
Até o dia 31 de março passado, o então prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) não havia confessado “nem à esposa” que renunciaria ao mandato para disputar o governo do Maranhão. Pelas redes sociais, porém, ele surpreendeu o mundo político ao se lançar pré-candidato ao Palácio dos Leões. No mesmo dia comunicou à Câmara que estava deixando o cargo e deu posse à vice-prefeita Esmênia Miranda. Nada de reunião partidária, nada de aglomeração pública, nada de fazer o que os políticos fazem em qualquer lugar. Braide é diferente em quase tudo. Tanto como gestor e quanto como concorrente ao cargo máximo na administração do Maranhão.
No dia 7 de abril, o ex-prefeito voltou a surpreender até os mais próximos. Braide anunciou, de Imperatriz e novamente pelas redes sociais, a empresária Elaine Carneiro (PSD) como vice. Assim ele fez em 2020 e 2024 em São Luís com a professora e policial Militar Esmênia, quando a definiu como vice sem consultar ninguém. Esmênia e Elaine não têm qualquer histórico político para a importância da eleição na capital e no governo do Estado. No seu estilo desagrupado, Eduardo Braide está transitando pelos municípios sem aglomerações ao redor e sem projeto de coligação. Pelas redes sociais manda recados e faz críticas ao governo, mas tem poupado o concorrente mais próximo, Orleans Brandão (MDB).
De repente, em 17 de junho, o ex-prefeito Braide aparece em sua página no Instagram ao lado do deputado federal André Fufuca (PP), ex-ministro dos Esportes do governo Lula, como seu candidato a senador. Até aquele dia, Fufuca percorria os municípios ao lado de Orleans Brandão, como pré-candidato ao Senado na chapa liderada pelo MDB e mais onze partidos. No mesmo dia, o emedebista reagiu tranquilo. Orleans gravou vídeo ao lado Antônio Rueda, presidente da União Brasil e do deputado federal Pedro Lucas. Rueda: “Estamos com o futuro governador do Maranhão, com toda a força e espírito de vitória”.
Agora, a um mês de começar o prazo das convenções partidárias, as eleições majoritárias do Maranhão estão tangidas por uma densa formação de nuvens, ou espuma num rio. No horizonte tudo permanece encoberto. Orleans só definiu o senador Weverton Rocha como candidato à reeleição, faltam o segundo nome e o vice. A deputada Iracema Vale e o federal Pedro Lucas estão no páreo, mas sem definição de local na chapa. Assim também está o deputado federal Duarte Júnior (Avante) que tenta fechar como candidato aa vice-governador de Orleans Brandão, que ainda não bateu o martelo.
Braide e Orleans estão cercados de pretendentes às vagas de senador – uma em cada chapa – e a de vice do candidato do MDB. Braide tem o ex-deputado estadual César Pires (Novo) e o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza). Já o ex-senador Roberto Rocha, também do Novo estaria inclinado a resgatar o projeto inicial de concorrer ao Palácio dos Leões. Possivelmente, teria muito mais chance se tentasse uma cadeira na Câmara dos Deputados, sustentada pelo apelo eleitoral no reduto bolsonarista mais radical. Ele sabe que mudar o cenário de hoje entre Orleans Brandão e Eduardo Braide não é fácil para uma aventura dessa envergadura. Só de Flávio Bolsonaro botar o pé na parede.
Correndo em faixa própria, o petista Felipe Camarão segue com sua pré-candidatura a governador e a senadora Eliziane Gama. Ele trabalha a campanha ouvindo as comunidades em todos os cantos, incluindo os quilombolas, das quais recebe sugestões para o plano de Governo, a exemplo da Rede de Agroecologia do Maranhão. Eliziane tem atuado mais próxima dos evangélicos, buscando desfazer uma série de postagens negativas sobre seu trabalho no Senado. Assim, com cada um buscando, de modo particular, o que todos querem no geral, que chegar ao eleitor e convencê-lo que pode fazer no governo, o que promete nas redes sociais.