
Faltam dez dias para a abertura do prazo das convenções partidárias, entre 25/07 a 05/08, e alguns dos principais partidos permanecem com a corda no pescoço em busca de ar puro e sobrevivência. O único deputado federal do PT, Rubens Pereira Jr bandeou para o palanque de Eduardo Braide (PSD), que se juntou ao bolsonarista Lahesio Bonfim (Novo), candidato ao Senado e colocou a empresária do agro Elaine Carneiro na vice. O PL, presidido no Maranhão pelo deputado federal condenado pelo STF, Josimar do Maranhãozinho mantém-se mudo sobre qual candidato ao Palácio dos Leões vai apoiar e se estará ao lado do presidencial da direita liberal Flávio Bolsonaro.
A escapada do petista Rubens Júnior para perto de Braide, deixando para trás o candidato de seu partido Felipe Camarão tem o mesmo impacto da debandada do ex-ministro dos Esportes do governo Lula, André Fufuca (PP) do bloco brandonista. Até o dia 31 de março passado, ele despachava na Esplanada. Renunciou fazendo juras de amor ao presidente Lula e deixou no cargo o professor de direito, Paulo Henrique Cardoso, filho de Viana (MA), até então secretário de Esporte Amador, indicado pelo amigo Fufuca, nascido em Santa Inês. Ele já transitou pelo PSDB, PSD, PEN e PP, principal legenda do Centrão na Câmara.
A situação da pré-campanha no Maranhão desenha um cenário surreal para os candidatos presidenciais Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). Lula terá o palanque do petista Felipe Camarão apenas com a senadora Eliziane Gama. Sem deputado federal e estadual. E Flávio encontrará o PL sem os federais Josimar do Maranhãozinho e o Pastor Gil, ambos condenados em março no STF por corrupção passiva, e estão inelegíveis.
Em 2024, Jair Bolsonaro chamou os dois de “marginais” e defendeu a expulsão deles do PL. Já Caiado terá Eduardo Braide ao lado de Rubens Júnior e Fufuca. A questão ideológica no eleitorado brasileiro tem traços de ambiguidade, segundo pesquisa do DatSenado, em 2024, com 21,8 mil entrevistados. O objetivo era entender as mudanças na opinião, o comportamento do brasileiro adulto e relacionar a preferência ideológica com a
condição econômica, gênero, identidade racial, religiosa, nível de escolaridade, além de aferir também sobre temas como notícias falsas e urna eletrônica. Cerca de 40% não se consideram de esquerda, de direita ou de centro.
A soma desses três segmentos sem ideologia representa 51% eleitores. O restante, 15% são de esquerda, 25% de direita, 11% de centro e 6% não responderam. Entre os estados, a pesquisa detalhou que o Maranhão aparece com 13% de esquerda, 23% de direita, 7% de centro e 52% neutros – o maior percentual do país sem ideológica. No perfil religioso, os evangélicos são 8% de esquerda, 35% de direita, 9% de centro e 42% indefinido.
Entre os católicos: 15% de esquerda, 28% de direita, 10% de centro e 39% de indefinidos. Os dados são importantes para a campanha eleitoral de 2026, com a ideologia permeando todas as candidaturas majoritárias. No Maranhão, que acaba de sair do esquerdismo de Flávio Dino, do centrismo do sarneísmo e retorna aos dois principais palanques de centro, Eduardo Braide e Orleans Brandão, do mesmo tronco familiar de espectro centrista.
Quando os presidenciais passarem pelo estado, o que menos vai pesar no voto do eleitor é o fator ideologia. Tudo indicada que a decisão sobre o governador e o presidente são aqueles 40% de eleitores pragmáticos, da Geração Z das redes sociais, que veem a política pelo preço na gôndola do supermercado, do emprego, da renda. E as mulheres são maioria nesse grupo que descarta lulista, bolsonarista, brandonista ou braidista. O voto de cabresto do lulismo e do bolsonarismo e do assistencialismo está virando história do passado. O voto tecnológico e os 53% das mulheres eleitoras é que vão dar o pontapé da mudança no Brasil de 2026.