LITERATURA

Novo livro de Chico Buarque vai falar sobre política

O romance chega às livrarias na próxima quinta (14)

Reprodução

Manuel Duarte, escritor de 66 anos, está há três em atraso com a entrega do original de seu novo romance. Endividado, sofrendo de prostatite aguda e ameaçado de despejo, ele tem um filho pré-adolescente e duas ex-mulheres.

A tradutora Maria Clara é mãe do filho de Duarte e dona do cachorro Faulkner. Mulher de esquerda, confessa ao ex: “Sinto falta de um amigo com quem partilhar meu inconformismo em relação ao que estão fazendo com nosso país. Será que ainda teremos nossa correspondência violada? Será que ainda incendiarão nossos livros?”.

Quando se reaproxima da tradutora, Duarte percebe que ela “deu para comprar drogas sem receita em farmácias clandestinas” e passou a consumir grandes quantidades de “ansiolíticos, soníferos e antidepressivos”. Adquiriu também um revólver.

Duarte e Maria Clara ficaram casados por 13 anos e estão separados há três, tempo em que o escritor viveu com a decoradora Rosane, que o trocou por Napoleão Mamede, “um velho que fez fortuna com soja na Amazônia”. Com a mulher de quem recém se separou, Duarte mantém um contato ora hostil ora voluptuoso.

A decoradora confessa: “Eu, Rosane, que sempre fui uma tonta, passei a me interessar por discussões acerca dos rumos do país”. Isso se deu a partir da convivência com Napoleão e seu círculo de amigos. E foi quando Rosane instalou na sala de seu apartamento uma escultura dourada cujo torso ela vestiu com “uma faixa verde-amarela” e à qual passou a se referir como “meu presidente”. Estamos em setembro de 2018.

Entre os amigos de Napoleão Mamede está Fúlvio Castello Branco, ex-colega de Duarte no Colégio Santo Inácio, hoje no comando de uma “banca de advocacia que tem clientes poderosos”, casado com uma mulher “que é podre de rica e implica com gente rica” e que reage à mendicância espancando os pedintes. Um de seus clientes é Mamede, cujo filho certa vez teve a ideia de aterrissar no Santos Dumont “com 80 quilos de cocaína no jatinho do pai”. Fúlvio conseguiu abafar o escândalo.

Alvo de chacota em sua época de colégio “por ser o único com pau invertido na classe” – guardava-o “do lado direito da calça” –, o escritor se espanta ao saber que o filho sofre bullying dos colegas não por uma especificidade anatômica, mas pelo posicionamento político de seus pais.

Duarte confessa: “Se meu filho quiser, posso comparecer à próxima reunião de pais e professores com uma camisa da Seleção Brasileira. O menino, no entanto, tenciona se transferir para uma escola pública na favela, onde ninguém o recriminará por ter genes de comunista”.

Essa gente povoa o novo romance de Chico Buarque, que chega às livrarias na próxima quinta-feira (14). Com uma história que transcorre entre 2018 e 2019, o livro é impregnado da atmosfera do país nesse período. Mas o cerne de Essa gente não são as particularidades de uma experiência coletiva num momento tenso da vida brasileira.

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