CORONAVÍRUS

No Maranhão

1986
72021
50210
1797
Botafogo 0 x 1 Moto

O dia em que o “Maraca” foi do Papão

O jogo foi assistido por 12.109 pagantes, proporcionando uma renda de 14 milhões de cruzeiros , moeda da época

Reprodução

O grande templo do futebol brasileiro completou 70 anos de existência no último dia 16, mas as comemorações continuam. Construído no Rio de Janeiro  para sediar a Copa do Mundo de 1950, o Estádio Mário Filho (Maracanã), como ocorre em todos os palcos do esporte, tem sido local de muitas alegrias e tristezas. Ali, foram vividas vitórias memoráveis e  derrotas surpreendentes.

Além disso, ocorreram inúmeros conflitos provocados por fanáticos torcedores que lotaram as arquibancadas em dias de grandes decisões e até mesmo de simples jogos amistosos. Também se registraram os maiores recordes de público. Paradoxalmente, agora,  as arquibancadas vazias passam a ilustrar a história daquela  renovada praça esportiva, consequência da Covid-19, pandemia que tomou conta do planeta e ocasionou quase 50 mil perdas humanas.

Embora localizado no Sudeste do país (Rio de Janeiro),  da decepção brasileira pela perda de um Mundial para o Uruguai (Maracanazo),  o septuagenário estádio é lembrado positivamente  pela torcida de uma equipe tradicional do nosso futebol: o Moto Clube de São Luís, única agremiação maranhense a arrancar uma vitória, no antigo gramado do Maracanã, diante de um gigante carioca (Botafogo).

Também deu muito trabalho ao Flamengo de Zico, Leandro,  Júnior e Companhia,no mesmo local. Chegou a estar vencendo por 1 a 0, gol de Newton, mas o “Galinho” empatou em cobrança de falta. Nesse jogo, o ponta ludovicense Newton deu um “baile” no lateral-esquerdo Júnior. Atuação que acabou resultando na sua contratação pelo São Paulo. Os demais representantes do Maranhão, por outro lado, colecionam goleadas acachapantes naquela majestosa praça esportiva.

Recordar é viver

O ano de 1984 (22 de fevereiro) ficou marcado para o torcedor motense como se fosse aquele dia em  que “Davi encarou Golias”. Time formado por jogadores de alto nível e dono de enorme torcida, o Alvinegro do Rio entrou em campo para receber o Rubro-negro maranhense pelo Campeonato Brasileiro como  amplo favorito. Integravam  a equipe da Estrela Solitária, nomes conhecidos como o zagueiro Abel Braga, o lateral-direito Josimar e o meio-campo Alemão. Um grupo mesclado por jovens valores, sob o  comando técnico do mestre Didi, campeão como atleta nos mundiais de 58 e 62.

Antes do jogo, nas antigas arquibancadas o assunto dominante era uma possível goleada e as apostas se polarizavam em torno de qual seria o placar mais dilatado em favor do Bota. Afinal, o Moto era visivelmente inferior tecnicamente e figurava entre os piores times que disputavam a competição.

Com a bola rolando, no entanto, o que se viu foi o Papão muito aguerrido e exercendo severa marcação sobre os pontos principais de destaque da equipe local. Para que se tenha uma ideia, o primeiro tempo terminou com os botafoguenses ameaçando o gol rubro-negro em apenas uma oportunidade,  num cruzamento de Helinho que foi mal aproveitado pelo atacante Bahia.

No segundo tempo, o Botafogo foi com todo gás em busca do seu primeiro gol. Perdeu boas oportunidades. O atacante Berg chegou a atirar uma bola na trave do goleiro Maurílio aos 15 minutos. O Papão respondeu com sucessivos contragolpes, mas faltava pontaria. Até que aos 26min o atacante Cândido entrou livre na área, escapou de Abel e driblou o goleiro Luís Carlos para fazer o único gol da partida. Daí para frente, o Papão reforçou a marcação. O Botafogo, desesperado, insistiu mas não encontrou o caminho do gol de empate, apesar das substituições de Berg por Ademir e Cláudio no lugar de Bahia.

Narração histórica

O repórter Edivan Fonseca, que esteve no Maracanã e narrou o jogo pela Rádio Timbira,  falou à reportagem de O Imparcial sobre a emoção vivida naquele dia. “Ninguém acreditava que o Moto, na última partida do Campeonato Brasileiro daquele ano fosse conquistar a vitória. Eu estava lá, como único narrador do rádio maranhense. Foi uma despedida honrosa e um dia de muita festa. O gol foi feito pelo atacante Cândido (já falecido), ex-América Mineiro e Cruzeiro. Em seguida, o Moto se retrancou até ao fim e garantiu o placar. Uma vitória histórica, sem dúvida nenhuma. Emocionou a todos os motenses”,relatou.

O jogo foi assistido por 12.109 pagantes, proporcionando uma renda de 14 milhões de cruzeiros , moeda da época.

