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Maranhão se firma como pioneiro na implantação da primeira universidade indígena em território tradicional

Terceira escuta para o Plano de Desenvolvimento Institucional da universidade foi concluída nesta sexta, no território Araribóia, com apoio da Fapema.

Escuta realizada na sede do Instituto Tukán, no território Arariboia, no município de Amarante (Foto: Divulgação)
Escuta realizada na sede do Instituto Tukán, no território Arariboia, no município de Amarante (Foto: Divulgação)

O Maranhão se consolida como berço de um projeto inédito no país e no mundo: A criação da primeira universidade indígena em território tradicional. Coordenado pelo Instituto Tukàn e com apoio do Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), o projeto avança com a realização da terceira escuta participativa, etapa fundamental na construção do Centro de Saberes Tentehar. A escuta foi realizada quinta-feira (29) e sexta-feira (30), na sede do Instituto Tukán, no território Arariboia, no município de Amarante, e reuniu mais de 80 indígenas – entre professores, gestores, estudantes e lideranças.

A construção desse modelo universitário representa uma conquista histórica para os povos originários do Maranhão. Desde as primeiras escutas, realizadas nas dez macro-regiões indígenas do estado, lideranças, anciãos, jovens e organizações de base, vêm participando ativamente da elaboração coletiva do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). O processo integra saberes ancestrais e conhecimento científico, em um formato inovador de educação superior. Nesta etapa da escuta, destacou-se a participação ativa de professores e gestores de escolas indígenas.

O PDI está sendo estruturado a partir das contribuições colhidas nas quatro escutas, respeitando a diversidade e as especificidades culturais dos povos envolvidos. “É motivo de muita alegria e orgulho para nós que este projeto-piloto, que hoje é um programa de Estado, esteja sendo discutido dentro do nosso território. É motivo de orgulho para o povo Guajajara e para todos os povos indígenas do Maranhão. Nossa missão é fazer com que essa construção coletiva dê certo, para que outros territórios também tenham a oportunidade de pensar e criar suas próprias universidades”, destacou Fabiana Guajajara, diretora do Instituto Tukán, que agradeceu o apoio do Governo do Estado e da Fapema.

A universidade representa um modelo sem precedentes, segundo o presidente do Instituto Tukán, cacique Sílvio Santana da Silva . “Não existe ainda uma universidade indígena implantada dentro de uma terra indígena. Temos cursos de formação intercultural, mas agora estamos construindo a nossa universidade em nosso território. É uma universidade para os parentes que não têm oportunidade de sair para estudar e que querem permanecer em suas comunidades”, disse.

“O apoio da Fapema neste projeto demonstra o compromisso do Governo do Maranhão, sob a liderança do governador Carlos Brandão, com a valorização da cultura indígena e a autonomia dos povos originários. A escuta é fundamental para que a universidade nasça de acordo com as reais necessidades das comunidades”, afirmou o presidente da Fapema, Nordman Wall. O PDI está sendo realizado com o apoio da fundação, por meio de acordo de cooperação, firmado com o instituto, em outubro do ano passado.

Gustavo Costa, professor da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e coordenador do projeto, destacou o significado simbólico e prático do processo. “A cada escuta, com a participação ativa das lideranças, a universidade vai ganhando corpo, forma e sentido. Não apenas para nós, mas para todos os territórios por onde passamos. Já se sabe que existe uma universidade indígena em construção no Maranhão, e é apenas uma questão de tempo para que ela comece a funcionar, oferecendo cursos e desenvolvendo pesquisas para preservar as culturas e tradições dos povos indígenas”, frisou.

Educação, saberes e valorização

O Centro de Saberes Tentehar Tukán, associação civil sem fins lucrativos, atua gratuitamente para promover o desenvolvimento humano das comunidades indígenas da Terra Indígena Araribóia, e de outros territórios no Maranhão, com foco em educação, cultura e assistência social.

Segundo dados do IBGE (2022), a população indígena do Maranhão ultrapassa 57 mil pessoas, distribuídas por 210 municípios – sendo Amarante o que concentra o maior número. O projeto da universidade surge para responder às demandas específicas dessa população, criando um espaço acadêmico voltado ao fortalecimento cultural e ao desenvolvimento sustentável das comunidades.

Mais do que uma instituição de ensino, o Centro de Saberes Tentehar Tukán representa um marco político e social, reafirmando o protagonismo indígena na construção de seu próprio futuro.

*Fonte: Governo do Maranhão