
Com a polarização política-ideológica do Brasil desde a pandemia da Covid19, as eleições de outubro estão no auge do esgotamento de conciliação nacional e estadual. Pesquisa do Datafolha de 2025, mostra que 35% dos brasileiros se identificam como direita, 22% como de esquerda, 17% de centro, 11% de centro-direita e 7%, de centro-esquerda. Nesse universo, o lulismo-petista chega a 40% da população, o bolsonarismo, 34% e 18% se dizem neutros. Já dá para perceber que há contradição nesses números em relação aos que se identificam como de direita e de esquerda.
À proporção que as convenções partidárias se aproximam (de 20/07 a 05/08), as cúpulas políticas entram no período mais tenso sobre a definição dos candidatos. É nesse ambiente carregado, que a ideologia vira uma densa camada de fumaça nos acordos e propostas. No Maranhão, as definições para candidatos a governador só ocorreram sem crise no PSD de Eduardo Braide e no PSOL de Enilton Rodrigues. Os demais nomes, como Orleans Brandão e Felipe Camarão foram colocadas, mas em meio a pressões de vários lados, principalmente sobre os cargos de vice-governador e senador, até hoje sem conclusão.
Quando o assunto é ideologia de qualquer espectro, no Maranhão a conversa muda de direção. Por décadas e décadas, a “ideologia” reinante era da legião de simpatizantes do sarneísmo, que se estendiam desde a extrema-direita enrustida ao petismo. O sarneísmo até hoje tem raízes espalhadas pelo torrão maranhense, sem definição de fronteiras ideológicas. Nem o “comunista” Flávio Dino conseguiu demarcar o latifúndio esquerdista, pois governou com praticamente todos os partidos do grupo Sarney, exceção do PL, confiscado por Jair Bolsonaro em 2021. Porém, lá atrás, colocou o empresário José Alencar como vice de Luiz Inácio Lula da Silva nos primeiros mandatos (2002-2010).
A esquerda no Maranhão tem um histórico de insignificância eleitoral. Apenas o PCdoB, com Flávio Dino quebrou esse tabu, mas na condição de um “comunista graças a Deus”, como ele mesmo se autodefiniu. Os partidos PCO, PSTU e PSOL participam das eleições estaduais já sabendo que o objetivo é a pregação ideológica na campanha. Enquanto a direita viveu décadas mergulhada num suave mar de espuma, passando a só assumir essa forma de política conservadora a partir de Jair Bolsonaro no Planalto entre 2019-2022, no Maranhão tudo que aconteceu de consistente na esquerda, foram os casos de Jackson Lago e Dino, mas este com Brandão (PSDB) na vice e como substituto em 2022.
Ele se articulou bem com Dino no poder, mas com a troca de comando no Leões, redirecionou o governo rumo ao centro-direita. Até as escolas cívico-militares, sob gestão de militarizada, viraram ação de governo, chegando hoje em mais de 60 municípios, com dois segmentos: Colégio Militar Tiradentes, administrado pela Polícia Militar do Maranhão, e o Colégio 2 de Julho, por militares do Corpo de Bombeiros. No geral, Brandão se relaciona bem com o PT, ao mantê-lo em quatro secretarias, mesmo rompido com o vice Felipe Camarão, e tem excelente relação com o presidente Lula. Enquanto isso, Brandão busca atrair os segmentos ideológicos encobertos na névoa ideológica indefinida.
Por tudo que marcaram como gestores e como políticos, Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT) e Eduardo Braide (PSD) traçam suas campanhas sem identificação direta ou indireta com qualquer ideologia, assim como Carlos Brandão, que apadrinha a candidatura do sobrinho. Orleans foi secretário de Desenvolvimento Municipalista do Estado, enquanto Camarão foi secretário de Educação por nove anos, e Braide seis anos na prefeitura de são Luís. Nenhuma marca deles com tinta ideológica de esquerda ou de direita. São tipicamente, políticos de centro, alinhados à esquerda, como Brandão com o PT e o PDT de Weverton Rocha.