A equipe do Moto tinha como treinador Marçal Tolentino Serra, ganhador dos maiores títulos do futebol maranhense. Ele  também colocou seu nome na história por ser o único técnico do Maranhão a conquistar uma vitória naquele que já foi considerado o maior estádio de futebol do mundo.

Zebra da rodada

O matemático, pesquisador e historiador Manoel Martins lembra  que a vitória motense sobre o Botafogo foi a maior “zebra” da rodada. “O Moto fazia péssima campanha e  não havia conseguido vencer nenhum jogo do Brasileirão. Por isso, a grande maioria dos apostadores da Loteria Esportiva tinha cravado a coluna um. Eu fui um deles. Muita gente ficou fora por conta desse resultado e perdeu dinheiro porque não acreditava, jamais,  que o time maranhense conseguiria vencer em pleno Maracanã. Foi a primeira e única vitória”, relembra.

Em 84, o Moto havia perdido para o Auto Esporte-PI por 4 a 2, em  Teresina e em São Luís por 1 a 0. Depois foi derrotado por 1 a 0 em São Luís pela Portuguesa de Desportos e perdeu por 2 a 0 em São Paulo. Também perdeu por 3 a 1 para o Santa Cruz-PE, em Recife, empatou aqui, no Castelão,  com o Santa Cruz (2 a 2) e com Botafogo RJ (1 a 1).

 Ficha técnica
Data: 22/02/84

  • Local: Rio de Janeiro – Estádio Maracanã
  • Jogo: Botafogo 0 x 1 Moto
  • Gol: Cândido aos 26 do 2º tempo
  • Árbitro: Afonso Victor Oliveira (PR)
  • Auxiliares: Edelmar Freire e Luís Durão (PR)

Botafogo: Luís Carlos; Josimar, Abel, Caxias e Paulo Roberto; Alemão, Berg (Ademir) e Otávio; Helinho, Bahia (Cláudio) e Té. Técnico: Didi

Moto: MaurÍlio; Bássi, Ribas, Hamilton e Antônio Carlos Paulista; Dias Pereira (Antonio Carlos Maranhense) e Lutércio; Cardosinho (Giba), Cândido e Zé Roberto. Técnico: Marçal Tolentino Serra

Flamengo de Zico não venceu o Papão

Todos os grandes times do futebol maranhense já jogaram no Estádio Maracanã. Destaque para o Moto Club de São Luís, que em duas oportunidades fez bonito: um empate diante do Flamengo e uma vitória sobre o Botafogo.

O Sampaio deu vexame nas duas vezes em que esteve no Mário Filho. Em 1976 foi goleado impiedosamente por 8 a 1 pelo Flamengo, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. O único gol tricolor foi marcado por Ferraz em cobrança de uma penalidade máxima.  Zico foi responsável por marcar em três oportunidades, Luisinho Lemos em duas, Paulinho, Rondinelli e Marciano deixaram um cada. Em 2002, pela Copa do Brasil, o Sampaio perdeu por 5 a 1 para o Fluminense.

O Sampaio Corrêa jogou no Rio de Janeiro  em 1991. Perdeu por 3 a 1 para o Botafogo, pela Copa Brasil, no Estádio Caio Martins. Em 93, Sampaio 1 x 2 Vasco, em São Januário; em 2002, o Tricolor caiu da série B para C, e no último jogo perdeu para o Americano por 2 a 0. O jogo foi na cidade de Campos. Em 1976, além da derrota para o Flamengo, no Maracanã, o time boliviano foi em Volta Redonda e perdeu por 5 a 1.

O MAC esteve em 1979 no Maracanã, jogando contra o Fluminense e sendo goleado por 6 a 0 . O time maqueano participou pela primeira vez do Campeonato Brasileiro naquele ano, tendo se classificado para fase seguinte da competição. Jogou, na segunda fase, contra dois times cariocas. Além da derrota para o Tricolor das Laranjeiras, perdeu por 5 a 0 para o Campo Grande.

Ficha técnica
Data:30/01/83

  • Jogo: Moto 1 x 1  Flamengo
  • Gols: Newton (Moto) , 38 Zico (Fla) de falta, ambos no 1º tempo
  • Árbitro:  Braulio Zanotto (PR)
  • Auxiliares: Edelmar Freire e Luis Durão, ambos do Paraná
  • Público: 23.774

Flamengo: Raul; Leandro, Figueiredo, Marinho e Junior; Andrade (Júlio César), Victor e Zico; Robertinho, Baltazar e Edson.

Moto: Samuel; Cabrera (Sarará), Sandoval, Guaraci e Tião Bahia; Tião, Zé Carlos e Raimundinho; Newton, Paulo Roberto. e Lutércio (Duarte).

VER COMENTÁRIOS
Concursos e Emprego
Notícia Boa
Checamos
Polícia
Gastronomia
Entretenimento e Cultura
Mais Notícias