Beach Soccer

Maranhense assume seleção peruana

Referência no beach soccer brasileiro, técnico Chicão Castelo Branco aceitou o que talvez seja o mais difícil desafio de sua carreira: comandar a Seleção do Peru rumo à Copa do Mundo

Foto: Reprodução

O ano de 2018 será bem diferente para o técnico Chicão Castelo Branco. Dono de uma extensa lista de títulos comandando equipes de futsal e de beach soccer, Chicão aceitou o que talvez seja o mais difícil desafio de sua carreira. Aos 40 anos, o profissional maranhense arrumou as malas e foi para o Peru. Lá, sua missão será a de levar a Seleção Peruana de Beach Soccer – hoje sem tradição no cenário mundial – para a próxima Copa do Mundo, em 2019. Mas, antes do Mundial, o selecionado peruano disputará a Copa América entre os dias 3 e 10 de março dentro de casa.

“Vou para lá com esse objetivo de fazer um trabalho e fazer com que a gente vá para a Copa do Mundo. Vai ser muito difícil, mas o Peru vai brigar. Vamos fazer um trabalho de formiguinha. Temos um ano e meio para colocar o time em condições de jogo. Eu nunca tive medo e acredito que a gente consiga isso. O objetivo é esse, se não fosse, eu nem sairia daqui”, revelou Chicão.

A decisão de partir em busca deste objetivo não é uma coisa recente. Ao jornal O Imparcial, revelou que sempre sonhou em comandar uma seleção nacional e que não poderia deixar essa oportunidade escapar. Ao dizer sim para o Peru, Chicão acredita que sua experiência no beach soccer à frente das seleções Maranhense e Brasileira (como auxiliar) e dos times do Sampaio Corrêa e Cruzeiro são pré-requisitos que o credenciam a alcançar qualquer objetivo.

Chicão tornou-se referência pelo trabalho e dedicação, marcas registradas de sua carreira. Como técnico de futsal, comandou as seleções maranhense Sub-15 e Adulto, tanto no feminino quanto no masculino. Além disso, tem passagens por Sampaio, Maranhão Atlético, Moto Club, CAD e Lítero. Foi professor, ainda, dos colégios Cipe e O Bom Pastor. Por onde passou, conquistou títulos.

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Talentos

Durante sua passagem pela Seleção Brasileira de Beach Soccer, Chicão Castelo Branco foi o responsável pela criação da Seleção Sub-20, que foi recentemente campeã do Sul-Americano da categoria. Além dos títulos, Chicão é conhecido por encontrar talentos, como foi o caso de Datinha, ex-pescador natural da cidade de Tutoia e, atualmente, um dos melhores jogadores do mundo de beach soccer. E por ter o dom de lapidar “diamantes brutos”, Chicão chega ao Peru também com a missão de fortalecer o beach soccer no país e encontrar joias peruanas. “A contratação de Chicão representa uma oportunidade de ouro para melhorar o desenvolvimento e o crescimento desta disciplina em nosso país, pois, além de treinar a equipe sênior, será responsável por revisar e contribuir para o plano estratégico de longo prazo”, disse presidente da Federação Peruana de Futebol, Edwin Oviedo.

“Uma das coisas que eu conversei com os dirigentes é que teríamos que fazer um projeto de evolução em busca do talento, como é feito aqui com o Circuito Maranhense. Vamos levar um modelo muito parecido para lá, onde vamos atrás dos jogadores para que eles joguem a modalidade. Temos que dar condição para isso”, afirmou Chicão ao O Imparcial.

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Entrevista

O IMPARCIAL – Como você está encarando este novo desafio à frente de uma seleção que não possui resultados expressivos no beach soccer? Qual a motivação para este novo trabalho?
CHICÃO CASTELO BRANCO – A motivação é tremenda. O pensamento é de um projeto de formação, de fomentação da modalidade lá. Vou para isso: implantar um projeto e fazer lá um beach soccer forte, um beach soccer maior do que já tem lá.
Então nesse projeto não é voltado apenas para a seleção principal? Envolveria seleções de base também?
A Sub-20 e a principal. É um projeto de desenvolvimento da modalidade lá. Acho que isso é o mais importante: formação de atletas, de técnicos, de árbitros. A gente vai promover a modalidade lá.

