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Josimar apoia Fufuca, que apoia Orleans Brandão, que apoia Lula

Raimundo Borges - Bastidores

Como até agora a eleição de governador do Maranhão aparece nas pesquisas como um caminho sem volta rumo ao segundo turno entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, a disputa das duas vagas de senador ganha impacto na opinião pública. A fila de pré-candidatos, quase todos deputados federais, já reúne pelo menos uns oitos nomes em busca de adesão a uma candidatura forte ao Palácio dos Leões. Quem acaba de entrar no jogo é o deputado Josimar do Maranhãozinho, presidente do PL, não como pretendente ao Senado, mas como apoiador do colega de Câmara André Fufuca (PP), ex-ministro dos Esportes de Lula, aliado de Carlos Brandão (MDB), sustentáculo da candidatura de Orleans.

Brandão quer tornar Orleans e seu sucessor em 2027. Significa que Fufuca tem o apoio tanto do petista chefe da Nação, quanto do PL estadual com seus 40 prefeitos de 2024. Josimar foi condenado em março na 1ª turma do STF a 6,5 anos de prisão em regime semiaberto, mas é um fenômeno eleitoral desde quando foi deputado estadual em 2014, como o mais votado no Maranhão com 99.265 votos. Em 2016 repetiu o feito para deputado federal, com 158 mil votos. Na eleição de 2022, tornou a esposa Detinha a mais votada para a Câmara, com 161 mil votos, enquanto ele ficou em 3º lugar, com 158 mil votos. Ao ser condenado junto com o deputado Pastor Gil, também do PL por corrupção passiva em desvios de emendas pix para a prefeitura de São José de Ribamar, na gestão do prefeito Eudes Sampaio, Josimar e Gil acabaram inelegíveis por oito anos – até a eleição de 2030. Ele recorreu ao STF, com embargos, mas ainda não tem resultado. Há especulação de que Josimar pretende lançar Detinha a deputada estadual, de olho na presidência da Alema. Portanto, não resta dúvida de que o apoio dele a André Fufuca fortalece tanto o palanque de Orleans ao governo, quanto à reeleição do senador Weverton Rocha (PDT).

O pedetista é o único nome até agora com dois palanques: o do MDB de Orleans e o do PT de Felipe Camarão, ambos alinhados com o Palácio do Planalto e o Palácio dos Leões. Muita gente pergunta: Qual a razão de tanto sucesso eleitoral de Josimar? A resposta pronta: forte base no interior, alicerçada em um “coronelismo moderno” desde quando foi prefeito bem avaliado em Maranhãozinho. Mantém presença nas bases eleitorais, regadas a dinheiro público do PL e de emendas, que lhe rendem voto e acusações da PGR sobre desvios que deu condenação no STF. Ele era a “moral da BR”, quando realizava festas de reggae no meio da BR-316, que corta os municípios onde mantém seus redutos com “porteira fechada”.

Os demais pré-candidatos ao Senado são: Eliziane Gama (PT), Roseana Sarney (MDB), Pedro Lucas (UB), Hilton Gonçalo (Mobiliza, antigo PMN), Duarte Júnior (Avante), Franklin Douglas e Antônia Cariongo (PSOL), Simplício Araújo (DC) e Roberto Rocha (Novo). Roseana depende do MDB nacional; Weverton e Fufuca disputam a vaga outra na chapa de Orleans. Duarte, Hilton e Roberto Rocha estão buscando um aceno de Eduardo Braide que não demonstra um pingo de pressa. Se, porém, Josimar conseguir reverter a condenação por agravo no STF, vai exercer papel decisivo na eleição estadual, mesmo considerado inimigo da família Bolsonaro, mas na hora de voto, rixas antigas viram suor sob o chuveiro.

Assim como faz história como campeão de voto no Maranhão, Josimar e o Pastor Gil são os primeiros deputados federais julgado e condenados na história do STF por desvio de emendas.  Os deputados estão atualmente em licença parlamentar, e um eventual cumprimento da pena em regime inicialmente semiaberto pode se dar apenas depois do esgotamento dos recursos, que ninguém sabe se serão julgados ainda em 2026. Outro processo no Conselho de Ética da Câmara está sem data para ser julgado o que, pode resultar em cassação ou absolvição pelos colegas Centrão e do PL, partido com a maior bancada na Casa. E se o Congresso desatar o nó da prisão de Jair Bolsonaro, a história das eleições de outubro será contada de outro modo.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista