

No último dia 29 de março do corrente ano, comemoramos o aniversário de 88 anos de nossa bela cidade de Barreirinhas. Como acontece nessas ocasiões, vários eventos festivos de exaltação, lembranças e projeções, foram realizados. Houve encontros de estudos, debates e análises sobre o momento que se vive na cidade. Participou também desses eventos a Academia de Letras, Artes e Ciência de Barreirinhas, da qual sou um dos seus membros, então representada, na ocasião, pelo seu eminente Presidente Ronildo Calisto.
Em um desses eventos em que participei, no caso um café da manhã, dedicou-se à troca de ideias e reflexões sobre os componentes sociais, econômicos e produtivos da região. Em razão da própria data que se comemorava, campearam os aspectos históricos e contemporâneos da cidade. Até porque, além de membros da Academia de Letras, estavam presentes ainda, membros do Instituto Histórico e Geográfico, do Centro dos Direitos Humanos de Barreirinhas e do Instituto Rio Preguiças.
Na ocasião, um dos presentes, o historiador Jorge Mendes, levantou a seguinte questão: “Os 88 anos de Barreirinhas que hoje se comemoram, qual o marco inicial dessa contagem?” De fato. Barreirinhas não tem apenas 88 anos. Conta-mos a história que a cidade nasceu ainda em meados do século XVII. Outro renomado historiador e escritor de nossa terra, Baial Ramos, em sua valiosa obra História de Barreirinhas, registra que o povoamento de Barreirinhas iniciou-se ainda no período colonial, durante a passagem dos Jesuítas no Maranhão, quando o governo imperial se esforçava para fazer o povoamento das províncias.
Face ao receio de invasões estrangeiras, já sinalizadas pelo domínio francês que antes houvera fundado e se instalado na capital da Província do Maranhão, São Luís, essas terras eram distribuídas pela Coroa Portuguesa através do sistema das sesmarias, para instalações de fazendas destinadas a exploração agrícola com o trabalho de mão de obra escrava. Tudo começou, como também registra essa importante obra, com a vinda dos primeiros colonos de outras localidades da região como Brejo, Tutóia, São Bernardo e Miritiba. Alguns vieram até da capital, São Luís, por via marítima, ingressando através do Rio Preguiças. Esses povoamentos se deram, notadamente, a partir da fazenda Santo Inácio, no povoado Santo Antônio, e da fazenda Santa Cruz, no povoado do mesmo nome.
Daí então, através da Lei Provincial n. 481, assinada pelo Vice-Presidente da Província, João Pedro Dias Vieira, foi criada a Freguesia de Barreirinhas em 18 de junho de 1858, isto é, há 168 anos. A formação territorial deu-se então com partes dos então distritos de Brejo, Tutóia, São Bernardo e Miritiba, este último, hoje Município de Humberto de Campos. Sua sede instalou-se às margens do Rio Preguiças, mais precisamente onde hoje se localiza a Praça da Matriz, antes batizada de Praça Zacarias Castro. Nessa época, Barreirinhas já tinha uma população de 7.474 habitantes, cujo nome Barreirinhas, deveu-se às inúmeras formações de dunas e barreiras de areia que ainda hoje se destacam na antiga porta de entrada da cidade, no bairro Ladeira, com o Morro da Ladeira.
Titula-se como o grande iniciador da organização e administração da Freguesia de Barreirinhas o Major Estevão de Castro, enviado pelo governo central devido às preocupações com as revoltas que se projetavam com os movimentos abolicionistas que então se espalhavam em todo o país. O nome da primeira praça, Zacarias Castro, foi uma homenagem a um filho desse major. Integra também a história de Barreirinhas o povoado Tapuio, que na época abrigava a aldeia Tapuias e servia de acampamento do destacamento do Major Estevão de Castro.
Em 14 de junho de 1871, através da Lei n. 951, a Freguesia de Barreirinhas foi elevada à categoria de Vila, com a denominação de Vila Nossa Senhora da Conceição de Barreirinhas. Em junho de 1872, pela Lei n. 905, a Vila de Barreirinhas passa a ser Comarca. Foi então que ocorreu a emancipação política e a criação do Município de Barreirinhas, no dia 29 de março de 1938, por Decreto-Lei n. 45, assinado então pelo interventor do Maranhão, Paulo Martins de Sousa Ramos.
Assim, a partir de 29 de março de 1938, Barreirinhas teve sua criação oficial e sua emancipação política, com a figura do Prefeito, então nomeado pelo Governo do Estado, com a consolidação da Câmara de Vereadores, antes já existente, com a função de administração da cidade, a presença de juiz e promotor na cidade. Contando, portanto, a partir daí, esse período e aniversário de 88 anos da Cidade de Barreirinhas.
Das origens de ontem, com os índios Caetés e Tapuias, seguida dos portugueses e os afrodescendentes, habitantes primeiros que foram das dunas, lagos e margens do Rio Preguiças, fulgura hoje essa nossa terra de belezas naturais e gente culta, alegre e trabalhadora. Sempre com muita ternura, sabedoria e cordialidade, exemplo que tanto identificam o povo maranhense. São características essenciais para esse ambiente receptivo em que os visitantes se deleitam desde as lagoas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, passando pela suavidade do Rio Preguiças, e pela leveza das dunas, chegando até as prais que se projetam a partir de Caburé e Atins. Barreirinhas, hoje classificada entre as 16 cidades de maior população do Estado, com mais de 68 mil habitantes, recebeu mais de 30 mil turistas apenas nos primeiros meses deste ano.
Parabéns Barreirinhas!