CORONAVÍRUS

No Maranhão

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CORRIDA DE RUA

Como maranhenses apaixonados por corrida estão encarando a quarentena

Com a pandemia do novo coronavírus, corredores – profissionais e amadores – de todo o Brasil e do mundo tiveram que diminuir a velocidade e seguir as recomendações da OMS

Diversos corredores tiveram que mudar sua rotina por conta da pandemia do novo coronavírus

Na rua, na trilha, sozinho ou em grupo, a corrida de rua é uma modalidade esportiva que faz sucesso no mundo todo, e que pode ser praticada de forma fácil: no geral, um par de tênis apropriados e roupas leves são necessários para começar. Mas, com a pandemia do novo coronavírus, corredores – profissionais e amadores – de todo o Brasil e do mundo tiveram que diminuir a velocidade e seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta a suspensão de eventos, evitando, assim, aglomeração de pessoas e diminuindo as chances de propagação da Covid-19.

Para quem é adepto do esporte, o novo cenário é surpreendente e, também, desconfortável, já que é preciso paciência para se adaptar à realidade imposta pela pandemia. É o caso da contadora Maura Ferreira (47), corredora apaixonada pela atividade que faz parte da sua vida desde 2009.

“Com a quarentena, tive que deixar de correr longas distâncias e readaptar os exercícios que eu fazia, pois passei a treinar dentro do condomínio e dentro de casa. Com isso, acabei reduzindo imensamente o volume dos treinos”, conta a corredora, que antes da pandemia, se preparava para correr a Maratona de Boston, segunda mais antiga do mundo, e que deveria ter sido realizada no mês de abril, nos Estados Unidos. “Lidar com essa situação não está sendo fácil, pois eu gosto de correr, é o que me motiva”, lamenta Maura.

Maura pratica o esporte desde o ano de 2009

Prejuízos

Porém, os impactos do isolamento social não se restringem apenas a quem tem o esporte como fonte de lazer, mas também aos profissionais da área, pois a corrida de rua, além de trazer benefícios para saúde, como o melhor funcionamento das funções cardíacas e respiratórias, tem influência direta na economia brasileira, movimentando, por ano, cerca de R$ 1 bilhão, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“A pandemia trouxe prejuízos gigantescos para todos que trabalham com a corrida de rua: organizadores, assessorias, fotógrafos, patrocinadores e os próprios corredores. Se formos levar para a prática, a área faz uso de insumos como: kit atletas, sacolas ou sacochilas, camisas, medalhas e troféus; faz uso de cronometragem eletrônica como chips; uso de estrutura de tendas, portais, lonas de sinalização; e também emprega pessoas do ramo de recursos humanos, que dependendo do tamanho do evento, pode variar de 50 a 500 funcionários. Além disso, o esporte acaba beneficiando outros setores, como o setor do turismo esportivo”, explica Calixto Jr, sócio-diretor da empresa “Eu Corro”, que organiza a maior parte das corridas de rua na capital maranhense.

Calixto Jr, sócio-diretor da empresa “Eu Corro”

Aliás, é justamente com o setor de turismo que os corredores estão enfrentando mais um problema: o reembolso. Com o adiamento e o cancelamento de diversas provas, como as Maratona de Berlim (Alemanha), Boston (Estados Unidos) e de Barcelona (Espanha), além de outras competições nacionais, os atletas precisaram lidar com os critérios de reembolso das agências de viagem, companhias aéreas e hotéis, além de enfrentarem sentimentos como a frustração, que aparece com o interrupção de um sonho.

“O Maranhão é um estado que possui diversos atletas que são destaques internacionais. Sempre que houver provas em outros países, o nosso estado será representado. Boston e Nova York são o maior exemplo disso. Agora, com a pandemia, vários maranhenses tiveram os seus sonhos frustrados, além de terem o seu planejamento econômico afetado, pois foi preciso investir tanto na parte técnica, quanto na econômica, que envolve passagens e hospedagens”, destaca Rey Tavares, professor de Educação Física e treinador de um grupo de corrida em São Luís.

Rey Tavares, professor de Educação Física e treinador de um grupo de corrida

A corrida continua

Para quem gosta de correr e está com abstinência de adrenalina e endorfina, alguns profissionais recomendam que a prática da corrida seja mantida em novos ambientes: em casa, no condomínio e até mesmo no ambiente virtual.

“Hoje, já existe o Zwift Running, que é um simulador de corrida virtual. Ele pode ser acessado na esteira ou na rua, caso a pessoa tenha um bluetooth no relógio, sendo este utilizado para controlar os ritmos das voltas durante a corrida. É uma ótima opção para quem treina em esteira, já que o simulador mostra outros atletas treinando ao mesmo tempo em que você se exercita”, indica Rey Tavares.

Simulador de corrida virtual é uma ótima opção para quem não quer perder o ritmo das corridas

O retorno às ruas

Ainda não se sabe quando as ruas irão ficar cheias de corredores novamente, a previsão do retorno das corridas de rua é uma incerteza até para quem está nesse meio. Há quem diga que os eventos esportivos só irão voltar após a criação de uma vacina para a Covid-19, já outros enxergam uma movimentação lenta e pequena na classe.

“Há uma movimentação das assessorias e organizadores de provas em relação ao retorno. Inclusive, uma comissão foi criada pelas principais empresas que organizam corridas pelo Brasil, cuja reunião já resultou em um documento com os principais pontos a serem adotados para que os atletas tenham segurança”, comenta Rey Tavares, que, desde os primeiros casos do novo coronavírus em São Luís, vem pensando em protocolos de segurança para o tão aguardado retorno.

“Primeiramente, temos que saber que jamais será como antes, que deve haver preocupação em relação ao distanciamento social e em seguir as medidas de higiene já adotadas pelos órgãos responsáveis. Como sugestão, estão o uso da máscara antes, durante e após a corrida; a utilização do álcool em gel; correr sozinho, em duplas ou trios, sempre se preocupando em ficar ao lado do colega, jamais atrás ou à frente, já que o vento consegue espalhar o vírus por distâncias acima de 5 metros; os objetos pessoais deverão ficar com a própria pessoa; as largadas, provavelmente, serão por horários, separando em ondas e diminuindo, assim, a quantidade de pessoas; os pódios serão evitados; e os corredores, após o fim da corrida, seguirão direto para os seus transportes, evitando aglomeração”, opina o profissional.

Para Maura Ferreira, que compõe o grupo dos que sonham em voltar a correr nas maratonas da vida, é preciso ter paciência e saber encarar o momento como um período de ressignificação e motivação. “Quando gostamos de algo, precisamos ficar preparados para as adversidades que aparecem, por isso eu continuo treinando, mesmo que não seja como antes, pois, dessa forma, eu me mantenho focada naquilo que me faz bem, que é correr”, conclui.

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