Você tem muita experiência por ter feitos excelentes trabalhos no beach soccer com o Sampaio Corrêa e as seleções Maranhense e Brasileira. Mas como é a aceitação do beach soccer no Peru?
A aceitação é boa. A Federação Peruana resolveu investir agora na modalidade. O Peru tem um time razoável com bons talentos. Acredito que eu consigo organizar esses talentos agora. Vamos em busca de novos talentos e aproveitar os que já estão na seleção. A seleção tem bons jogadores, uma boa equipe Sub-20, então vamos agora aprimorá-los e fazer com que evoluam. A grande questão agora é essa: fazer uma evolução no beach soccer do Peru.

Para quem não sabe, você era professor de educação física e de futsal no Colégio O Bom Pastor. Como foi essa saída?
Dei um até logo ao Colégio O Bom Pastor. Lá, eu tenho uma história. Foi lá onde eu comecei a trabalhar basicamente. Tenho mais de 20 anos de casa. Então, comecei, evoluí lá dentro da escola. É um sentimento de muita gratidão que eu tenho com eles.

E como foi a reação da sua família quando você falou do convite de dirigir a seleção do Peru?
Primeiro, todo mundo fica surpreso. Mas eu estou dizendo para todos que é um até breve. Vou em uma missão que, se Deus quiser, eu volto.

Você vai realizar um sonho de comandar uma seleção nacional. Depois disso, quais metas você ainda traça para sua vida?
São muitas metas, muitos sonhos. Estou realizando um deles que é dirigir uma seleção principal da modalidade. Vou para outro país, uma oportunidade muito boa para minha família, vamos ter uma vivência nova fora do país. Mas os sonhos são muitos, estão longe de acabar. Os sonhos eles vêm sempre. Gosto muito da questão da implementação de projetos, de montar, de começar do zero e levar a um nível bom. Acho isso muito legal. Acho que o principal são os títulos, todo mundo gosta dos títulos, das medalhas, mas você fazer a implantação e a melhora de uma modalidade no país é algo muito importante, muito sério. E eu espero dar conta.

Aqui no Maranhão, você virou referência no beach soccer mesmo tendo conquistado muitos títulos com equipes de futsal. Você foi o responsável por ter descoberto bons jogadores como Datinha e Eudim. Como é que vai ser o teu trabalho no Peru?
Uma das coisas que eu conversei com os dirigentes é que teríamos que fazer um projeto de evolução em busca do talento, como é feito aqui com o Circuito Maranhense. Vamos levar um modelo muito parecido para lá, onde vamos atrás dos jogadores para que eles joguem a modalidade. Temos que dar condição para isso. Acho que isso é o principal.

Vai levar pessoas de confiança para este novo desafio?
Por enquanto, eu vou com minha família apenas e depois eu vou ver como vou fazer.

Recentemente, você havia assumido o comando da Federação de Futsal do Maranhão (Fefusma). E agora?
Eu pedi um afastamento e o Alex Ricarte assume a federação. Ele era o vice-presidente e era quem estava tocando a federação nesses últimos tempos. Ele vai dar continuidade ao trabalho.

Pelo que você conhece do momento atual da seleção peruana e do teu potencial como técnico, é possível sonhar em ter o Peru na próxima Copa do Mundo?
Claro, com certeza. Vou pra lá com esse objetivo, de fazer um trabalho e fazer com que a gente vá para a Copa do Mundo. Vai ser muito difícil porque tem o Brasil, o Paraguai, Argentina, Uruguai, o Equador, mas o Peru vai brigar, se Deus quiser. Vamos fazer um trabalho de formiguinha. Temos um ano e meio para colocar o time em condições de jogo. Eu nunca tive medo e acredito que a gente consiga isso. O objetivo é esse, se não, eu nem sairia daqui.

Você pretende fazer intercâmbio da tua equipe com o Brasil, por exemplo?
Com certeza. A gente precisa fazer com que eles joguem com atletas de alto nível. Então, é de suma importância trazê-los para treinar e jogar no Brasil. Acho que isso é muito importante e está nos planos.

E uma mensagem para o ano de 2018, que começa com grandes mudanças na sua vida.
Temos que acreditar nos nossos sonhos sempre. Além disso, correr atrás, não ter medo dos desafios. Encarar os desafios que a vida bota nas mãos da gente, porque se eu não aceitasse, talvez fosse a última oportunidade que eu teria de dirigir uma seleção principal. A Seleção Brasileira tem um grande técnico, uma grande comissão técnica na qual eu estava lá. Vou esperançoso de fazer um grande trabalho.

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