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CULTURA

Relembre os cinemas históricos da capital maranhense

As duas últimas salas que priorizavam os filmes de produção independente e de qualidade, encerraram suas atividades

Reprodução

Na segunda metade do século XIX e século XX, São Luís tinha como sua principal opção de lazer o cinema, com muitas salas de exibição. Destacando-se o Cine Éden, que no ano passado, se ainda estivesse em atividade, teria completado cem anos. Hoje só existe cinemas nos shoppings center, que exibem, com prioridade, produções estrangeiras.

Cine Éden – foto: Douglas Júnior

As duas últimas salas que priorizavam os filmes de produção independente e de qualidade, encerraram suas atividades. Estes cinemas eram o Cine Praia Grande, que atendia programações culturais eventuais, sem exibição regular de filmes, mas atendendo , programações previamente agendadas. O Cine Lume, do cineasta Frederico Machado, que mantinha uma regular programação de filmes de qualidade.

O professor Euclides Moreira Neto, avalia que com crise provocada pela pandemia de Coronavírus, as atividades do Cine Lume foram paralisadas e aquele espaço poderá fechar as portas definitivamente, se não houver socorro por meio dos gestores públicos, visto que a manutenção do cinema tem custos que se tornam impossível sanar, sem que ele esteja funcionando, já que há quatro meses não arrecada nada para pagar aluguel, energia, água, pessoal etc.

Derrocada em cadeia

Os grandes cinemas com suas salas imponentes e glamourosas passaram por um processo de falência e foram fechando suas portas, e hoje se perdem nas lembranças dos mais velhos e desconhecimento das novas gerações. O Cine Éden, ao ser construído, se destinava a ser um teatro, sendo de propriedade da Empresa Teatral Cinematográfica, passando depois para o empresário Moysés Aziz Tajra, de descendência libanesa, que o adquiriu do Grupo Matos Aguiar.

Moysés Tajra se tornou o maior empresário do ramo dos cinemas da capital. Adquiriu o Cine São Luís, na Rua do Passeio, e passou a denominar-se Cine Rialto.

Em 1939 inaugurou o Cine Roxy, situado na Rua do Egito, exibia bons filmes e mantinha uma sessão semanal intitulada Cinema de Arte, visto se destinava aos grandes clássicos do cinema mundial. Estas sessões eram preferidas pela elite da cidade, que ali se fazia presente com as mulheres em trajes impecáveis e os homens, em sua maioria, de ternos.

Cine Roxy

Já tinha também o Cine Rival, situado na Rua Osvaldo Cruz, na esquina com o Largo do Carmo, que era popular e frequentado, predominantemente, por homens. Só atendia mulheres no período da Semana Santa, quando exibia o filme “Paixão de Cristo”. Depois o Cine Rex, no João Paulo, o Cine Rivoli, no Anil e outro cinema na cidade de São José de Ribamar, na região metropolitana de São Luís. Todos fechados.

O Cine Éden foi inaugurado em 19 de abril de 1919 e encerrou suas atividades em 1984. Durante os 65 anos de funcionamento, o Cine Éden exibiu os principais lançamentos das mais importantes produtoras cinematográficas do mundo. O Éden tinha capacidade para 1200 lugares e, vez por outra, cedia seu espaço para apresentações de cantores nacionais e internacionais. Sempre no período do carnaval, realizava bailes vesperais destinados às crianças e adolescentes.

O espaço das chanchadas

Outra importante sala era o Cine Teatro Arthur Azevedo, de propriedade do Estado e alugado para a Empresa Duailibe. Ali recebia as companhias teatrais brasileiras e estrangeiras, assim como os grupos locais de teatro amador. Era única em exibir as chanchadas brasileiras produzidas pelas Cinedistri, Cinelândia, Atlântida e outras. As sessões eram contínuas e sempre com a sala cheia, visto que o público buscava diversão com as comédias estreladas pelos atores e comediantes renomados com Oscarito, Grande Otelo, Ankito, Mazzaropi, Anselmo Duarte, Cyll Farney, Zezé Macedo, José Lewgoy, Eliane, Sonia Mamede, Violeta Ferraz, Renata Fronzi, Chico Anysio, Zé trindade, Marly Bueno, o palhaço Carequinha, Dercy Gonçalves e outros.

