
“É a prova de que a gente acertou, mostra que é possível com liberdade total chegar lá. O Oscar (a indicação) veio para dizer: ‘É isso aí, continue’”, acredita Abreu. O menino e o mundo, o longa do diretor indicado a melhor animação, rompeu todas as possíveis e esperadas barreiras para chegar aonde chegou. Sem diálogos, sem roteiro óbvio, tinha supostamente todos os requisitos para fracassar. “É um filme que nasceu para ser anticomercial e isso mostra, para mim, que a indústria não está separada da arte. Sempre vai ter espaço para quem trabalha com verdade e honestidade”, confirma Abreu.
O reconhecimento de Alê Abreu não é um incentivo apenas para o próprio trabalho, mas também para todo o mercado de animação no Brasil, que enxerga nessa glória uma resposta ao que já foi feito. “É a primeira comprovação de que o investimento está voltando com muito lucro. Esse destaque é uma ótima forma de deixar isso claro”, acredita um dos diretores do festival Anima Múndi, Cesar Coelho.
O sucesso de O menino e o mundo cria também uma referência de que o cinema de animação brasileiro tem condições de sonhar com grandes feitos, é o que acredita o coordenador de Ensino da escola de artes visuais Saga, Raul Sales. “Carecíamos de uma referência maior. Isso vem para abrir um novo caminho, dar uma perspectiva real do que pode ser feito.”