que pagasse apenas o salário do encarregado. O arranjo durou um ano, até o proprietário fazer um ultimato para que ele comprasse o prédio, pois não tinha interesse em apenas alugar. “Ele acreditava que em pouco tempo eu conseguisse comprar em definitivo a propriedade, pois confiava no meu negócio e via que estava prosperando. Em dois anos, eu paguei o imóvel onde funciona até hoje a minha empresa”, conta.

O microempresário relata que nem tudo foram flores, mas com muito trabalho seu negócio conseguiu superar as dificuldades. Felipe diz que passou pelas várias crises econômicas do país e em todas conseguiu manter-se firme, apesar das baixas. “Quando mais cresci foi nos momentos de crise. Não existe crise quando você trabalha com afinco. Saímos na frente quando os outros ficam apenas parados pensando nas dificuldades”, reflete.

Questionado sobre os impactos da recente crise econômica sobre seu negócio que, além de esquadrias de alumínio, trabalha também com vidro, forro, divisórias, móveis planejados e utensílios, Felipe diz que já teve 45 funcionários e hoje mantém 20 colaboradores. Mesmo assim, diz que essa é mais uma etapa a ser superada. “Temos um diferencial. Mudamos o conceito de móveis planejados trabalhando com material 100% alumínio, fazemos assim há 15 anos. É a marca registrada da empresa”, assegura.

Há três anos, Felipe Campos buscou orientação do Sebrae, que tem o auxiliado com a administração do negócio, enxugamento das contas e gerenciamento do patrimônio da empresa.

Simpático, hoje ele brinca sobre a forma que começou e o quanto evoluiu. “Me sinto realizado e agradecido a Deus. Costumo dizer que comecei de menos zero, comecei negativo. Mas, antes começar na zona do que terminar na zona”, completa.

Trabalhando por conta própria

Como tantos outros maranhenses, Cristiane Lima, de 34 anos, esteticista/massoterapeuta/designer/depiladora, resolveu investir no próprio negócio como MEI a partir da experiência cultivada desde os 18 anos no ramo de beleza e estética.

Tendo se especializado em designer de sobrancelhas, a esteticista apostou no próprio negócio e não se arrepende, pois fatura em seu próprio espaço com uma clientela garantida.

“Trabalhei em várias empresas como esteticista. Há dois anos, resolvi montar meu próprio negócio. No início, tive medo de não dar certo, de não ter cliente. Mas as coisas foram acontecendo naturalmente”, explica.

Proprietária do Espaço Cris Lima, localizado no Maiobão, Cristiane achou importante formalizar o negócio para ter segurança e para dar respaldo ao seu trabalho.