

A disputa pelo governo do estado está tão equilibrada que o resultado não será decidido pela quantidade de acertos praticados pelos grupos contendores, mas pela quantidade ou, melhor ainda, pela qualidade dos erros cometidos por eles.
Até agora, analisando os acontecimentos da pré-campanha, espaço que antecede as convenções, podemos ver claramente os movimentos de cada um dos lados.
Enquanto Braide se desloca com movimentos extremamente calculados, até porque só ele sabe o que faz e o que vai fazer, não havendo por trás de si um grupo que possa de alguma forma exercer sobre ele qualquer tipo de pressão, seu primo e adversário, Orleans, não tem controle pessoal sobre sua campanha, que recai sobre o comando de seu grupo político. Some-se a isso uma grande quantidade de candidatos a deputado estadual e federal ligados ao governo, cada um querendo se viabilizar.
Por enquanto, os erros estão acontecendo mais do lado de Orleans, até porque o peso da máquina administrativa carrega consigo uma grande quantidade de problemas de toda a ordem, coisa que acontece em menor proporção em relação à máquina de Braide, que, quando muito, tem os problemas da administração municipal da capital, muito menor e menos problemática.
Na escolha do cargo de vice, Braide arquitetou um gabarito e saiu procurando em quem ele cabia: precisava ser alguém do sul do Maranhão, de preferência de Imperatriz ou Balsas; precisava ser mulher, mãe de família; precisava ser independente, empresária, empreendedora; precisava ser ligada a uma igreja, de preferência evangélica; precisava não ter antecedentes políticos e não ter nenhum problema judicial contra ela. Foi assim que escolheu Elaine Carneiro, que não tem votos, mas tem tudo para angariá-los de maneira eficiente e efetiva.
Escolheram para Orleans o ex-prefeito de São Luís Edvaldo Holanda Junior para tentar compensar o enorme prejuízo que terá pelo fato de Braide ser extremamente bem conceituado e avaliado na região metropolitana da capital. Não se pode dizer que a escolha foi errada. Ocorre que ela é apenas uma tentativa de minorar perdas, mas o fragiliza no sul do estado.
Outra coisa que poderá influenciar muito o sucesso de uma campanha nessa eleição é a construção das chapas de candidatos a deputados estaduais e federais e de senadores.
Enquanto no grupo de Orleans as cartas já parecem estar todas marcadas, com nomes previamente escolhidos pelo grupo para ganhar as eleições, do lado de Braide o fato de essas chapas correrem de forma mais solta e democrática, sem pressão política ou econômica, faz com que os candidatos a esses cargos possam ter mais esperanças de se elegerem e, consequentemente, os motiva mais na campanha de governador.
Mas, em minha modesta opinião, um grande acerto da campanha de Braide até agora foi a escolha de seus candidatos a senador. Ao apoiar André Fufuca, que representa a renovação da política maranhense e vem das regiões do Pindaré e Mearim, com grande penetração em todo o estado, e Lahésio Bonfim, ex-candidato a governador, que representa a região sul do Maranhão, Braide acende uma vela em cada altar da disputa nacional, ao mesmo tempo em que não se compromete a ferro e fogo com essas candidaturas, que são, acima de qualquer coisa, escolhas pessoais dos candidatos.
Já Orleans tem dois candidatos que lhe foram impostos: Weverton, pedido de Lula, e Pedro Lucas, pedido da federação de partidos que ele representa, em troca do tempo de propaganda no rádio e na televisão. Com isso, ele fica um tanto engessado. Porém, com a ausência de Roseana na disputa pelo Senado e a inclusão de Fernando Sarney como candidato a primeiro suplente de Pedro Lucas, sua candidatura ganha musculatura de vencedor, reforçada pela inconteste liderança de Roseana e de todo o grupo Sarney, que, ao contrário do que alguns pensam, ainda tem muito apoio popular.
Por outro lado, Braide está se aproveitando do fato de que, em todo município, existem dois, três ou até quatro grupos políticos, e em todos eles alguém que está fora do poder vê no apoio a ele uma oportunidade de crescimento, caso ele vença as eleições.
Em minha opinião, ainda é completamente impossível dizer quem sairá vencedor da disputa pelo governo do estado, mas posso antecipar outros prognósticos: a maioria dos 42 deputados estaduais e dos 18 deputados federais será composta pelos partidários de Orleans, isso se a disputa pelo governo continuar equilibrada. Se a posição de Braide melhorar no decorrer da campanha, isso pode se equilibrar e até inverter.
No caso do Senado, essa deve ser a primeira vez em que cada candidato a governador elegerá um candidato a senador. Penso que André Fufuca e Pedro Lucas irão disputar palmo a palmo para saber quem será o mais votado. Mas quem não for ficará com a segunda vaga.
Mas, como já disse, isso são apenas as minhas modestas opiniões. Haverá quem concorde comigo e quem de mim discorde, e isso é normal. Como dizia o velho Lister Caldas, repetindo um provérbio latino antigo: Qui vivet, videbit. Quem viver, verá.