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ECONOMIA

Inadimplência sobe e juros de cheque especial e cartão de crédito caem

Efeito da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, compra à vista dos consumidores recua 23,5% em maio. Crédito para aquisição de veículos despenca 50% no mês

Cartões, dinheiro e cheques. (Foto: Marcos Santos/USP)

O impacto da pandemia do novo coronavírus na economia provocou aumento na inadimplência em abril e queda nas compras à vista com cartão de crédito e na aquisição de veículos, com redução nas taxas de juros. Segundo a nota de estatísticas monetárias, divulgada nesta quinta-feira (28/5) pelo Banco Central (BC), a concessão de crédito caiu 16,5% em abril, com recuo de 21,1% para pessoas jurídicas e redução de 13,2% para pessoas físicas, o que reforça a dificuldade de acesso a empréstimos justamente no pior momento da crise.

De acordo com Fernando Rocha, chefe de Estatística do BC, a nova conjuntura começou a ter efeito em março. “Em abril, há impacto cheio sobre as estatísticas de crédito”, explicou. A inadimplência vem subindo desde fevereiro, quando estava em 3,6%, para 3,9% em março e 4% em abril. “Estamos num momento de crise. Em relação às pessoas físicas, isso, em geral, representa menos renda, ou por perda de emprego ou redução de jornada e salário, como a gente está vendo agora. Embora eu não possa ser preciso sobre quanto mais vai subir, a perspectiva é de vai aumentar”, disse.

Outro efeito da crise é apontado pela redução nas compras à vista com cartão de crédito. O saldo recuou 13,9%, ou R$ 27 bilhões, em abril, e as concessões, que são relativas aos gastos efetivamente feitos a cada mês, recuaram 23,5%. “Isso está correlacionado com a redução nas compras dos consumidores e têm a maior contribuição para queda no saldo das pessoas físicas no mês”, explicou Rocha. Houve redução de 0,9% no saldo de pessoas físicas (R$ 2 trilhões). Para pessoas jurídicas, houve expansão de 1,2% na carteira (R$ 1,6 trilhão).

Como o rotativo é aquele saldo da compra feita e não paga, quando há redução nas compras à vista, o reflexo é menos valores não pagos para alimentar o rotativo. Isso impactou na queda das taxas de juros. “É uma informação pontual para o mês de abril, não podemos dizer que é uma tendência”, ressaltou o Rocha. Ainda assim, os juros são proibitivos. No rotativo regular, as taxas caíram para 269% ao ano em abril. Estavam em 290,1% a.a., em janeiro, 292,4% a.a., em fevereiro, e em 297,9% em março. No total, considerando regular e não regular, os juros caíram de 327,1% ao ano em março para 313,4% em abril.

Cheque especial

No cheque especial, após a regulamentação do BC, que limitou juros em 150% ao ano e 8% ao mês, a taxa média vem caindo. Passou de 150% ao ano em fevereiro para 130% ao ano em março e, em abril, caiu para 119% ao ano, ou 6,8% ao mês. “Há redução no saldo, nas concessões e na taxa de juros. Mesmo assim, é uma linha de taxas muito altas e deve ser evitada”, recomendou Rocha.

A crise também postergou compras de bens duráveis. “Houve redução do saldo e das concessões de crédito para aquisição de de carros, que caíram 50% em abril. Isso está em linha com tudo o que temos visto no setor automobilístico e no comportamento das pessoas”, afirmou. Houve, contudo, um ligeiro aumento das taxas juros em 0,6 p.p. para 20,4% ao ano.

Empréstimos 

No crédito consignado, a taxa de juros caiu ao menor nível da série, para 20,1% ao ano. “Para o setor público, passou de 18,2% em março (o menor patamar da série), para 18,3% em abril”, assinalou o chefe de estatísticas do Banco Central.

Segundo ele, na concessão de crédito para empresas, houve alta de 1,2%, fundamentalmente pelo desempenho de capital de giro, que responde por 36% do total. O maior aumento foi na parcela de até 365 dias, cujo saldo aumentou 44% em abril. “Parece fazer sentido na atual conjuntura. As empresas querem o caixa mais fortalecido para passar por período de incerteza limitado, diante da perspectiva de redução das suas receitas”, destacou.

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