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Eliziane tenta ganhar fôlego na corrida rumo à reeleição

Raimundo Borges - Bastidores

Emparedada nas franjas da política nacional e estadual, a senadora Eliziane Gama (PT) tem pela frente um enorme desafio de renovar o mandato conquistado em 2018, junto com Weverton Rocha (PDT) na chapa liderada por Flávio Dino, já no PSB, e ela no PPS, que depois virou o Cidadania. Antes de chegar ao PT pelas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Eliziane era filiada ao PSD de Eduardo Braide, que até hoje permanece mudo sobre quem pretende indicar para o Senado. Ele até aceitava Eliziane, mas sem qualquer relação com o PT de Lula e do vice-governador Felipe Camarão.

A pouco mais de um mês do período das convenções partidárias, Eliziane não é vista ao lado do pré-candidato a governador Felipe Camarão, muito menos com Orleans Brandão, do MDB de Roseana Sarney, tida hoje como forte candidata ao Senado. Para um petista da cúpula do diretório regional, Eliziane está esperando Camarão mostrar outra visão sobre como deseja chegar ao Palácio dos Leões, pontuando tão baixo nas pesquisas. Talvez até Lahesio Bonfim, do Novo, pode abandonar o projeto de disputar o governo em troca do Senado Federal na chapa de Eduardo Braide, fato que o colocaria no centro do bolsonarismo.

Eliziane tem uma presença marcante no Senado e uma trajetória política diferenciada. É a primeira mulher maranhense, de origem humilde, a ser eleita deputada estadual, federal e senadora da República. Nacionalmente, representou o Brasil em quatro Conferências sobre mudanças no clima, integra o Parlamento do Mercosul e coordena a Frente Parlamentar Mista Ambientalista. Bastante atuante, Eliziane é autora de muitos projetos e emendas importantes como: o Projeto de Renda Básica para a primeira infância; do Fundo de Amparo aos Órfãos da Covid-19; e a emenda constitucional que dá segurança jurídica ao piso salarial dos profissionais da área de enfermagem.

A senadora filha de Araguanã é jornalista pela Ufma, foi relatora da CPI mista sobre o 8 de Janeiro, é vice-líder do governo e integra a CCJ, além de membro da Assembleia de Deus, congregação com um histórico de alinhamento e apoio formal ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e suas lideranças defendem pautas conservadoras. Porém, ela nunca foi vista enrolada na Bandeira Brasileira, mas participa da bancada evangélica no Congresso, uma frente com 200 deputados federais e 26 senadores. Contudo, Eliziane está no centro da eleição majoritária no Estado, filiada ao PT, porque o PSD de Braide a via muito próxima do governo Lula, de petistas e da esquerda no Congresso.

Na próxima segunda-feira, 01/06, o presidente nacional do PT, Edinho Silva deve virá a São Luís para encontro com partido, resolver a encrenca da intervenção no regional, dar um rumo à candidatura de Felipe Camarão e conceder entrevista à Imprensa. Mas a maioria do PT está no governo Carlos Brandão, com quatro secretarias e o Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão, presidido pelo pastor da Igreja Maravilhosa Graça, Eliel Gama, irmão de Eliziane. O problema da reeleição da senadora hoje é saber por qual chapa será indicada. Orleans Brandão anda com Weverton Rocha à tiracolo, enquanto André Fufuca e Pedro Lucas travam uma disputa interna na Federação União Progressista pela indicação.

Lula tem preferência por Eliziane Gama e Weverton Rocha, ou André Fufuca. Já Pedro Lucas é visto diferente. Recusou o Ministério das Comunicações em substituição a Juscelino Rezende. Ele é da União Brasil, partido que tem força no Centrão e no bolsonarismo e não é de confiança do Planalto. Correndo em faixa própria, o ex-senador Roberto Rocha (Novo) também tem uma beirada crescida no bolsonarismo, sendo aliado direto do ex-presidente. Nesse contexto, Eliziane Gama vai fazendo o que pode para não perder espaço e soçobrar em meio a uma tempestade política que ainda nem chegou ao nível de furacão.