
Ainda sob as festas que marcam o encerramento da 23ª edição da copa do mundo de futebol, realizada pela primeira vez em três países: México, Canada e Estados Unidos, que teve participação de 48 seleções nacionais, número Record até aqui. Com representantes de cinco continentes, apenas a Oceania não esteve presente. Numa quadra histórica marcada pela já cansada Guerra da ucrânia, a “interminável” disputa territorial, religiosa e econômica entre Árabes e Judeus e a saga imperialista que representa a guerra dos EUA contra o IRÃ.
Enquanto México e Canada deram aula de civilidade, o Trampismo humilhou africanos, com revistas desnecessárias, obrigou a seleção iraniana a vexames, proibiu arbitro Somale, com argumentos frágeis de participação daquele com o crime organizado, e até, interferiu vergonhosamente na Fifa, para a retirada de cartão amarelo recebido por atleta americano. Com este procedimento reacendeu o debate sobre identidade nacional e lutas políticas ideológicas, num mundo cada vez mais globalizado e euro centrista, que se diga, não se resume ao futebol: está presente nos padrões de consumo, na cultura e no comportamento. É o mundo conectado em rede que começa a estabelecer padrões universais.
Foi uma copa de recordes: 104 partidas realizadas, média de 2,96 gol por jogo. O astro francês Mbappé foi coroado como maior goleador de todas as copas e representou a despedida de astros na dimensão de Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo, para escancarar a porta para a chegada de Lamine Yamal, Vini Jr. e outros e por final, sepultou de vez, assim espero, a tentativa de destronar o negro, isto mesmo, o nosso pretinho PELÉ da condição de Rei do Futebol, mais por ser negro que pelas qualidades de atleta.
Se quiserem medir vamos aos números e fatos; na época de Pelé, o campo de jogo, mesmo oficial, era maior que as dimensões atuais. A pelota, de couro cru, tinha um peso bem maior que hoje. O tempo que a bola permanecia em efetivo jogo era quase a metade de hoje, em função da chamada “cera”. Não se falava em acréscimos nos dois tempos da partida, que somam, quase sempre, em torno de 15% do normalmente estipulado. Assim, para cada cem partidas jogadas, hoje o atleta terá mais ou menos quinze acrescidas.
Advogo ainda que as condições de atleta e de pré-jogo e jogo eram totalmente diferentes: os deslocamentos quase sempre eram rodoviários e até marítimos. Todo material esportivo utilizado, camisas, calções e meiões eram incomparavelmente de qualidade inferior. os salários não compravam jatos, academias, personal e o escambal. Nenhum atleta, por mais renomado que fosse, contratava uma empresa de marketing para turbinar seus feitos e imagem.
É duro para uma elite colonizadora e europeia, por acréscimo nossos Hermanos Argentinos e outros queijados, aceitarem o fato de um terceiro mundista preto, pobre e “analfabeto” encantar o mundo, incluso reis e rainhas. Conseguir parar uma guerra para que todos pudessem vê-lo. Encher estádios de futebol em todo planeta. Ser, depois do Papa e do presidente dos EUA, a personagem mais conhecida do universo. Ocupar páginas e mais páginas com seus feitos e glórias. Pode ser duro para os racistas e preconceituosos, no entanto, é melhor aceitar esta verdade, que dói menos.
Do ponto de vista esportivo, que nosso Brasil consiga se reencontrar consigo mesmo, retornando, ou criando, um novo padrão competitivo que já teve no passado, fato que lhe proporcionou ser o único pentacampeão. Se não bastar revisitar com fidelidade o que já fomos que se crie- dirigentes, treinadores e jogadores-, um padrão para que chequemos na próxima disputa, em2030, em condições de reacender o sempre atual sonho do HEXA.
Um aviso, somente aceitaremos novas considerações sobre a majestade, se versarem sobre um mortal que tenha, oficialmente, feito mais de 1.300 gols em sua carreira. Que tenha conquistado três copas do mundo. Que tenha inventado a paradinha, nas penalidades. O soco no ar para comemorar seus gols. que seja abençoado para jamais pretender ser, por pura humildade, o Rei que o pequeno município de três corações, nas gerais, nos ofereceu e a Vila Famosa, também, por ironia fincada na interiorana Santos, ofereceu ao mundo. Para orgulho dum certo Brasilis.