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Animação brasileira vive melhor momento após uma década de trabalho

Cartaz oficial destaca os quatro protagonistas do filme estrelado por Chris Hemsworth, Jessica Chastain, Emily Blunt e Charlize Theron

O filme concorre ao Oscar ao lado de Divertidamente
A estatueta do Oscar não veio com o cineasta Alê Abreu na viagem de volta ao país, depois de participar da premiação mais importante do cinema. Por mais que o prêmio fosse obviamente desejado e até merecido, Abreu e a animação brasileira não têm muito a lamentar. A indicação (ela própria já improvável) confirma um trabalho de anos, às vezes oculto, em busca da consolidação de um mercado com ainda muito menos recursos do que os gigantes do cinema, mas cheio de ideias e vontade de produzir.

“É a prova de que a gente acertou, mostra que é possível com liberdade total chegar lá. O Oscar (a indicação) veio para dizer: ‘É isso aí, continue’”, acredita Abreu. O menino e o mundo, o longa do diretor indicado a melhor animação, rompeu todas as possíveis e esperadas barreiras para chegar aonde chegou. Sem diálogos, sem roteiro óbvio, tinha supostamente todos os requisitos para fracassar. “É um filme que nasceu para ser anticomercial e isso mostra, para mim, que a indústria não está separada da arte. Sempre vai ter espaço para quem trabalha com verdade e honestidade”, confirma Abreu.

O reconhecimento de Alê Abreu não é um incentivo apenas para o próprio trabalho, mas também para todo o mercado de animação no Brasil, que enxerga nessa glória uma resposta ao que já foi feito. “É a primeira comprovação de que o investimento está voltando com muito lucro. Esse destaque é uma ótima forma de deixar isso claro”, acredita um dos diretores do festival Anima Múndi, Cesar Coelho.

O sucesso de O menino e o mundo cria também uma referência de que o cinema de animação brasileiro tem condições de sonhar com grandes feitos, é o que acredita o coordenador de Ensino da escola de artes visuais Saga, Raul Sales. “Carecíamos de uma referência maior. Isso vem para abrir um novo caminho, dar uma perspectiva real do que pode ser feito.”

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