BASTIDORES

As caras do bolsonarismo

Olhando cuidadosamente as imagens das manifestações de domingo passado a favor do governo Bolsonaro e suas reformas, não é difícil constatar que por lá não apareceram moradores do Minha Casa, Minha Vida, ou cadastrados no programa Bolsa Família. Nenhum entrevistado tinha cara de desempregado ou desiludido com a crise. Era a classe média baixa e […]

Olhando cuidadosamente as imagens das manifestações de domingo passado a favor do governo Bolsonaro e suas reformas, não é difícil constatar que por lá não apareceram moradores do Minha Casa, Minha Vida, ou cadastrados no programa Bolsa Família. Nenhum entrevistado tinha cara de desempregado ou desiludido com a crise. Era a classe média baixa e branca em cheio, que encheu as praças pelo país afora. Bolsonaro teve todos os motivos do mundo para comemorar um evento realmente espetacular, mas do ponto de vista do ineditismo. Mais do que pelo volume de pessoas que se trajaram de bolsonaristas para xingar o Congresso, o Centrão e o STF.

Nos discursos radicalizados sobre vistosos carros de som não foram poucos os que, enrolados na Bandeira do Brasil, inflamavam a plateia pedindo o fechamento do Congresso Nacional ou a CPI contra o Supremo Tribunal Federal. Mesmo com o recuo estratégico do presidente, ao se curvar às ponderações do ciclo militar que o rodeia no Planalto, não participando as manifestações, mas o ambiente tenso entre o governo e o Congresso não arrefeceu. Muito pelo contrário: os partidos do Centrão, com mais de 200 deputados, que decidem as pautas polêmicas, estão com os nervos em frangalhos.Ao pedir o fechamento do Congresso e do STF, os tais bolsonaristas simplesmente esconjuram a essência da democracia e pugnam por um regime ditatorial, nada parecido com o que levou Bolsonaro ao cargo em que se encontra. Para o governador Flávio Dino, no twitter, os atos de domingos marcaram um período histórico de ofensiva da direita. Uma inversão tática. “O bolsonarismo promoveu um gesto defensivo, típico de quem não está conseguindo impor a sua agenda. Os atos pioraram o que já está ruim: a governabilidade”.

Não é sem motivo que o presidente do Instituto Vox Populi, o sociólogo Marcos Coimbra, diz que os mais ricos “já entenderam que Bolsonaro não resolve” a questão econômica do País e que tal sentimento chegará à base da sociedade. “Até o fim deste semestre, o que existe de bolsonarismo vai diminuir a cada dia”, projeta o analista. Pode até ser. Porém, enquanto o presidente se sentir no conforto do apoio daqueles que o elegeram e não se constrangem em denominá-lo de “mito”, mesmo com o país mergulhado numa crise que só sinaliza piora, até a ideia de um impeachment em discussão frouxa em Brasília, já não faz tanto sentido. Pelo menos, por enquanto.

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