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Noticiário policial mudou de lugar, de formato e de perfil dos ladrões

Raimundo Borges - Bastidores

Quando comecei no jornalismo em 1970, o noticiário político andava nos rodapés e nos cantos de páginas dos jornais. O mais pontual dono das manchetes era o que saia das delegacias de polícia e das investigações particulares dos jornalistas mais tarimbados, atrás de “furos” de reportagem. Mas aquela década de notícias censuradas ou “copidescadas” pelos agentes especializados da ditadura militar ficou na história. Hoje, o jornalismo que desperta atenção nos impressos e viraliza nas mídias eletrônicas, gera repercussão e muda paradigma é a cobertura política, valorizadas com as análises de doutores da academia e especialistas nos variados temas que envolvem os poderosos.

No Maranhão, os conflitos e mortandade no campo na disputa das terras devolutas griladas da União em todos os cantos do Maranhão tinham mais importância para a imprensa nacional com seus correspondentes locais, do que o cotidiano da polícia. Salvo as exceções. O livro “Grilagem: Corrupção e Violência em Terras do Carajás”, do Padre Victor Asselin, em 1982, ganhou repercussão como um relato-denúncia do avanço dos grandes projetos, a expansão da fronteira agrícola no sul do Pará, no Vale do Pindaré e sul do Maranhão, marcados, também, por violência na disputa de terra ao longo da ferrovia dos Carajás.

Atualmente, o que dá notícia bombástica é a política envolvida em corrupção. Nas cidades, ela avança como colônias de “cupins engravatados”, devastando o dinheiro público. Ao decidir enfrentar a corrupção sobre emendas parlamentares em suas diferentes facetas, o ministro do STF Flávio Dino e alguns companheiros de toga, viraram alvos preferenciais de deputados e senadores, ironicamente, eleitos para fiscalizar e denunciar desvios de dinheiro público no âmbito dos demais poderes. É difícil, pois, até contar quantos parlamentares e membros dos outros poderes punidos, condenados e presos por corrupção. Vários chegam a se misturar até com o crime organizado, na engrenagem do PCC e CV.

Desse modo, a montanha de recursos públicos operada pelos parlamentares no orçamento federal, mediante emendas Pix e orçamento secreto, tornou-se um desafio saber para a verba vai, quem a recebe e até quem envia. Prestação de contas? Não tem como. Além disso, há também, o esbanjamento nos partidos, dos de campanha eleitoral R$ 5 bilhões) e o partidário (recebido mensalmente). As operações da Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal se repetem todas as semanas, inclusive em gabinetes do Congresso, devassam esquemas políticos de corrupção nas três esferas de poder. Nunca se viu tantos mandatários eleitos pelo povo, apanhados roubando da Educação, da Saúde e Infraestrutura.

O país nunca teve tantos canais de rádio, televisão, portais de internet e redes sociais voltadas para a cobertura política. E tal movimento é centralizada na avalanche de alvos engravatados, muitos deles lamentavelmente eleitos denunciando corrupção. As principais manchetes não mudam: são batalhões de policiais treinados, batendo à porta de acusados de corrupção. São bilhões de reais que evaporam nas mãos de certos políticos que entram pobres no mandato e se tornam milionários antes de terminar os quatro anos. Obviamente que não são todos, mas são muitos mandatários e empresários, como os Vorcaro da vida.

Enquanto isso, aquele noticiário do passado que alimentava o interesse da população, com o carimbo de policialesco e sensacionalista, mudou de fonte. Saiu das delegacias de polícia e entraram nas operações policiais no combate à corrupção, respaldados pelo Judiciário e o Ministério Público. O ladrão de padaria não é mais notícia. O que ganha força jornalística é a corrupção. Tais coberturas têm muito a ver com as eleições de outubro. O mundo mudou com as tecnologias que se tornam cada dia mais desafiadoras para a polícia e a justiça, assim também como ferramentas para roubar e lavar dinheiro público, muitas vezes em nome do eleitor desatento com a importância do voto e em quem confiá-lo.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista