BASTIDORES

Os 10 anos de um embuste

Num processo marcado por fatos controvertidos, meias verdade e mentiras inteiras, há 10 anos, o governador Jackson Lago (PDT) foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, com pouco mais de dois anos de mandato. Foi o primeiro caso na política do Maranhão, ocorrido quando o ex-presidente José Sarney, na presidência do Senado, dava as cartas na política brasileira e […]

Num processo marcado por fatos controvertidos, meias verdade e mentiras inteiras, há 10 anos, o governador Jackson Lago (PDT) foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, com pouco mais de dois anos de mandato. Foi o primeiro caso na política do Maranhão, ocorrido quando o ex-presidente José Sarney, na presidência do Senado, dava as cartas na política brasileira e no Judiciário. A Justiça mandou empossar Roseana Sarney, que o pedetista havia derrotado em 2006. 

A coligação “Frente de Libertação do Maranhão”, liderada pelo pedetista Jackson, eleito três vezes prefeito de São Luís, deu a primeira grande sacudida na estrutura de poder fincada por José Sarney em 1965, ano de fundação da oligarquia mais longeva da história do Brasil, derrubada definitivamente, somente em 2018 por Flávio Dino. Em 2006, Roseana não contava com a derrota nas urnas, mas perdeu. Foram escassos 97 mil votos de vantagem a menos, que a animou ir buscar na Justiça o que perdera nas urnas. Na época, ela era filiada ao PMDB, legenda transformada no MDB em 2017. 

A ação contra Lago, chamada de Recurso Contra Expedição de Diploma, baseou-se na suposta prática de abuso de poder econômico e político e captação ilícita de votos, o que afrontaria a Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar 64 /90). O recurso pegou toda a legenda e não poupou o vice, o pastor Luiz Carlos Porto, num caso enigmático, feito sob medida para propiciar a investidura de Roseana. Por consequência, Roseana acabou se reelegendo em 2010. Jackson contou com o apoio do governador José Reinaldo, que havia sido vice de Roseana no primeiro mandato e rompeu com o grupo Sarney. Do episódio ficou para a história o registro de um embuste jurídico-político. Foram 10 anos em que a política do Maranhão deu uma cambalhota. Não apenas trocou de comando, com o “comunista” Flávio Dino, como também ocorreu o desmonte do grupo Sarney por duas eleições sucessivas. Em 2018 a família Sarney perdeu todo o espaço no Congresso Nacional, que ele presidiu por quatro vezes. Sobrou o deputado estadual Adriano, que revogou o sobrenome Sarney, enquanto o avô carrega o peso dos 89 (no próximo dia 24). O filho Zequinha Sarney ganhou um cargo de secretário em Brasília e a filha Roseana vive no mais longo anonimato de sua vida. Já Flávio Dino confronta Jair Bolsonaro, abrindo espaço na política nacional, de olho em 2022.

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