Arte brasileira

Edital Rumos abre oportunidade para diferentes campos das artes do Brasil

A 18ª edição do programa Rumos está recebendo propostas culturais desde o último dia 29 até o dia 3 de novembro, horário de Brasília. O investimento, para esta edição, é de 15 milhões

As inscrições podem ser feitas até o dia 3 de novembro (Foto: Reprodução)

Artistas, produtores e pesquisadores já podem fazer a sua inscrição para um dos maiores editais culturais públicos do país. A 18ª edição do programa Rumos, iniciativa do Instituto Itaú Cultural que é uma ferramenta de fomentação da produção artística e cultural brasileira, está recebendo propostas culturais desde o último dia 29 até o dia 3 de novembro, horário de Brasília. O investimento, para esta edição, é de 15 milhões.

Durante a coletiva em São Paulo, para 50 jornalistas de diferentes regiões do Brasil, Eduardo Saron, diretor do instituto, explicou que entre as principais mudanças da edição deste edital para o anterior é que neste ano, o Rumos ampliou o seu alcance oferecendo ferramentas de acessibilidade. Ou seja, pessoas surdas, cegas ou de baixa visão também poderão fazer suas inscrições.

Outra novidade é que a Caminhada Rumos, realizada por uma equipe do Itaú Cultural que percorre todas as regiões do Brasil, a partir do dia 4 de setembro até 26 de outubro passando pelas 27 capitais, divulgando as ações do edital, desta vez será ampliada por uma ação diferenciada em 10 estados: Aracaju (SE), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Macapá (AP), Maceió (AL), Palmas (TO), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e Teresina (PI).

Segundo Saron, nessas localidades a comissão organizadora do Rumos sentiu uma necessidade de exercer uma escuta e discutir a cena cultural local, identificar suas potencialidades, dificuldades, melhorias e necessidades. O Instituto identificou nelas uma baixa inscrição no Rumos, refletindo questionamentos recorrentes da distância geográfica, isolamento, falta de investimento público, de informação e de distribuição de recursos. A ideia de lançar um olhar mais apurado e de uma aproximação maior com esses estados surgiu a partir dos dois últimos editais, que tiveram 12 mil inscritos em 2013/2014 e 15 mil na edição de 2015/2016 que juntos somaram 27 mil inscrições. “Vamos ouvir mais do que falar para saber o que esses produtores pensam, quais são suas dúvidas, para que eles possam inscrever suas propostas. Nas últimas edições, tivemos uma participação aquém de que esperávamos nessas regiões, por isso vamos estabelecer essa conversa profunda. Essa escuta ativa pode também interferir também dentro da própria comissão. O que na verdade estamos propondo é uma grande provocação. Essa talvez seja a grande mudança mais enérgica dentro de nossas ações”, explicou Eduardo Saron.

Eduardo Saron revelou que o grande desafio da comissão, que integra o edital cultural, foi a compreensão de tentar entender o Brasil através de sua complexidade. Para ele, tem que haver uma política voltada para arte no país. Saron lembrou que a Funarte [Fundação Nacional de Artes], que foi fundada em 1975 com a finalidade de promover, estimular, desenvolver atividades culturais em todo o Brasil, está fragilizada e que hoje passa por uma ausência e clareza de seu papel. Tudo isso se deve a uma desconstrução histórica dos governos sobre o papel da Funarte e o Rumos entendeu de maneira ampliada essa carência, junto aos produtores e artistas, tentando contribuir com o fomento das artes no Brasil. Saron acrescentou que, a partir das mudanças realizadas no edital de 2013, proporcionou uma abertura para uma participação maior. Por conta da desburocratização, o edital Rumos, tornou-se também uma referência para outros editais de instituições públicas e privadas que ampliaram-se nesse sentido.

O diretor do Itaú Cultural revelou ainda que, para a edição de 2017/2018 serão investidos R$15 milhões, que serão usados para a Caravana Rumos e para o desenvolvimento das propostas selecionadas para o biênio 2017/2018. Eduardo Saron, declarou também que o edital anterior estabelecia um teto de valor de até R$400 mil por projeto e que nesta edição não há valor mínimo, nem máximo, para os projetos. E que o orçamento deverá ser sempre elaborado em moeda nacional (real) e contemplar a realização plena do projeto inscrito com todas as etapas e os itens necessários: serviços, materiais e bens, entre outros itens, além dos valores a serem pagos para o licenciamento dos direitos autorais. Todos os projetos inscritos passarão pelos 22 membros da comissão de seleção, além de uma comissão inicial de avaliação e leitura, que é composta por 40 pessoas externas. Isso garante, segundo Saron, que cada projeto seja lido por, no mínimo, quatro pessoas antes de passar à apreciação das outras fases.

Uma diversidade cultural

A coletiva contou ainda com a participação de Karla Martins – atriz, produtora, gestora pública e contadora de história – que atualmente exerce a presidência da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e de Rui Moreira, bailarino e coreógrafo que passou por diversas companhias nacionais e internacionais, com destaque para o Grupo O Corpo, de Minas Gerais. Ambos são membros da comissão de seleção dos projetos do Rumos 2017/2018. Para Karla Martins, o edital dá a oportunidade de se realizar uma possível cartografia cultural do país, com suas diferentes matizes, que permite diversas possibilidades. “É um edital que possibilita a participação de novos artistas, que talvez não tivessem a oportunidade de mostrar a sua arte em outros editais tradicionais. A possibilidade de manter contato com essa diversidade artística não é só para quem se inscreve, mas para quem participa da seleção. Este é um edital que possibilita muitas ações para quem se predispõe. O Rumos não é um edital cartesiano. É um edital menos burocrático. É muito potente ter a sensação de uma dimensão ampliada de um país que tem essa diversidade cultural”, disse ela.

Já para o coreógrafo Rui Moreira, que participa pela primeira vez da comissão de seleção dos projetos, esta é uma tarefa desafiadora e, ao mesmo tempo, enriquecedora, pois dá a oportunidade de conhecer um Brasil ainda a ser descoberto. “Esta é uma grande novidade que eu vou descobrir ao longo dessa jornada. Vivemos em um país da cultura dos editais. Quando viajamos para fora do país, principalmente nos países que fazem fronteira com o Brasil, percebemos que a arte não tem esse apoio. É muito interessante, mas é uma responsabilidade muito grande fazer parte de uma comissão que vai selecionar projetos de diferentes naturezas e visões diferenciadas sobre a arte brasileira”, disse ele. As inscrições para o edital podem ser feitas pelo site (rumositaucultural.org.br) e resultado final do edital será divulgado em 28 de maio de 2018.

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