CINEMA

Cinépolis inaugura Sala Vip em São Luís

Filme “O Destino de uma Nação” inaugura a sala Vip do Cinépolis em São Luís, mostrando a atuação de Gary Oldman na pele do líder inglês Churchill em pleno avanço dos Alemães na Segunda Guerra Mundial

Foto: Reprodução

São Luís ganha uma das melhores salas de cinema do Brasil. Acontece hoje, a partir das 19h, a inauguração da sala do Cinépolis Vip, no São Luís Shopping, Jaracati. O evento contará com a presença do presidente do Cinépolis, Luiz Gonzaga de Luca, que na oportunidade vai conversar com a imprensa e convidados sobre a expansão da rede no Brasil e os investimentos que o segmento tem feito para melhor atender ao público.

Sala de Cinema Vip do Cinépolis. Foto: Reprodução

A sala estreia com o filme O destino de uma nação, que conta parte da vida de Winston Churchill (1874-1965), na perspectiva de ser um herói da Segunda Guerra Mundial que retrata não só a imagem do líder inglês mordaz, de frases e estratégias geniais na bela atuação de Gary Oldman que consegue unir estas duas facetas do herói e do homem falho. O filme estreia hoje. O ator inglês de 59 anos ganhou o Globo de Ouro de melhor ator em filme dramático no domingo, 7, e desponta como um dos nomes cotados para indicação ao Oscar. Seria a sua segunda indicação, depois de O espião que sabia demais (2012), mas agora com mais chances de vitória.

Na trama, Oldman vive Churchill, um político britânico nomeado ao cargo máximo do país, na era mais sombria para a Inglaterra, quando Hitler dominava a França durante a Segunda Guerra Mundial. Milhares de soldados britânicos ficaram ilhados, precisando ser resgatados por barcos civis, trecho da história narrado no blockbuster recente Dunkirk, de Christopher Nolan – que forma com este uma dobradinha histórica interessante, independente dos tons díspares das duas produções.

A interpretação de Oldman mostra-se cuidadosa em evitar exageros e é nos pequenos detalhes que estão os grandes destaques. No olhar, ora confuso, ora imperativo, de um político que precisa lidar com uma situação delicada em um momento conturbado. Ou usando a voz nos momentos que necessita demonstrar confiança, sendo enérgico e contundente. Em postura, quando está diante do rei George VI (Ben Mendelsohn de Rogue One: Uma História Star Wars), que é ao mesmo tempo submisso e provocativo. É o detalhe que evidencia a excelência de Gary Oldman, indo de um ponto ao outro, às vezes na mesma cena.

O destino de uma nação conta, sob outra perspectiva, a mesma história de outro filme de sucesso deste ano: Dunkirk. É o momento frágil da Grã-Bretanha em 1940, quando Hitler tomou de assalto a Europa continental e encurralou quase todo o exército inglês no litoral da França. Dunkirk, de Christopher Nolan, mostra o lado militar: como o exército ficou desesperado para sair do massacre na praia francesa. Já O destino de uma nação mostra o desespero dos políticos em Londres com a expansão e a superioridade das forças nazistas. Ninguém confiava muito no novo primeiro-ministro, Churchill, para salvar a Inglaterra dessa encrenca.

O grande drama, não muito contado em aulas de história, foi como a Grã-Bretanha chegou pertinho de jogar a toalha e assinar um acordo de paz com a Alemanha. Eles dariam a Europa de bandeja a Hitler na tentativa de evitar um desastre maior para a ilha. Churchil foi o maior adversário desse plano, mas também chegou a vê-lo como alternativa real.

O Destino de Uma Nação segue sempre em frente em uma tensão de contagem regressiva. Diálogos eloquentes evitam que conversas políticas e estratégicas sejam enfadonhas, enquanto seu protagonista se revela além das polêmicas, naturalmente romantizado pela ficção, mas extremamente humano. É um filme que não se limita por suas ambições e nem tem medo de entreter. Consciente, não se contenta em usar a atuação de Oldman como base, trabalha para engrandecê-la a cada cena por uma soma de habilidades – atuação, direção, roteiro – cujo produto não é apenas um retrato único de Churchill, mas de um momento-chave da história.

Histórias de resistência

Foto: Reprodução

O diretor Joe Wright é conhecido por um nicho específico (esse é tão detalhado que não tem nem categorias do Netflix): filmes de época adaptados de romances consagrados estrelados por Keira Knightley: Orgulho e preconceito, Desejo e reparação, Anna Karenina.

Mesmo sem Keira aqui, Joe segue a pegada de novela das seis: narrativa mais tradicional e pomposa, com direção de arte caprichada. A maquiagem é um trunfo para transformar Gary Oldman no velhinho rechonchudo sem lembrar Uma babá quase perfeita.

Não é aquela coisa inovadora e de tirar o fôlego de Dunkirk. São filmes bem diferentes, mas mesmo assim é curioso que a mesma história de 1940 tenha sido contada duas vezes justo agora, com boa repercussão em ambos os casos. Ainda mais que o tema tem pouca conexão direta com temas sociais atuais que reverberam em Hollywood hoje.

Talvez o apelo seja uma palavra muito usada tanto na cresente oposição aos governos da Inglaterra e dos EUA atualmente: resistência. Pessoas que, em situações muito adversas, conseguiram manter a calma e mobilizar outras, entre erros e acertos, para tentar reverter a situação tenebrosa. É isso que o Churchill humano de um lado e o seu exército em retirada do outro mostram.

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