As chanchadas prevaleceram durante a década de 50 e no início dos anos 60 deram vez para o chamado Cinema Novo e como fim da censura, para as pornochanchadas. Assim, chegou ao fim a era de ouro das comédias inocentes das chanchadas. Este gênero era muito preferido porque sempre exibia shows com cantores e cantoras desconhecidos em nosso estado, visto não existia ainda a televisão, assim todos tinham a oportunidades de conhecer Nelson Gonçalves, Ivon Cury, Trio Irakitan, Angela Maria, Jorge Goulart, Francisco Carlos, Nora Ney, Blecaute, Agostinho dos Santos, Anísio Silva e outros, que faziam grande sucesso no rádio brasileiro.

A Empresa Duailibe construiu também o Cine Monte Castelo, que fechou e no seu prédio funcionou uma igreja evangélica e agora permanece fechado; e o Cine Passeio, onde funciona uma sapataria.

Cine Monte Castelo
Cine Passeio

Festival Guarnicê online

A exemplo de outras atividades da cadeia produtiva cultural do Maranhão, o cinema foi seriamente afetado, a partir das mostras que promovem a sétima arte, como o Festival Guarnicê de Cinema que esse ano será realizado em outubro por meio das redes sociais, com um formato diferenciado e sem a presença de público e com a participação on line digitalmente. O festival é um evento de grande importância cultural para São Luís, atraindo para cidade grande público, notadamente cineastas e turistas sedentos das novidades do mercado cinematográfico, em especial do cinema cultural brasileiro e maranhense.

O professor Euclides Barbosa Moreira Neto, que por muitos anos esteve à frente do Festival Guarnicê de Cinema, avalia que a pandemia do Coronavírus afetou, decisivamente, o Festival Guarnicê, como afetou as demais atividades do campo cultural e que agora, resta aguardar e esperar para ver como se comporão os praticantes desse campo de atuação.

Afirma Euclides Moreira Neto que, para este ano, muita gente já havia preparado seus produtos para participar da mostra. “ Por isso mesmo que o Festival Guarnicê de Cinema vai ocorrer de maneira on line digitalmente, com um distanciamento muito grande entre o realizador e o público, portanto não teremos o calor humano e nem a troca de experiências, como ocorria nas edições anteriores”, asseverou.

Por isso mesmo que o Festival Guarnicê de Cinema vai ocorrer de maneira on line, digitalmente, com um distanciamento muito grande entre o realizador e o público. Portanto não teremos o calor humano e nem a troca de experiências.

O cinema ambulante

Um fato interessante foi a prática do cinema ambulante, em São Luís.

O professor doutor Marcos Fábio Belo Matos, diretor de Comunicação e Vice- Reitor da Universidade Federal do Maranhão, em uma pesquisa histórica, realizada entre 1998-200, ganhadora do XXIV Prêmio Histórico e Artístico Cidade de São Luís, fala do cinema ambulante(fase dos primórdios do cinema no mundo que no Maranhão vai de 1898 a 1909) é, ao lado de outros aspectos, parte de uma conjuntura maior: a chegada da modernidade , no Maranhão.

Com ele, chegaram elementos como as fábricas, um rol de invenções como o telefone, o telégrafo, o fonógrafo, a bicicleta, o automóvel, coincidindo com a chegada do século XX.

Em sua pesquisa, o professor Marcos Fábio faz uma análise do discurso sobre o cinema ambulante e sobre a modernidade maranhense.

A origem do cinema

Não há dúvidas de que o cinema foi originado na Antiguidade, quando os homens já se encantavam com os movimentos das sombras, motivando a criação do Teatro de Sombras, e fazendo com que inventores dos Estados Unidos e da França, se empenhassem no desenvolvimento de aparelhos para captar e projetar imagens em movimento. Daí, então, surgiram a Lanterna Mágica, o Praxinoscópio, o Cinetoscópio, o Cinematógrafo.

Porém, foram os irmãos Louis e Auguste Lumiére, de nacionalidade francesa, que pesquisaram e aperfeiçoaram as primeiras câmaras fotográficas, contribuindo para a invenção da fotografia colorida e chegaram ao invento mais importante, o cinematógrafo, com que começaram a realizar seus primeiros filmes.

Deste modo, no dia 28 de dezembro de 1895, no Grand Café, em Paris, realizaram a primeira projeção cinematográfica, em sala escura, de dez fitas de curta duração, destacando-se “ A Chegada do Trem à Estação de La Ciotrat” ou “A Saída dos Operários da Fábrica Lumiére”. A também francesa Aline Guy-Blaché, foi a primeira a explorar comercialmente o cinema. Ela produziu cerca de mil obras e o seu primeiro filme foi “ A Fada dos Repolhos”, baseado em um conto popular. O seu filme mais importante foi “ A Vida de Cristo”, de 1906, que teve 300 figurantes. Aline Guy-Blanché morreu no esquecimento em 1968.

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