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Braide se une a Fufuca e sai do campo bolsonarista puro 

Raimundo Borges - Bastidores

A disputa das duas vagas de senador do Maranhão entra no clima parecido com o suspense da pré-convocação da Seleção Brasileira por Carlo Ancelotti. Com a definição do deputado federal do PP, André Fufuca, como candidato a senador na chapa de Eduardo Braide (PSD), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem três nomes aliados no Maranhão na eleição mais importes de sua carreira. Os outros nomes são Weverton Rocha (PDT), histórico apoiador do governo petista, que abriu exceção e nomeou Carlos Lupi para o Ministério do Trabalho, pasta historicamente do PT, que a recuperou com o atual ministro Luiz Marinho.

Por sua vez, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) tem forte influência no governo federal, destacando-se nomeações de familiares e pessoas próximas para cargos estratégicos no Maranhão e no cenário nacional. As principais indicações associadas à parlamentar incluem: Inácio Melo (Marido), presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), até o segundo semestre de 2025, quando renunciou para ser nomeado presidente do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão. A sobrinha da senadora, advogada Elisandra Araújo Gama, de 28 anos, ocupa o cargo de Consultora Jurídica no Serviço Geológico, vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Já o deputado André Fufuca saiu do governo Lula no prazo de desincompatibilização, mas deixou no Ministério dos Esportes Paulo Henrique Cordeiro, maranhense de Viana, na baixada maranhense. É advogado, mestre em Direito Constitucional e Tributário, com ampla bagagem em gestão pública nas áreas de esportes e serviço púbico, combinando a vivência acadêmica com experiência institucional. Dezenas de municípios abiscoitaram projetos que valorizam atletas de alto rendimento e democratizam o lazer. Ele acaba de receber autorização do Planalto para acompanhar os jogos do Brasil na Copa.

Até abril, Fufuca era ministro do Esportes, altamente prestigiado pelo Planalto e, no Maranhão andava de braços dados com o governador Carlos Brandão e o candidato ao Palácio dos Leões, Orleans Brandão. O estado foi um dos mais beneficiados com recursos federais para desenvolver os esportes por meio de projetos sociais de incentivo aos jovens e crianças. Agora, pelo visto, ele perdeu espaço no MDB para Roseana Sarney, que pretende disputar o Senado pelo partido que ela mesma doou de mão-beijada ao empresário Marcus Brandão. Hoje a legenda é presidida no Maranhão por Orleans Brandão.

Antes de deixar o Ministério dos Esportes, Fufuca direcionou R$ 82 milhões para dezenas de municípios maranhenses, o que representou a maior parte das verbas do orçamento federal, aplicadas diretamente sob a supervisão de Fufuca. Pela Secretaria de Esportes, o ex-ministro comandou os programas de políticas públicas de inclusão, como o Segundo Tempo, Esporte e Lazer da Cidade e o Vida Saudável, além de articular a construção de arenas esportivas em municípios via Programa de Aceleração do Crescimento. Tudo isso são iniciativas que, no contexto de uma eleição majoritária ou proporcional, rende voto.

Ao ser abraçado, nesta 4ª feira, pela candidatura Eduardo Braide, o ex-ministro de Lula abre espaço tanto para uma visão mais à esquerda de seu campo política abarrotado da direita bolsonarista, quanto distensiona uma aproximação com o Palácio do Planalto em caso de eventual vitória de Lula para o 4º mandato. Como prefeito, Braide foi totalmente burocrático e equidistante tanto do Palácio dos Leões quanto do governo do PT. Junto com Fufuca, ele embaralha o jogo político do Maranhão, sai do individualismo, não assume o bolsonarismo e muito menos pode ser visto indo na direção da esquerda petista. É centro assumido como, aliás, são também Orleans e Camarão.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista