TURISMO

São Luís está vivendo um momento de “seca verde” na rede de hotelaria

Tem turista, mas não tem taxa de ocupação suficiente para manter um hotel, segundo presidente da ABIH

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Na gangorra da taxa de ocupação, a rede hoteleira de São Luís vive no limite para não fechar as portas. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Maranhão (ABIH), João Antônio de Barros Junior, “a taxa de ocupação hoje não é suficiente para manter a estrutura de um hotel”.

João aponta as melhorias no setor, mas também o principal dos problemas, que é a balneabilidade das praias da capital do estado. “Toda pesquisa do ministério do turismo diz que 85% do turista que vêm para o nordeste ou para o Brasil querem sol e praia. Hoje nos estamos trabalhando com 15% do potencial turístico de São Luís, que é a cultura e a gastronomia. As praias, que são as principais atrações, estão impróprias para banho. Se você observar nossa orla, ela está vazia. Tem pouca gente, inclusive, nos fins de semana. E aquela concentração de turista também saiu dali”, alerta o presidente da ABIH.

De dois anos pra cá, segundo Barros, foram fechados seis hotéis, inclusive de grandes redes. “A associação tem hoje 35 associados e do ano passado para o retrasado nós perdemos cerca de seis hotéis, inclusive grandes redes como a BHG. Para se manter um hotel, ele tem que ter uma taxa mínima de ocupação de 70% permanente, 50% para as despesas e 10% para o fluxo de caixa. Hoje nós só estamos tendo 65% no mês de julho, imagina os outros meses. Tem vezes que chega a 33%, aí o dono do hotel tem que tirar do bolso para manter o hotel”.

Barros completa: “Há cinco anos, nós tínhamos uma taxa de 90% a 95% no mesmo mês. Atualmente, ninguém está conseguindo fazer fluxo de caixa. Estamos vivendo em uma “seca verde”, Já ouviu falar? Ou seja, tem turista, mas não é o suficiente para manter a rede hoteleira”.

Para expor a realidade dos empresários do setor, João Barros compara o valor da diária cobrada em São Luís e em Barreirinhas, que, ao contrário de São Luís, vai muito bem com a taxa de ocupação. “Hoje uma diária em uma pousada em Barreirinha é em média R$ 280. E em São Luís, por incrível que pareça, em um hotel classe A, você encontra de até R$ 100,00. O feriadão aqui em São Luís acabou para a rede hoteleira, porque o feriado fica comprometido, tanto pela falta de balneabilidade das praias, como pela migração de turista para a cidade de Barreirinhas, que está com o fim de semana lotado, sem nenhum hotel vago. Então a taxa de São Luís vai lá pra baixo”.

A presidente da ABIH também aponta as melhorias no setor, como a ampliação da BR135, a reforma do aeroporto e a segurança. “Esse ano deu uma melhorada, não vou dizer que não melhorou, no mês de junho e julho foi bem melhor dos dois últimos anos, a segurança, não é excelente, mas melhorou. A duplicação da BR também ajudou e a reforma do aeroporto, que ainda não é o aeroporto ideal, também melhorou. Mas o principal, que faz o turista vir para o nordeste, piorou”, finaliza o presidente da ABIH.

A balneabilidade das praias, segundo a Sema

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) informa que a gestão estadual vem trabalhando diuturnamente para a melhoria do quadro, intensificando a fiscalização em busca da manutenção da balneabilidade das praias, realizando, semanalmente, o monitoramento e fiscalização em bares e empreendimentos da Ilha, como forma de coibir o lançamento de esgoto clandestino nos rios e praias e também com grandes obras já realizadas, como a despoluição de rios e investimentos em Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs).

A Sema destaca, ainda, que o período chuvoso contribui para a porcentagem atual das praias impróprias, devido ao transporte de matéria orgânica oriunda da lavagem de vias públicas e drenagem fluvial para as águas marítimas, influenciando negativamente a balneabilidade das praias.

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