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Situação de animais abandonados coloca em risco saúde pública

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, só em 2014 havia cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil

Honório Moreira / O Imparcial

Em São Luís atualmente existe uma grande quantidade de animais em situação de abandono nas ruas. Sim, abandonado, seja por uma família, que adquiriu o animal, mas desistiu de cuidar dele, ou pelo poder público. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, há cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Destes, 20 milhões são cachorros, enquanto 10 milhões são gatos. E isso são números referentes a 2014, é muito provável que a situação esteja até pior.

Cachorros e gatos em sua maioria abandonados pelos donos, perambulam pelas ruas da cidade de São Luís nas feiras, praças, mercados, e sofrem com a hostilidade de algumas pessoas que por vezes os agridem sem motivo algum. Embora não tenhamos um número exato, sabe-se que são muitos.

O Imparcial contou no dia 18 a história do Garrincha, um cachorro de rua que depois de atropelado, foi resgatado por um grupo de alunos protetores de animais e hoje vive de doações à espera de um lar onde possa ser recebido.

Como ele, muitos outros animais passam pela mesma situação, sobrevivem através dos seus anjos da guarda, que os alimentam e cuidam deles, mas precisam na verdade de pessoas que queiram levá-los para casa, para poderem ser finalmente animais de estimação.

Paulo Assunção é membro da Aau (Amparo Animal UFMA), um grupo de alunos universitários que cuida, alimenta e busca moradia para os animais que circulam o campus da universidade. Ele diz que só na área onde atuam, cerca de 30 animais estão em situação de abandono. “A gente atua somente na UFMA, os animais de lá não são poucos. Como a universidade é ao lado de uma comunidade, o Sá Viana, muitos animais acabam saindo de casa e sendo atraídos pelo cheiro da comida do Restaurante Universitário e acabam ficando pela UFMA. Muitas cadelas também aumentam a população, por que não tem como controlar quando estão no cio, e acabam tendo vários filhotes. É pouca gente em uma área muito grande e com vários cachorros, ainda sim sempre estamos cuidando, alimentando e mantendo eles”, diz Paulo.

O trabalho não é fácil, segundo ele, principalmente por que eles só podem contar com a bondade das pessoas. “A gente consegue manter basicamente por meios de doações. Às vezes de funcionários da UFMA, alunos e pessoas que acompanham pelas redes sociais e ajudam”. A indiferença, também é combatida por eles, como conta Paulo. “É uma questão muito dividida, algumas pessoas são indiferentes, existem os que ajudam, levam alimento, mas existem muitos que tem aversão aos animais, principalmente próximos a refeitórios. Poucas vezes vimos atos de maus tratos, o que mais acontece é enxotar, mas bater, não acontece com muita frequência, o que não quer dizer que não exista. Pelo menos a maioria ajuda, mesmo que não seja de maneira muito ativa”.

Ainda para Paulo, o que mais falta são ações do poder público para que o resgate de animais seja mais efetivo. “A maioria das pessoas que resgatam animais leva em clínicas particulares, que já são parceiras e acabam fazendo descontos. Mas precisa se contar com ajuda do centro de zoonoses, ter iniciativas de feiras de castração e de adoção, que são realizadas pela iniciativa privada. Muitas vezes o que acontece é que deixamos de resgatar animais por não um lugar onde possam ser deixados, você não pode deixar ele pra sempre em uma clínica veterinária pagando diária, então acho que precisa de uma interação maior do poder público”, sugere Paulo.

A reportagem tentou contato por diversas vezes com o Centro de Controle de Zoonoses da capital para buscar dados sobre a quantidade de animais que estão em situação de rua na região metropolitana, assim como as estratégias para o controle e retirada de animais do logradouro público, porém, até fechamento desta matéria não obtivemos retorno da Prefeitura Municipal de São Luís.

Crueldade com indefesos

No fim do ano passado um caso chocou não apenas associações de defesa dos animais, mas como a população em geral quando mais de 30 gatos foram exterminados na reserva de mangue no entorno do Lago do Bacanga, localizada na Avenida dos Africanos, na capital. Os animais que tem esse espaço como lar, onde muitas pessoas circulam, fazem caminhada e os alimentam. Muitos foram abandonados e por conta de estarem na rua se reproduzem em grande quantidade, aumentando ainda mais a população de gatos naquela área.

Em janeiro deste ano, mais animais foram assassinados pelo que a secretaria de segurança publica apontou na época como ataque de cachorro, de um possível morador, que não foi identificado. Após esses incidentes muitos foram os pedidos de organizações protetoras de animais, assim como dos próprios moradores locais para que os animais fossem retirados de lá, mas até hoje a chamada “praça dos gatos”, como é conhecida, ainda abriga muitos animais.

Socorro Braga passa todos os dias pela praça para chegar ao trabalho, e conta que enquanto espera o ônibus vê pessoas colocando comida para os gatos, mas também se preocupa com a quantidade de animais que ali vivem. “Eles tinham que ser castrados, por que são muitos e ficam aqui expostos. Se não tem como levarem eles daqui deveriam ao menos castrar para evitar que aumentasse muito. Eu olho esses gatinhos filhotes tão pequenos que podem ser atropelados a qualquer hora aqui”.

Reivindicação

Recentemente foi realizada na Câmara de Vereadores de São Luís foi realizada uma audiência pública “Questão Animal e Saúde”, de preposição da vereadora Barbara Soeiro. Um dos grupos presentes foi o Movimento de Proteção Animal Slz, representado por Solange Braga. Segundo ela abordou, a Lei Federal 9.605/98 não é cumprida. “O descaso com o sofrimento animal abandonado nas ruas é uma vergonha para o estado do Maranhão”, ressaltou a ativista animal.  “A Câmara de Vereadores pode e deve cobrar do gestor do município maior comprometimento com as questões de bem estar animal. Medidas protetivas de castrações para evitar a super população de animais abandonado nas ruas sem abrigo”, reivindicou na ocasião.

Crime

O abandono e maus tratos à animais é crime, conforme o artigo 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais). O artigo 164 do Código Penal prevê o crime de abandono de animais para aqueles que introduzirem ou deixarem animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem de direito, desde que o fato resulte prejuízo. A pena prevista pelo artigo 32 da Lei de Crime Ambientais é de detenção de 3 meses a 1 ano e multa. A pena é aumentada de 1/3 a 1/6 caso haja morte do animal. Já o artigo 164 do Código Penal prevê detenção, de 15 dias a seis meses, ou multa.

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Gatos foram exterminados ano passado na Avenida dos Africanos

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