BASTIDORES

Pesos desiguais

A Justiça do Brasil está fazendo a história que não cabe na história que engrandece os operadores do direito. Os ministros do Supremo Tribunal Federal e os juízes de instâncias inferiores trabalham num entrelaçamento de entendimentos que resultam em argumentos tão ralos e controvertidos que provavelmente nem os próprios togados saem dos julgamentos com a […]

A Justiça do Brasil está fazendo a história que não cabe na história que engrandece os operadores do direito. Os ministros do Supremo Tribunal Federal e os juízes de instâncias inferiores trabalham num entrelaçamento de entendimentos que resultam em argumentos tão ralos e controvertidos que provavelmente nem os próprios togados saem dos julgamentos com a consciência da justeza esboçada em suas decisões.

Após o julgamento dos habeas corpus do ex-presidente Lula, anteontem, o ministro Ricardo Lewandowski deu uma pista importante sobre o resultado que manteve o petista preso, contra seu voto. “Não sei se é porque o paciente ou o réu é uma determinada pessoa, mas eu me lembro que aqui inúmeras vezes em circunstâncias análogas, quando houve uma lesão a esse direito fundamental que é o da participação do advogado em julgamento, inclusive com sustentação oral… quantos e quantos processos anulamos porque o advogado não foi intimado? Até esqueço quantos, tão grande foi o número”.

Pois bem, Justiça que soltou Michel Temer duas vezes em pouquíssimos dias da cadeia é a mesma que, sem comprovar que Lula era dono do tríplex, o mantém preso por 14 meses. E a mesma que escancara seus pesos e suas medidas desreguladas, mesmo sob crítica do mundo jurídico.

Ontem, por exemplo, o senador Acir Gurgacz, condenado a mais de 4 anos por fraudes contra o sistema financeiro, pena que cumpre em regime domiciliar, foi autorizado pelo Judiciário a passar férias em resort de Aruba. A diária custa, em média, R$ 4 mil. Em janeiro, o Judiciário negou a Luiz Inácio Lula da Silva o direito de ir ao velório e enterro do irmão Vavá.

Mesmo com as revelações tenebrosas de The Intercetp Brasil, o Judiciário mantém-se indiferente ao escândalo dos vazamentos das conversas entre Sérgio Moro e membros da Lava-Jato. Pior de tudo é que, no mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro comemorou a decisão do STF de manter Lula na cadeia por tempo indeterminado, um militar da Aeronáutica, da comitiva presidencial que foi ao Japão, é preso no aeroporto de Sevilha com 39 quilos de cocaína pura, na pasta de documentos oficiais. Uma lástima para qualquer autoridade ver subordinados próximos enredados numa encrenca internacional nessas circunstâncias.

VER COMENTÁRIOS
Concursos e Emprego
Polícia
Você, Gastrô!
Entretenimento e Cultura
Mais Notícias