
O primeiro partido do médico veterinário Carlos Orleans Brandão Júnior, 67 nos, governador do Maranhão, foi o PFL (Partido da Frente Liberal), fundado em 1985 no auge da efervescência do fim da ditadura militar de 1964. Em 1984, José Sarney, Hugo Napoleão, Antônio Carlos Magalhães e outros líderes nacionais deixaram o PDS, que tinha como candidato presidencial Paulo Maluf e fundam a Frente Liberal, depois transformado em PFL. Mas Sarney saiu da presidência do PDS e ingressou no PMDB em um acordão para ser o vice de Tancredo Neves na última eleição indireta de presidente da República. Com a morte de Tancredo, Sarney assumiu o Planalto por cinco anos e revirou a história do Brasil.
E o que isso tem a ver com Carlos Brandão? – Tudo. Ele é filho do médico colinense Carlos Orleans Brandão, secretário de saúde do governador biônico Nunes Freire (também médico) e único a ser escolhido pelos militares sem o aval do senador José Sarney, que preferiria João Castelo ou Luiz Rocha, deputados federais. No PMDB, Sarney deixou o Planalto em 1990 como forte articulação para ser senador, mas foi barrado pelo racha dentro da legenda. Acabou levando a filiação para o Amapá, por onde foi eleito mais duas vezes. Naquele ano, Edison Lobão (PFL) foi eleito governador e Epitácio Cafeteira, senador (PDC).
Em 1990, filiado ao PFL, Carlos Brandão Júnior iniciou na vida púbica como assessor especial da Sagrima e depois adjunto da pasta do Meio Ambiente. No governo Roseana Sarney, com José Renaldo na vice (2002-2006), Brandão passou pela chefia de seu gabinete, e depois secretário de Articulação Política e chefe da Casa Civil do governo Zé Reinaldo, ainda filiado ao PFL. De 2006 a 2017, Brandão se tornou tucano, filiado ao PSDB, partido pelo qual chegou à vice-governador de Flávio Dino, em 2014, por acordo do PCdoB-PSDB, costurado por Aécio Neves, presidente nacional da legenda e candidato presidencial contra Dilma Rousseff.
A próxima parada de Brandão foi no PRB (hoje, Republicanos), entre 2017 a 2021, totalmente alinhado com o governo “comunista” de Flávio Dino, mesmo como empresário do agro, onde o conservadorismo político tem morada de luxo entre o campo e os mercados consumidores das commodities mundo afora. Brandão voltou ao PSDB entre 2021-2022, quando assinou a ficha do PSB, partido de Flávio Dino, pelo qual os dois foram eleitos. Com a reviravolta em 2025 no comando do PSB maranhense, passado à senadora Ana Paula Nova Alves, Brandão ficou sem partido, mas pronto para ingressar no MDB, entregue a seu irmão Marcus.
Na última quinta-feira, 21, Carlos Brandão fez uma revelação que surpreendeu até os políticos que orbitam ao seu redor: Desde abril passado, ele está filiado ao MDB, já sob a presidência regional do pré-candidato a governador Orleans Brandão, seu sobrinho. Assim como ele, a deputada Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, também trocou o PSB pelo MDB, juntamente com vários parlamentares que formam hoje a maior bancada no parlamento estadual, com 10 das 42 cadeiras. Portanto, o MDB dos Sarney e dos Brandão sinaliza um novo ciclo da política maranhense em 2026.
No jantar em Brasília, na residência do ex-presidente José Sarney, terça-feira, 19, estava a nata do emedebismo nacional e estadual. Entre José Sarney, aparecem na foto Iracema Vale, Carlos Brandão, Baleia Rossi, (presidente nacional do MDB), Edison Lobão, Jader Barbalho Filho (líder máximo no Pará), Orleans Brandão e Hildo Rocha. Tudo em volta deles significa o aval à pré-candidatura de Roseana Sarney ao Senado, na chapa de Orleans. O evento mostra como José Sarney, aos 96, permanece em plena saúde e lucidez para manter o MDB maranhense no topo da política estadual e seus movimentos capazes de inflamar até a política nacional neste ano eleitoral mais embaralhado da história.