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Artistas que driblam os desafios para a realização no seu trabalho

Neste dia buscamos falar com algumas das várias mulheres que temos na arte para saber o que elas acham sobre ser mulher e ser artista

Mavi Simão Cineasta e produtora cultural
Que mulher é artista ninguém duvida. His­toricamente, ela foi criada para tomar conta da casa, cui­dar dos filhos, da família, mas, com o pas­sar do tempo (graças a Deus!), foi ocupando outros espaços no mercado de trabalho, na arte e na cultura.
Mulher artista, mulher das artes. Cantora, dança­rina, escritora, compositora, musicista, atriz, cineasta, artista plástica, DJ, fotógrafa, enfim, as mulhe­res dominam todas as artes. E a fazem com excelência. Graças a Deus (de novo!), o Maranhão está repleto delas. E mesmo as que já têm reconhecimento continuam lutando bravamente pelo seu lugar ao sol, pela conquista, pelo melhor lugar. Mulher é sinônimo de luta. Sempre. E ela nunca desiste.

Neste Dia Internacional da Mulher, buscamos falar com algumas das várias mulheres que temos na arte para saber o que elas acham sobre ser mulher, ser artista. E em todos os depoimentos o fato de ser mulher é motivo de orgu­lho. Mulher artista então, orgulho do­brado.

A cantora e com­positora Carol Cunha, por exemplo, adora ser mulher e fala da grandio­sidade que isso representa. “Mulher pra mim é um ser de luz, só o fato de poder gerar uma vida den­tro de si já é algo muito especial. E foi algo concedido a nós mulheres. Acho isso tudo grandioso. Me sinto feliz de ter vindo a essa vida mulher, e se eu pudesse escolher – ‘Carol você quer vir homem ou mulher?’ –, eu escolheria ser mulher. Eu adoro ser mulher, sou vaidosa, gos­to de ser feminina”. A compositora Selma Delago, que tem músicas que concorreram em diversos festivais e lançou no ano passado o primeiro EP: Fernanda Garcia canta Selma Delago – Fiz um sam­ba pra você, garante que ser mulher é fazer tudo com qualidade. “Sou muito feliz sendo mulher, mãe de duas meninas, até porque essa felicidade já começa pela maternidade, que é uma bênção concedida somente a nós, onde podemos gerar, criar e amar infinitamente. Nós assumimos vários compromissos com talento, disciplina e sem culpa nenhuma. Estamos a cada dia conquistando mais espaço e ajudando a melhorar o mundo”. Idealizadora e coordenadora-geral do Festival Maranhão Na Tela, a cineasta Mavi Simão habita um espaço ainda pouco ocupado pelas mulheres, não só em São Luís. E esse negócio de ser mulher, para ela, é estar eternamente em débito com o tempo.

“Fui muito mimada pelo meu pai, era a rainha da casa. Acredito que por isso acabei achando
Mulheres notáveis

 que ser mulher era uma grande vantagem. De certa forma, continuo achando isso, mas é claro que a balança pesa muito mais pro nosso lado. Quando meu dia começa, já estou devendo alguma coisa que não cumpri no dia anterior.

Tenho sede de realizar e essa vida de correr atrás já seria suficiente para extrapolar todas as horas do meu dia. Só que ainda tem que fazer a casa funcionar, tem que ser a melhor mãe que é pos­sível ser e ainda tem que se cuidar, o que também já seria suficiente para extrapolar essas mesmas ho­ras. Ou seja, a conta nunca fecha e acabo vivendo assim, sempre em débito com meu tempo. Ser mulher é bom? É! Mas é peso pesado!”. A produtora cultural e coreira Carla Belfort, também conhecida como Car­la Coreira, pega pesado na luta contra o preconceito das mulheres nas manifestações culturais. Ela que nasceu praticamente no tambor de crioula, diz que ser mulher é lindo, mas é sinônimo de luta, de conquista pelo espaço. Por isso, ela mantém na Praça da Faustina, na Praia Grande, uma oficina de tambor só com mulheres chamada Mulheres que dão no coro. “Só as mulheres to­cam tambor de crioula. Nós precisamos mostrar o tempo todo do que somos capazes. Quebrar com o preconceito e fazer a coisa acontecer”, comenta a coreira.

Selma delago

Selma Delgado- Compositora

Mulher artista é uma opção interessante porque você vai usar do seu dom e talento, usar da nossa capacidade de sensibilidade tão peculiar a nós. É uma conquista compartilhada, pois buscamos o que tem de mais íntimo nos nossos sentimentos, na nossa sensibilidade aflorada, e a gente tenta exteriorizar. Eu não vejo nenhuma dificuldade, mas muitos desafios. O desafio não está no fato de ser uma alma feminina, e sim de que nós, mulheres, não nos contentamos com esboço, nós buscamos o perfeccionismo das coisas e aí que entra o desafio. Queremos sempre fazer o melhor, fazer com amor, algo bem feminino. É aquela coisa de gerar, produzir, ver crescer e florir. No meu caso, como compositora, eu tento tocar na alma, no coração. Cada composição é um carinho imenso que eu deposito ali, um filho lindo que eu boto no mundo e fico feliz e realizada.

Carol Cunha- Cantora e compositora

“A gente encontra algumas dificuldades pelo caminho. As pessoas ainda são muito

Carol Cunha

 preconceituosas. ‘Você é mulher e você toca samba… você toca pandeiro, por que você não toca só violão ou teclado?’ Ainda existe aquilo de dizer: ‘Ah essa música não é pra mulher cantar, é pra homem’. Ainda existem pessoas de cabeça bem pequenas em relação à mulher, mas são pessoas que não entendem. Nós estamos no século XXI, gente, e as mulheres estão aí no comando e, pra mim, é uma honra, é gratificante ser mulher, adoro ser mulher. Desejo um feliz Dia Internacional para todas nós, guerreiras, mães, estudantes, trabalhadoras, donas de casas…”

Roda de conversa em comemoração ao Dia Internacional da Mulher
Hoje na Praça Deodoro, no Centro, o públi­co feminino vai discutir necessidades e conquis­tas da mulher no Maranhão. A roda de conversa Eu participo será em comemoração ao Dia Inter­nacional da Mulher e realizada pela Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Extraordinária de Governança Solidária e Orçamento Participa­tivo (Semgop). Na última semana, uma roda de conversas com ex-conselheiros do orçamento participativo e lideranças da regional da Ci­dade Operária discutiu as demandas daquela área. Foram cerca de duas horas de diálogo, das quais prefeitura e comunidade saíram sa­tisfeitas. As rodas de conversas têm o objetivo de promover ações de participação popular e estimular o processo de democratização e go­vernança solidária, abrindo canais de diálogo entre a administração municipal e as organiza­ções da sociedade civil no planejamento e no controle das ações públicas. 
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