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DC troca Rebelo por Barbosa e divide mais ainda a direita

Raimundo Borges - Bastidores

Depois do fiasco eleitoral nas seis vezes em que disputou a Presidência da República pelo partido Democracia Cristã (DC), entre 1998 a 2022, o empresário e advogado conservador José Maria Eymael está fora do pleito de 4 de outubro. O seu único bordão das campanhas “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão!”, transformado em um dos maiores marcos da propaganda política brasileira, este ano não estará no horário eleitoral. O partido que havia lançado o ex-comunista histórico do PCdoB, Aldo Rebelo, seu candidato presidencial em 2026, o trocou neste final de semana pelo ministro aposentado do STF, Joaquim Barbosa, que nunca disputou nenhuma eleição, apesar de se tornado famoso como relator do mensalão.

José Maria Eymail, hoje com 86 anos, obteve o melhor desempenho de urna em 2010, com 89 mil votos válidos (0,09%) não só estará fora da disputa presidencial de 2026, como o seu DC está metido numa encrenca. Ao substituir Aldo Rebelo por não pontuar nas pesquisas até aqui, vai fazer uma arriscada experiência com Joaquim Barbosa. Ele teria maior potencial de crescer, segundo levantamento interno do partido. Rebelo passou 40 anos no PCdoB e foi ministro dos Esportes; da Ciência, Tecnologia e Inovação; e da Defesa, entre 2015 e 2017 no governo Dilma Rousseff, defenestrada do cargo por impeachment.

Rebelo deu uma cambalhota política ao se afastar da esquerda e tomar o caminho da direita, ao discordar da nova agenda progressista ao priorizar pautas identitárias e multiculturalistas em detrimento da centralidade da questão nacional, defendida por ele. Também passou a ser crítico ao Supremo Tribunal Federal, com acusação de invasão de competência e ativismo judicial, martelando o mesmo discurso da extrema direita bolsonarista. Sobre sua troca por Joaquim Barbosa, Rebelo reafirmou sua candidatura e subestimou a opção do DC, no qual está filiado há apenas dois anos. Chamou de “balão de ensaio” e afronta a tudo que defende com relações políticas firmadas na democracia e na transparência.

Sem nenhum nome no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas, o antigo PSDC, hoje só conta com dois prefeitos em Minas Gerais e ainda carrega a superstição sobre o futebol: nas últimas duas vezes em que José Maria Eymael ficou de fora da disputa presidencial, o Brasil se sagrou campeão mundial de futebol. Em 1994, na conquista do tetracampeonato, Eymael atuava como deputado federal (eleito em 1990) e havia deixado o recém-fundado PPR. Em 2002, ano do pentacampeonato, ele presidia o DC e se candidatou a deputado federal por São Paulo. No entanto, não obteve sucesso na empreitada. Ao trocar o ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa, o nanico considerado de direita, conforme os princípios que defende, informou que “o povo brasileiro merece um novo capítulo em sua história”. Barbosa foi o primeiro negro a integrar e presidir o STF e deixou a corte em 2014, quando chegou a articular sua candidatura à Presidência nas eleições de 2018, quando se filiou ao PSB, porém, desistiu da disputa por motivos pessoais. Para o DC, Barbosa representa a possibilidade de união nacional e reconstrução da confiança dos brasileiros nas instituições, além de “honrar os valores republicanos”.

Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o único nome da esquerda a disputar a reeleição com potencial de vencer. Os demais são: Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Pimenta (PCO) e Samara Martins (Unidade Popular). Pela direita dividida, o time já conta com Flávio Bolsonaro (PL), Joaquim Barbosa (DC), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Sem Eymael no páreo eleitoral, é hora de cultivar espada-de-são-jorge ou comigo-ninguém-pode e jogar positivamente junto com a Seleção do Carlo Ancelotti. O ex-pedetista Ciro Gomes chegou a cogitar concorrer ao Planalto pelo PSDB, mas agora aparece já como candidato ao governo do Ceará, com o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio na vice.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista