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Convenções embaralham jogo de ideais nos partidos do MA

Raimundo Borges - Bastidores

As convenções partidárias no MA já estão ocorrendo, com o empresário André Luís (Missão) tendo largado na frente como candidato oficial ao governo. No mesmo dia 22 de sua convenção, o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, do Mobiliza, oficializou a empreitada de buscar uma vaga no Senado Federal. Neste sábado, 25, o MDB programa mobilizar os quatro cantos do Maranhão para a convenção em que definirá Orleans Brandão ao governo, Edivaldo Jr na vice, e Roseana Sarney e Weverton Rocha (PDT) no Senado. Em meio a essa intensa agitação, está sobrando candidatos majoritários e faltando definição nos campos demarcados nacionalmente pela direita, centro e esquerda. O ex-senador Roberto Rocha, filho de Luiz Rocha, 1º governador eleito pelo voto popular no entardecer da ditadura militar em 1982, conquistou o mandato no Senado em 2014, puxado pelo braço por Flávio Dino, em sua primeira eleição ao Palácio dos Leões. Não custou romper com o governador do PCdoB e passou a ser o bolsonarista mais influente do Maranhão no governo de Jair Bolsonaro, que viveu o mandato às turras com Dino, um lulista puro-sangue. Rocha acaba de se filiar, com atraso, no PRTB, graças à benevolência do ministro amigo Cássio Nunes, presidente do TSE. É uma legenda conservadora, focada no “trabalhismo participativo”, no qual o capital e trabalho devem interagir nos interesses mútuas.

Hilton Gonçalo foi esbarrar no Mobiliza, antigo PMN em que Eduardo Braide passou 10 anos, se elegeu deputado e depois, prefeito de São Luís pelo Pode e PSD. Duarte Júnior era do PSB e acabou no Avante, legenda de centro. Orleans Brandão (MDB) marcha rumo aos Leões, com Edivaldo Jr (vice), Roseana Sarney (MDB) e Weverton Rocha (PDT) disputando o Senado. É uma pequena amostra do entranhado partidário na disputa do governo, das duas vagas de senador, de 18 de deputados federais e 42 de estaduais. Na hora de juntar partidos federados, coligados ou apenas simpatizantes, o que mais impacta sãos fatores tipo tempo de TV e rádio, potencial eleitoral, dinheiro farto para gastar na campanha e também a influência dos candidatos a presidente da República. Pelo perfil dos concorrentes ao Palácio dos Leões – Orleans Brandão, Eduardo Braide, Felipe Camarão, André Luís, Enilton Rodrigues (PSOL) e Saulo Arcangeli (PSTU) – pode-se arriscar dividi-los em três grupos ideológicos: Orleans e Braide de centro-direita; Rodrigues e Arcangeli, de esquerda; Camarão de centro-esquerda e André Luís, ultradireita. O vice-governador Felipe Camarão está filiado ao PT, mais pelas circunstâncias políticas de 2022, do que pela trajetória de esquerdista, respeitada a sua relação de confiança no governo Flávio Dino que, por sua vez, chegou a se dizer um “comunista graças, a Deus!”.

Para detectar o DNA de direita, de esquerda ou de centro em políticos do Maranhão, os especialistas vão encontra dificuldades. Vale muito mais o DNA familiar do que a atuação dos líderes e portadores de mandato eletivo. Os Sarney e o sarneísmo, por exemplo, são tidos como de centro. Mas Sarney foi contra o AI-5, se alinhou o regime militar de 1964, chegou Planalto na união com Tancredo Neves e depois sempre teve ligações com os governos do PT, principalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os Brandão se portam ideologicamente como de centro-direita, mas o governador foi vice e substituto de Flávio Dino que até hoje, como ministro do STF, é chamado de comunista nas mídias, pelos políticos que governaram com ele e hoje estão longe do PCdoB. O ex-prefeito Eduardo Braide demorou mais tempo no PMN, um partido fundado em 1984 com forte apelo nacionalista ao centro-esquerda, segundo estudo da PUC-SP. Ao longo dos anos perdeu rigidez ideológica e firmou alianças pragmáticas com diferentes espectros políticos, reposicionando-se no centro-direita. É exatamente nesse roteiro político encoberto por uma nuvem tangida pelas circunstâncias, que as eleições de outubro no MA vão levar a maioria esmagadora votos ao centro-direita, portanto, sobrando pouca rebarba ao partidos que militam na esquerda sem se confundir no centro.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista